Ditaduras árabes querem articular aliança ultraconservadora com o Brasil

Durante série de encontros em Genebra, Brasil defendeu que não existe "igualdade de gênero", mas apenas "igualdade entre homens e mulheres"; manifestação agradou mundo islâmico e Rússia

Jornal GGN – O posicionamento do governo Bolsonaro em vetar os termos “gênero” em vários projetos negociados no Conselho de Direitos Humanos da ONU foi considerado um retrocesso de 25 anos no quadro internacional, segundo analistas geopolíticos, e observado com preocupação pelos países ocidentais. Por outro lado, aproximou o Brasil das ditaduras muçulmanas. É isso que mostra análise do Blog de Jamil Chade, no UOL.

De Genebra, onde aconteceu o encontro realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o colunista destaca que os “regimes autoritários do mundo árabe querem contar com o Brasil para ser um dos aliados numa ofensiva ultraconservadora nos bastidores da ONU”.

Durante a série de encontros o Brasil defendeu que não existe “igualdade de gênero”, mas apenas “igualdade entre homens e mulheres.”

“Especialistas interpretaram o posicionamento do governo como um esforço para minar orientações sexuais que não se encaixam nessa visão biológica. A nova atitude do Itamaraty foi apoiada apenas por governos autoritários do mundo islâmico, além da Rússia”, completa Chade.

Animados com o posicionamento do governo Bolsonaro, os países árabes querem agora incluir o Brasil em um processo para ganhar espaço a visão de família tradicional dentro da ONU, enfraquecendo, assim, pautas progressistas nos fóruns internacionais.

“A posição brasileira é radicalmente diferente ao posicionamento do Itamaraty no início do século 21, quando diplomatas em Brasília inovaram ao apresentar um projeto de resolução para indicar que ninguém deveria ser discriminado com base em sua orientação sexual”, relembra Jamil.

O posicionamento defendido na época pelo Brasil foi criticado pelos países árabes. A Argélia chegou a dizer que “a desorientação sexual” não deveria ser assunto na ONU.

Com a mudança na linha ideológica apresentada pelo Brasil, os países árabes querem agora reunir governos que pensam de forma semelhante e construir uma declaração conjunta para “defender a família”.

“Ao blog, diplomatas árabes consideram que uma eventual adesão do Brasil poderia acabar ‘arrastando’ outros governos para uma posição similar”, completa Jamil.

Os governos de países ocidentais avaliaram a posição brasileira como um ataque à diversidade das famílias e uma forma de minar os direitos dos homossexuais. Para ler a reportagem de Jamil Chade na íntegra, clique aqui.

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