Delegado envolvido no Caso Marielle montou uma “central de mutretas” na PF

Inquérito afirma que Hélio Khristian, apontado por Dodge como um dos responsáveis por obstruir investigações no Caso Marielle, montou esquema de corrupção na PF

Marielle Franco. Foto: Arquivo/Guilherme Cunha/Alerj

Jornal GGN – Em seu último dia no cargo, a então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, denunciou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) cinco pessoas pela suposta prática de um esquema de obstrução no caso que investiga as mortes da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes.

Entre os apontados estão o delegado da Polícia Federal Hélio Khristian Cunha de Almeida. Um relatório produzido pela Polícia Federal, para investigar as suspeitas de obstrução, aponta que ele teria montado uma espécie de “central de mutretas” na própria superintendência da PF do Rio de Janeiro. As informações são de reportagem do UOL.

O documento ressalta ainda que HK, como é conhecido, usou intermediários para tentar extorquir R$ 300 mil do vereador Marcello Sicilliano (PHS-RJ). O político e o miliciano Orlando Oliveira de Araújo (Orlando Curicica) foram acusados como mandantes da morte de Marielle por um terceiro investigado conhecido como Ferreirinha.

O nome de batismo de Ferreirinha é Rodrigo Jorge Ferreira, policial militar que está entre os cinco apontados por Raquel Dodge no esquema de obstrução do caso da morte de Marielle. Além dele e do delegado HK, estão a advogada Camila Nogueira, o Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, Domingos Inácio Brazão (suspeito de ser o mandante), e eu assessor Gilberto Ribeiro da Costa, agente aposentado da Polícia Federal.

No final de maio, após ser preso, Ferreirinha admitiu à Polícia Federal que mentiu ao incriminar o miliciano Orlando Curicica como um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco. Ele teria dado falso testemunho para se vingar de Curicica, porque este último havia tomado sua central clandestina de TV a cabo em uma área da zona oeste do Rio. Na acusação contra Curicica ele também envolveu Sicilliano.

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Ainda segundo a reportagem do UOL, o delegado federal responsável pela investigação sobre a obstrução no Caso Marielle, Leandro Almada, afirma no relatório que os “atos de corrupção” cometidos por HK já haviam sido informado à própria superintendência da PF do Rio de Janeiro para adotar “medidas cabíveis”.

Em resposta à acusação, o advogado de Hélio Khristian, Leonardo Carvalho, acusa os investigadores de tecer “comentários com carga de subjetivismo, sem qualquer prova ou fundamento”. “Certamente, tal ilação será objeto de demanda judicial em desfavor da União no momento oportuno”, afirmou em nota, acrescentando que “desconhece qualquer tipo de acusação neste sentido e encontra-se à disposição para quaisquer esclarecimentos que os órgãos de persecução necessitem.”

Apesar de apontar as atuações ilegais de HK, o relatório da Polícia Federal conclui que o delegado teria sido enganado por Ferreirinha e sua advogada, esses sim, seriam os arquitetos da trama para obstruir as investigações no Caso Marielle.

“Acostumado a enganar, a verdade é que desta vez Hélio Khristian foi enganado pelo miliciano e pela advogada, simples assim, comprovando o adágio popular que todo malandro tem seu dia de otário”, escrevem os investigadores no documento, contrariando o entendimento da ex-PGR Raquel Dodge, de que HK teria participado ativamente no esquema de obstrução.

Quando a isso, o advogado de HK avalia que “a denúncia da ex-PGR, realizada no último dia de seu mandato, tem cunho político e é absolutamente inepta por uma série de razões jurídicas”.

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*Clique aqui para ler a reportagem do UOL na íntegra.

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4 comentários

  1. Nesse caso, acho que Raquel Dodge esta certa. Marielle tem assombrado muita gente. E assim vai continuar porque não os deixaremos em paz.
    Vi o documentario Indianara e é uma pancada na cabeça dos “homens e mulheres de bem”. O filme, que foi feito durante dois anos, acompanha a militante Indianara, travesti, e que foi candidata à vereadora no Rio pelo Psol e depois expulsa do partido por denunciar suas manobras. Ha no filme trechos de Marielle até à noite de sua morte. Eh sempre revoltante rever Marielle cheia de energia e de repente não mais e o estado de coisas hoje. O fim do filme Indianara, logo apos a eleição de Bolsonaro, pressentia os dias terriveis que agora vivemos.

    https://youtu.be/pqr-hJ4kylI

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  2. Celso Amorim tem razão.

    O tiro que matou ÁGATHA partiu de uma arma autorizada para matar inocentes ou até crianças;
    O tiro que matou ÁGATHA partiu de um programa desse governo desumano;
    O tiro que matou ÁGATHA, matou os sonhos de uma menina que não sabia que tal brutalidade pudesse existir;
    O tiro que matou ÁGATHA, invalida qualquer citação a repeito da bondade;
    O tiro que matou ÁGATHA, nos mostra que neste país ninguém protege as crianças;
    O tiro que matou ÁGATHA, também perfurou nossos corações, gerando uma cicatriz que talvez o tempo não apague.
    O maldito tiro que matou a menina ÁGATHA matou, também, todos os sonhos dos brasileiro!

  3. Quando um governo não quer a solução de determinado crime, expõe um código de sigilo…
    código este que não resiste a um simples teste de lógica, segue:

    a mando de alguém ou antecipando-se aos interesses de alguém?

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