Haddad diz que PT não é a favor de Maduro, mas contra intervenção estrangeira

Foto: Ricardo Stuckert

Jornal GGN – Em entrevista publicada pelo El País nesta sexta (18), Fernando Haddad demonstrou incômodo com a ida de Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, à posse de Nicolás Maduro, na Venezuela.
 
Haddad considerou que não basta o “gesto” de se dispor a representar o partido em Caracas. Era necessário, também, fazer uma comunicação mais clara do que o PT pensa a respeito da Venezuela sob Maduro. Na visão de Haddad, não há democracia no País vizinho, mas o PT entende que uma intervenção militar estrangeira pioraria a situação.
 
“(…) a obsessão do PT com a qual eu compartilho é evitar um conflito militar na região. Brasil está há mais de 140 anos sem conflito militar com seus vizinhos. A obsessão da centro-esquerda pacifista é buscar uma solução negociada. Outra questão é comunicar adequadamente o que você quer comunicar com seu gesto [a ida de Gleisi à posse de Maduro].”
 
Questionado se gostaria de ser presidente do PT, ele respondeu. “Não está nos meus planos. Eu nunca fiz parte da burocracia partidária, nunca participei da vida interna do partido a não ser quando convidado, na condição de professor universitário.”
 
Haddad também fez mea culpa a respeito dos erros que fizeram o PT perder a eleição para Bolsonaro. Quando o tema era corrupção, o ex-presidenciável admitiu que o caixa 2 foi um problema generalizado entre os partidos, e o PT pecou, em seus governos, por não ter tentando aprovar uma reforma política que acabasse com o financiamento empresarial.
 
“A verdade é que se pedia dinheiro no sistema político sem nenhum protocolo. E isso foi se tornando a regra em todos os partidos. E abriu espaço para crimes pequenos e para crimes enormes.”
 
Para Haddad, outro fator que teve impacto em sua derrota foi o fato de que o PT viu seu contato com as bases sociais se reduzir ao longo dos anos. Segundo ele, isso ocorreu principalmente porque as principais lideranças que faziam diálogo com as bases acabaram absorvidas pela máquina estatal nos governos petistas. “O sucesso eleitoral do PT enfraqueceu o próprio partido em sua conexão com as bases. O outro fenômeno é a crise política, ética, e econômica que aconteceu.”
 
Ele também concordou que o PT formou mais consumidores ao longo de seus governos do que cidadãos conscientes. “Eu acho que deveríamos ter trabalhado mais a questão da consciência política.”
 
Sobre a possibilidade de liderar a oposição a Bolsonaro, Haddad respondeu que ninguém pode ter essa pretensão. “Acredito que ninguém possa se arvorar a ser o chefe da oposição.”
 
Na visão do professor, Bolsonaro comanda uma regime anti-democrático porque não respeita alguns valores inerentes às democracias. “A oposição está se sentindo ameaçada, porque ele anunciou que ela terá dois caminhos, a cadeia ou o exílio. Este conceito que eu acredito de democracia, sim, está ameaçado. As instituições tem que funcionar com um propósito, de fazer as pessoas se sentirem seguras independente do que pensam, de sua orientação sexual.”
 
Leia a entrevista completa aqui.

a obsessão do PT com a qual eu compartilho é evitar um conflito militar na região. Brasil está há mais de 140 anos sem conflito militar com seus vizinhos. A obsessão da centro-esquerda pacifista é buscar uma solução negociada. Outra questão é comunicar adequadamente o que você quer comunicar com seu gesto [a ida de Gleisi à posse de Maduro]

17 comentários

  1. Aí de nós, nosso líder tão
    Aí de nós, nosso líder tão fora de foco! As esquerdas estão perdendo no mundo porque a direita descobriu o filé da reação contra a revolução dos costumes, descobriu os fantasmas da segurança e da “corrupção”. Aqui no Brasil pesa muito a segurança pública. Veja:
    POR QUE HADDAD SE RECUSOU E A ESQUERDA SE RECUSA A FALAR SOBRE SEGURANÇA Pública?
    Leonardo Boff se espanta e escreve: “o povo votou nos seus algozes”. Por que será? Perguntemos. Seria aquele famoso discurso da servidão voluntária de La Boétie? Tem a ver mas não só. Não precisamos ir tão longe. O povo votou nos seus algozes porque esses algozes prometeram livrá-lo de um algoz ainda mais terrível para ele: o criminoso comum do bairro, aquele que o inferniza, humilha, bate, mata, torna o seu dia a dia carregado de um desespero inimaginável para nós classe média bacaninha que, quando muito, sofremos um assaltozinho aqui e acolá nas avenidas chiques.

    O problema da segurança para as massas populares é tão grave quanto o problema de sua viabilidade econômica (emprego, renda, estudo, moradia, etc.).

    Um amigo meu tem uns imóveis prá alugar numa cidade satélite popular de Brasília. Teve o seguinte problema: inquilinos que não possuiam carro devolveram o imóvel no primeiro mês porque tinham de ir pro emprego de ônibus às 5:30 ou 6:00 hs da manhã e foram repetidamente assaltados na parada. Foram obrigados a se mudar prá imóveis mais centrais –e mais caros-, próximos de uma estação de metrô. É viável uma vida assim para as pessoas?

    Eu consigo uma moradia do Minha Casa, Minha Vida, que a Esquerda, quando no governo, me proporcionou, eu fico muito feliz, agradecido ao Presidente Lula, à Dilma, então eu me mudo, monto meu pequeno negócio, meu filho entra no Prouni e no Fies, eu estava muito feliz, entretanto, as milícias estão batendo na porta do meu negócio exigindo propina, meu filho foi assaltado três vezes na porta de casa ao voltar da faculdade à noite e a filha da minha vizinha foi assassinada nas mesmas circunstâncias.

    Aí vem as eleições. A Esquerda é COMPLETAMENTE MUDA em relação à segurança pública. A Direita vem dizendo que torturador é o herói, que vai curar gay na marra, privatizar estatais –eu até acho estranho tudo isso- mas ela também diz que vai acabar com a bandidagem, matar uns 30.000, punir os De Menor criminosos, reduzir a maioridade penal, por criminoso na cadeia. Aí eu apoio, pois ela promete acabar com todos os que estão acabando com a minha vida, com a minha felicidade.

    No imaginário do povão funcionaria mais ou menos assim:

    Esquerda (PT): Moradia, emprego, escola… Coisas importantes, necessárias. Eu apoio.

    Direita: Acabar com os bandidos, prender os criminosos… Coisas essenciais. Eu apoio.

    Dessa forma, aparentemente, venceria a eleição quem soubesse estimular mais o imaginário e o humor das massas pobres para as necessidades de um desses itens naquele momento da eleição (fake news à parte).

    Agora umas perguntas: Por que essa dicotomia? A esquerda, tão craque em desenvolvimento social, não é capaz também de apresentar um programa de segurança pública que prometa mitigar o sofrimento das pessoas em relação à violência, à criminalidade comum, aos assassinatos banalizados? Conseguiria, dessa maneira, invadir o campo onde a direita se acha a única rainha e ter muito mais força nas eleições. Por que deixar apenas Sérgio Moro falar uma verdade óbvia como: “é necessário aumentar a pena para crimes graves como homicídio”? Por que deixar a direita dominar essa narrativa, como se a esquerda também não fosse favorável a punições severas para homicidas e assassinos cruéis?

    A esquerda seria capaz de dar uma resposta a essas perguntas, se não fosse impedida por duas travas: uma trava cognitiva e outra ideológica.

    Cognitiva: Não percebe que a violência comum acontece dentro das massas pobres. São os pobres agredindo os pobres. Uma minoria de pobres violentos, criminosos, agredindo a grande maioria de pobres que tenta sobreviver no desespero. Portanto, os bandidos são tão tiranos, para a vida da população trabalhadora pobre, quanto os capitalistas que as exploram e que foram descritos por Marx.

    Ideológica: Como a Esquerda não consegue perceber isso e acha que toda a violência, todo o sofrimento do povo pobre é devido à exploração capitalista (claro que a causa básica é, ninguém discute isso), qualquer plano de se punir com mais rigor os tiranetes de bairro é visto como se fosse uma punição a quem já é uma vítima “do capitalismo” e assim essa ideia é suprimida com vigor e jogada lá pros quintos do subconsciente, pois é coisa “de direita”.

    Aí… fica de mãos atadas e vai perder todas as eleições para a Direita que empunha a bandeira do punitivismo, porque punitivismo é música para os ouvidos das massas trabalhadoras pobres das periferias, oprimidas não só pela exploração capitalista mas também pela ação dos tiranetes de bairro, e aflitas com a violência e impunidade desses tiranetes.

    Nosso querido Haddad, tão competente, tão gabaritado para dirigir esse nosso querido país, sendo entrevistado, na campanha, por um jornalista sobre a redução da maioridade penal disse: “Somos contra”. O Jornalista perguntou: “Por quê?” Ele respondeu: “Porque não consideramos que seja solução para o problema”. Nada mais. Titubeou discretamente ao falar essa última frase. Talvez porque, sendo um homem inteligente, tenha inconscientemente percebido que não é uma resposta convincente a ser dada aos eleitores sobre a violência e os anseios deles por justiça. Ele deve ter sentido, lá no íntimo, que a Esquerda deve apresentar propostas um pouco mais elaboradas para um problema que aflige tanto as massas pobres, como é a violência. Ou faz isso, ou não está preparada para resolver os problemas do povo, para convencer a massa de eleitores e então não deve reclamar nem lamentar a derrota.

    Será se, ao encarar a questão da segurança pública, a Esquerda se igualaria à Direita? Vamos comparar possíveis roteiros de ação de cada uma:

    Solução da Direita: Redução da maioridade penal para todos os crimes; aumentos gerais de penas; pena de morte; trabalhos forçados; penas cruéis, ao estilo da pena que Fujimori aplicou em Abimael Gusmán, líder do Sendero Luminoso (para quem não lembra, ele foi preso em uma cela pequeníssima, onde não podia se mover, de teto baixo, onde não podia se levantar por completo, escura, não podia ler um livro, não podia fazer nada, ou seja, uma tortura contínua para qualquer ser vivo, animal ou humano); liberação e apologia da violência policial; humilhações; sangue; massacres.

    Solução de Esquerda: Redução da maioridade penal para os crimes de homicídio e lesão corporal; Aumento de penas para esses crimes com obrigação de cumprimento da pena total em regime fechado; Aumento de penas além dos 30 anos para homicidas reincidentes; presídios-escolas; presídios-fábricas modelos; eliminação dos crimes de desacato, resistência e desobediência em relação a policiais (arts. 329 a 331 do Código Penal), a profissão já embute a necessidade de lidar com pessoas fora de si, bêbadas, loucas, enfurecidas, etc.; punição severa à violência policial; respeito.

    Ver outras propostas no texto https://jornalggn.com.br/fora-pauta/pobre-esquerda-sempre-dando-murro-em-ponta-de-faca

    Com possíveis soluções tão diferentes, por que a Esquerda tem tanto medo de ser confundida com a Direita ao palpitar sobre segurança pública?

    Só pode ser devido às travas cognitivas e ideológicas mencionadas acima.

    Ah, mas reduzir maioridade penal, seja de que forma for, é “proposta de direita”. Ah, é? Então continue assim, pequena avestruz, enfie a cabecinha na areia, vire a bundinha para cima e deixe a Direita enrabar você como fez nessas eleições de 2018, enrabar o nosso querido Presidente Lula como está fazendo, para nosso completo desespero e impotência, e outras muitas coisas terríveis que ainda fará, uma vez que você, pequena avestruz, se recusa a ir aonde o povo está e tentar entende-lo. Se recusa a dar uma resposta realista “de esquerda” aos problemas que o afligem e assim ganhar a eleição e poder influir mais no processo político, que é a única possibilidade de “revolução” com que podemos contar na atualidade.

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    • CRIMINALIDADE E A ESQUERDA

      Zé Gomes, um abraço

      Li seu texto com atenção

      De fato, a chamada “esquerda”, não tem uma palavra a dar para enfrentar a questão da violência abordada por Você. E não tem porque não sabe o que falar!

      Na verdade, nenhum partido sabe o que fazer. O decreto assinado pelo novo presidente mostra apenas a forma primitiva de pensar dele e de seus apoiadores, principalmente a  classe média (ou ao menos boa parte dela). Outra ideia estúpida é aumentar as penas e enfiar mais gente nos presídios como medida capaz de diminuir a criminalidade. Há no Brasil 726 mil pessoas presas. Perto de um terço desse total não cumpre pena, são presos que não foram julgados. Perto de um terço dos presos condenados estão ligados a crimes classificados como tráfico. Em sua grande maioria são homens jovens, pretos, pardos e muito pobres. É importante lembrar que o crime organizado, as facções criminosas, cresceram de dentro dos presídios. Que são controlados por elas. Quanto mais gente for presa, mais recursos humanos as facções vão ter a seu dispor.

      Não existe saída a curto prazo.  Quem tem um pouco de experiência na vida da perifeira sabe o que é necessário: proporcionar à juventude boa escola, clutura, áreas de lazer e, principalmente, uma perspectiva de futuro. Isso é o que falta. 

      Vivemos em um dos países com maior concentração de riqueza do mundo. O povo dessas periferias não tem nada. Por isso o crime comanda: não apenas contra a classe média mas contra os próprios pobres, como Você apontou muito bem. Veja as favelas do Rio: o povo honesto, 99% por cento dos habitantes, é esmagado pela pobreza, falta de esperança, desalento e massacrado pela polícia, milícias, facções e agora pelas Forças Armadas. Essa situação espalhou-se por todo o país. Trabalhei 27 anos como professor na periferia distante aqui de São Paulo.  Quem manda nesses lugares é o PCC. A polícia é odiada. Até briga de casais é decida pelos integrantes dessa facção. Não se pode chamar a políca. Quem vive ou trabalha na periferia sabe que é exatamente assim.

      É necessário distribuir a riqueza. Criar condições econômicas para os jovens terem emprego, uma renda decente. Isso, se começasse hoje, demoraria anos e anos. Mas não irá começar. 

      É por isso que não apenas Haddad mas ninguém que seja intelectualmente honesto consegue apresentar um plano para diminuir esse problema. São quase 64 mil pessoas assassinadas no Brasil por ano. Menos de 10 por cento dos homicídios  são solucionados. Praticamente não existe investigação. Em São Paulo o PSDB destruiu a Polícia Civil. Há 15 mil cargos sem serem preenchidos. Ano passado, houve até decisão do TJ para obrigar o estado a ter delegacias em cidades do interior, pois o governo de Alckmin já ia fechando várias. No restante do Brasil o quadro é semelhante.

      Por isso não tenho mais ilusões. Com o novo governo nada irá melhorar mas a violência contra os mais pobres, isso irá aumentar.

       

  2. Infelizmente é o Haddad,

    Infelizmente é o Haddad, juntamente com a direita do PT, correndo célere para, de mãos dadas, com Ciro Gomes, criarem sua frente democrática para discursos, entrevistas e notinhas. Não houve golpe, Lula que se dane e Haddad deu legitimidade ao desejar sucesso a Bolsonaro, eleito no pleito mais fraudado das últimas décadas. O único lúcido ainda é o Lula que, através do Boulos, pede que a esquerse volte para o foto como fato decisivo na luta

  3. o Haddad
    O Haddad precisa ir para o PSDB de uma vez. Ir pra lá e dar um beijo na boca do Dória. Dizer pra ele:
    – vamos fazer um novo partido, sem FHC -aquele comunista!-
    Ou ir para o PSL, ou tá na hora do PT rachar e ficar uma alazinha à esquerda com a Gleisi e na direitona o restante…
    Eu achava que só tinha burro de direita…mas tem burro de esquerda também…
    Viva Maduro!
    Viva Lula!
    Viva Chávez!
    Abaixo a grande mídia!
    Foro coiso!

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