EUA usou Brasil para tentar guinada ultraconservadora na ONU

A pedido dos EUA, o Brasil dissociou-se de diversos trechos de um texto assinado por unanimidade pelas delegações que tratava de igualdade de gênero

Mike Pompeo e Ernesto Araújo - Foto: AFP

Jornal GGN – O governo dos Estados Unidos de Donald Trump está usando a guinada ultraconservadora de Jair Bolsonaro para implementar as mesmas ideias dentro das Nações Unidas. Reportagem de Jamil Chade narra como, pouco a pouco, a diplomacia brasileira passou a ser solicitada pelos EUA para marcar o que pode ser o início das transformações em pactos e acordos internacionais em temas como igualdade de gênero e outras pautas de direitos humanos.

“Em março, a Comissão sobre o Estatuto da Mulher se reuniria em Nova Iorque e, de repente, delegações estrangeiras e – mesmo o diplomatas brasileiros – descobririam que o Brasil estava prestes a passar por uma mudança profunda em seu tradicional posicionamento sobre igualdade de gênero e direitos das mulheres e meninas, com impacto sobre as questões de saúde sexual e reprodutiva.

“Naqueles dias, os representantes do Itamaraty na ONU, em Nova Iorque, passaram a ser procurados pelo governo dos EUA para reuniões. Nelas, os americanos insistiam em convencê-los a adotar uma nova linha. Na agenda, um posicionamento ultraconservador que vetaria referências a termos como educação e direitos sexuais e reprodutivos”, conta Chade.

A justificativa para esta mudança tomou como base que os textos da ONU seriam, na visão de Trump, legalizar o aborto dentro do direito internacional. Para isso recorreu à embaixada brasileira na ONU, em Nova Iorque. A visita de Bolsonaro à Casa Branca, em março, contudo foi o divisor de águas na então resistência dos representantes do Itamaraty nos EUA. Por isso, o Departamento de Estado de Donal Trump fez chegar diretamente a mensagem da mudança de posição ao Itamaraty, Ernesto Araújo.

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“Em Brasília, o gabinete do ministro recebeu as explicações do governo americano sobre a necessidade de que o Brasil mudasse de posição e atuasse em linha com a visão dos EUA. E assim foi feito, para o susto de diplomatas brasileiros espalhados pelas entidades internacionais. Dias depois das consultas com Araújo, as delegações brasileiras em Nova Iorque e Washington receberiam as novas instruções.”

O Brasil, assim, dissociou-se de diversos trechos de um texto assinado por unanimidade pelas delegações dos países integrantes da ONU. “O governo brasileiro não mais vai apoiar o uso inapropriado de termos e expressões dúbias que causam confusão e desentendimento”, como “gênero” e “sexo, justificava o diplomata, na conferência do dia 22 de março.

Leia a reportagem completa de Jamil Chade.

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2 comentários

  1. Lembra a diplomacia da antiga Tchecoslovaquia que operava como front da diplomacia sovietica, quando a URSS não queria aparecer, usava a Tchecoslovaquia como “capa”, o mundo inteiro sabia
    do truque e isso desmoralizou esse culto e civilizado Pais, que hoje não existe mais.

  2. Sempre há um lambe-botas pra enlamear este pais de merrecas. Anos e anos de significativos avanços foram para a lata do lixo em menos de um ano dessa gentinha-miliciana.

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