24 de agosto de 2026

Mélenchon entra no páreo pelo segundo turno da eleição francesa de 2027

Pesquisa aponta líder da extrema-esquerda com mais de 16% em cenários de primeiro turno; contudo, Marine Le Pen segue como favorita
Jean-Luc Mélenchon, atual líder do movimento França Insubmissa. Foto: Wikipedia

Jean-Luc Mélenchon avança nas pesquisas para a eleição presidencial francesa de 2027, com mais de 16% das intenções.
A esquerda segue fragmentada, com candidaturas de Mélenchon, Glucksmann e divisão entre verdes e socialistas.
No segundo turno, Marine Le Pen lidera com 68% contra 32% de Mélenchon, mantendo-se favorita à presidência.

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A oito meses da eleição presidencial francesa de 2027, o político de extrema-esquerda Jean-Luc Mélenchon voltou a ganhar espaço na disputa pelo Palácio do Eliseu.

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Pesquisa Toluna-Harris Interactive encomendada pelas emissoras M6 e RTL aponta que o líder da França Insubmissa (LFI) teria condições de avançar ao segundo turno em três dos cinco cenários testados. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (24) e citados pela Euronews.

Mélenchon aparece atualmente com mais de 16% das intenções de voto, um avanço considerado significativo em relação aos 12% registrados pelo mesmo instituto em abril. O resultado o coloca próximo de Édouard Philippe, ex-primeiro-ministro e um dos principais nomes do campo de centro-direita.

No cenário mais favorável ao dirigente da LFI, marcado pela pulverização das candidaturas de centro, Mélenchon chega a 16%, à frente de Philippe, com 14%, e de Raphaël Glucksmann, com 10%. A lógica da pesquisa evidencia um dos principais elementos da corrida eleitoral francesa: quanto mais fragmentado o campo adversário, maior o espaço para que um candidato consiga chegar ao segundo turno com uma base eleitoral relativamente concentrada.

A eleição presidencial francesa ocorre em dois turnos. Caso nenhum candidato obtenha maioria absoluta no primeiro, os dois mais votados disputam a segunda rodada.

Fragmentação da esquerda volta a ser fator decisivo

O crescimento de Mélenchon ocorre justamente quando a esquerda francesa se prepara para mais uma disputa marcada pela dificuldade de construir uma candidatura unificada: LFI, socialistas, ecologistas e outras forças progressistas chegaram a formar alianças eleitorais, como a Nupes em 2022 e a Nova Frente Popular após a dissolução da Assembleia Nacional por Emmanuel Macron, em 2024. A unidade, porém, permanece frágil.

No domingo (23), Raphaël Glucksmann anunciou oficialmente sua candidatura à Presidência como alternativa social-democrata, pró-europeia e mais moderada à LFI. Glucksmann defende que a esquerda francesa abandone o chamado “mélenchonismo” e que o Partido Socialista não retome uma aliança com a França Insubmissa.

O próprio campo ambientalista está dividido. Enquanto setores dos Verdes defendem manter diálogo com Mélenchon, outros se aproximam de Glucksmann. O ex-candidato presidencial Yannick Jadot anunciou na segunda-feira (24) que apoiará o dirigente do Place Publique.

A disputa entre os dois projetos ocorre em um momento em que a pauta ambiental também ganhou peso no discurso da esquerda francesa após um verão marcado por ondas de calor, incêndios e seca. Mélenchon aproveitou a conferência de verão da LFI para defender um “Estado ecológico” e uma ruptura com as políticas adotadas nos últimos anos.

Mélenchon pode chegar ao segundo turno, mas Le Pen continua favorita

O avanço nas pesquisas representa uma mudança importante para Mélenchon, mas está longe de significar que a esquerda esteja próxima de conquistar a Presidência.

No segundo turno, a situação do líder da LFI é bastante desfavorável. Segundo o levantamento citado pela Euronews, Marine Le Pen venceria Mélenchon por 68% a 32%. A líder da extrema-direita francesa também aparece à frente dos demais candidatos testados, embora sua vantagem seja menor em um eventual confronto com Édouard Philippe.

O cenário evidencia a contradição central da candidatura de Mélenchon. A fragmentação do campo político pode ajudá-lo a conquistar uma das duas vagas do segundo turno, mas a mesma polarização pode dificultar a formação de uma maioria capaz de derrotar a extrema direita na rodada decisiva.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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