Com saldo de 92 presos, réus da Lava Jato apelam para delação

Na mira da Justiça Federal do Paraná, investigados usam o instrumento para sair das prisões ou obter penas mais brandas. Último acordo pode fechar mais o cerco para o PMDB
 
Jornal GGN – Após os primeiros desfechos das investigações da Operação Lava Jato, com ações criminais propostas contra mais de 100 pessoas, os mandados de prisões preventivas e temporárias também atingindo 92 investigados e as denúncias contra 48 réus, com condenação de 15 deles – apenas desde março deste ano -, o instrumento da delação premiada foi a saída encontrada por muitos envolvidos para obter penas mais brandas e ser a resposta que os Habeas Corpus não obtiveram, para aqueles que foram presos em fase investigatória.
 
O mais novo delator da Operação Lava Jato é o consultor Mario Goes, que saiu da prisão nesta quinta-feira (30), após o acordo ser homologado pelo juiz Sergio Moro. Desde terça (28), Goes já prestou 13 depoimentos. 
 
Preso desde fevereiro, é réu em duas ações de esquema de pagamento de propinas por empreiteiras à direitoria de Serviços da Petrobras, sob o comando de supostas empresas “laranjas” que receberiam as “comissões”. Goes admitiu ter movimentado pelo menos R$ 3,4 milhões no Brasil e US$ 6 milhões no exterior, para o pagamento de vantagens. 
 
Ainda não condenado, o instrumento da delação premiada de Mario Goes já foi priorizado frente à sua legítima defesa, como réu de processos. O consultor foi convocado a prestar depoimento à Justiça Federal, na figura de réu parte do julgamento. Mas a declaração foi adiada para dar lugar ao depoimento de colaboração. Com isso, o seu direito de defesa, que ocorreria nesta quinta (30), foi atrasado para a próxima segunda-feira (3), tempo suficiente para juntar aos autos os depoimentos de contra-defesa. 
 
Em maio deste ano, o lobista pediu ao juiz Sergio Moro a troca de sua prisão preventiva por domiciliar, afirmando que não tinha mais condições de saúde. “Eu estou ficando fraco, cada vez mais”, havia dito, chorando. Após a demonstração de fragilidade do empresário, Sergio Moro iniciou um diálogo afirmando que, se Góes colaborasse, seria analisada a revogação da prisão preventiva e assumiu que a detenção era “instrumento utilizado para o crime de colarinho branco”.
 
 
Delação de lobista ligado ao PMDB
 
Também nesta quinta-feira (30), o juiz Sergio Moro homologou o acordo de outro delator: Hamylton Padilha. O lobista que pode revelar mais informações do esquema que envolve a cúpula do PMDB no COngresso não foi preso, mas começou a ser investigado neste ano e está no foco das novas investigações da força-tarefa da Lava Jato.
 
O acordo de cooperação de Hamylton se restringirá a depoimentos sobre empresários, ex-executivos de empreiteiras e ex-dirigentes da Petrobras, uma vez que a delação ocorre na instância da Justiça Federal do Paraná, que não analisa os casos de políticos com foro privilegiado. 
 
Entretanto, ele pode ser chamado a depor nos julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar de as declarações de Hamylton Padilha tramitarem em segredo de Justiça, alguns vazamentos já divulgaram que o lobista teria comprovado pagamentos aos ex-diretores da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró e Jorge Zelado, em esquema de propina ao PMDB.
 
Em um dos episódios, ele teria intermediado o contrato de afretamento de um navio-sonda para a estatal, junto à diretoria internacional, gerando um repasse adicional de US$ 2 milhões em uma conta secreta, posteriormente atribuída a Renato Duque, ex-diretor da Petrobras. 
 
Os depoimentos de Hamylton agregam dados às informações prestadas pelo executivo Julio Camargo, que descreveu à Justiça Federal do Paraná o esquema de corrupção envolvendo o PMDB e com o pagamento de suborno de US$ 5 milhões ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, um dos cabeças das negociatas, segundo o Ministério Público Federal. 
 

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10 comentários

    • Provavelmente você ainda não

      Provavelmente você ainda não entendeu como funciona a delação premiada. Para ter validade, não basta falar, tudo tem que ter provas ou fortes indícios.

  1. Esse réu, Mário Góes, com

    Esse réu, Mário Góes, com graves problemas de saúde, foi coagido a assinar esse “acôrdo de delação  premiada”. Os advogados e outros operadores do Direito, que respeitam e zelam pela garantia dos direitos individuais e dos cidadãos contra o Estado-acusador-opressor, devem se manifestar. Se necessário, deve-se apelar aos tribunais internacionais. Não estou aqui fazendo qualquer julgamento do réu (defendendo-o ou acusando-o), mas tão sòmente chamando a atenção dos leitores pra os abusos cometidos, todos os dias, pelas autoridades envolvidas na investigação (PF e MPF) assim como na condução dos processos judiciasi (juiz Sérgio Moro).

  2. Lava Jato muda a Justiça e a advocacia

    Da  FOLHA   JOAQUIM FALCÃO

    A Justiça penal não será a mesma depois do mensalão e da Operação Lava Jato. Tanto a prática de juízes, delegados, procuradores e advogados como nas doutrinas e tribunais. Tudo começa a mudar. Que mudanças são essas?

    Mudança geracional. Juízes, procuradores, delegados são mais jovens. Fizeram concurso mais cedo. Vivem na liberdade de imprensa, na decadência dos partidos e na indignante apropriação privada dos bens públicos. E não têm passado a proteger ou a temer.A Justiça penal não será a mesma depois do mensalão e da Operação Lava Jato. Tanto a prática de juízes, delegados, procuradores e advogados como nas doutrinas e tribunais. Tudo começa a mudar. Que mudanças são essas?

    Mudança geracional. Juízes, procuradores, delegados são mais jovens. Fizeram concurso mais cedo. Vivem na liberdade de imprensa, na decadência dos partidos e na indignante apropriação privada dos bens públicos. E não têm passado a proteger ou a temer.

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    http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/07/1662597-lava-jato-muda-a-justica-e-a-advocacia.shtml

    JOAQUIM FALCÃO, 71, mestre em direito pela Universidade Harvard (EUA) e doutor em educação pela Universidade de Genebra, é professor da FGV Direito Rio

  3. Se isso não for coação

    Se isso não for coação através de tortura (com o auxílio luxuoso do Deus do Dallagnol), não sei o que seria. Pelo jeito o STF aprova, então o caminho para o golpe está livre.

  4. Trensalão Emtusão Sabespão e outros

    Incrível, enquanto no qg do tucanato eles vão aprontando, aprontando e nada do ministério público estadual se manifestar. Na secretaria dos transportes metropolitanos, metro agora anuncia rompimento de contrato da linha 4 amarela já a mais de 10 anos prometida sua conclusão total, cptm se arrasta em suas intermináveis obras de “modernização” na emtu uma simples concorrencia de linhas da chamada área 5 da região metropolitana  se arrasta por mais de 10 (dez) anos o que dá um total de uns  25 anos de operação irregular pela máfia dos transportes e ninguém se manifesta. A FURP (por enquanto pela importância dela eu escrevo em maiúsculo) está sucateada e ninguém fala nada. Fazem acordo com o pcc ( parece que o marcola não aceitou continuar, pelo tipo de gente que estava do outro lado). Sabesp sucateada e nós pagando  o prejuízo e ninguém fala nada. Pedágios com tarifas lá na extratosfera e os donos as mesmas Camargo Correia e outras mais se beneficiando. Não  temos segurança, transportes decentes, saúde, políticas sociais e a mídia se cala, Assembléia Legislativa não cumpre seu papel e o ministério público estadual faz de conta que não é com ele. Intervenção já em SP!!!

  5. Morrendo de MEDO….rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs…

    Eeeeeeeeeeeeeeeeeeita que os LADRÕES e seus DEFENSORES tão morrendo de medo…rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs…PERDEU PT !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!…

     

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