O que os Sataré-Mawé tem a ensinar ao povo brasileiro?, por Fábio de Oliveira Ribeiro

O que os Sataré-Mawé tem a ensinar ao povo brasileiro?

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Já comparei os juízes federais aos caçadores de cabeças. Também usei alguns filmes para tentar compreender e elucidar o que está ocorrendo no Brasil (Lava Jato, The Fly, Dr Phibes). Hoje me ocorreu algo diferente.

Se nós estivermos sendo submetidos a um grande experimento antropológico, qual seria a natureza e as possíveis consequencias desse rito de passagem?

Os Sataré-Mawé, indígenas da região norte do Brasil que falam uma língua do tronco tupi, tem um curioso ritual:

“Os homens eram submetidos à prova das formigas tucandeira – são instigados a colocarem as mãos (ou somente uma) em luvas de palha trançada infestadas dessas formigas – anteriormente capturadas em seu formigueiro pelos homens da tribo, embebidas com uma solução do extrato das folhas do cajueiro dentro de uma vasilha, serviço feito pelas mulheres, e depois inseridas dormentes nessa luva até acordarem na cerimônia, e assim durante o ritual, suporta-las durante pelo menos 15 minutos, enquanto todos os índios dançam ao redor em uma música cantada no idioma local. Em seguida, a luva é repassada ao índio do lado (que também deve aguentar os 15 minutos), e assim por diante, até passar por todos os adolescentes que estão a ingressar em vida adulta. É comum assim, passar o resto do ritual com as mãos inchadas e vários efeitos consecutivos, como febre, câimbra, vermelhidão nos olhos, etc.”  

Leia também:  Réquiem para um país que poderia ter dado certo, por Vinícius Canhoto

https://www.youtube.com/watch?v=ppDBBtm8eiw

Apesar da sofisticação dos meios de comunicação e da linguagem jurídica erudita dos juízes que julgaram o processo do Triplex e o HC do réu podemos ver sob a superfície das imagens e discursos que o Brasil e seu maior líder popular estão sendo submetidos a um ritual semelhante. Os barões da mídia usam seus meios de produção simbólica para preparar a luva e posicionar e irritar as formigas tucandeira do Judiciário. O veneno que os juízes-formigas inoculam no país cada vez que ferroam Lula diante das câmeras é extremamente doloroso.

Lula parece não se incomodar. Ele suporta o ritual Sataré-Mawé lhe imposto pela imprensa e pelo Judiciário com um estoicismo invejável. A reação dele ao suplício parece irritar ainda mais os jornalistas e as tucandeiras togadas.

Os jornais, revistas e portais de internet disseram antecipadamente que ele seria condenado por Sérgio Moro. A sentença condenatória anunciada foi proferida. Os jornalistas informaram que o TRF-4 manteria a condenação e foi exatamente isto o que ocorreu. O mesmo pode ser dito do julgamento do HC, cujo resultado era conhecido antes da transmissão do STJ pelo YouTube.

Hoje a imprensa começou a alardear quais são as prováveis datas para a decretação da prisão de Lula a mando do TRF-4. A liberdade de Lula realmente está em risco (esse fato é público e notório), mas nem mesmo isso foi capaz convencer as autoridades judiciárias a conceder ao líder petista o HC preventivo que é costumeiramente atribuído aos líderes tucanos.

As formigas utilizadas pelos índios reagem de maneira instintiva. Os juízes encarregados do julgar Lula deveriam ter consciência do que estão fazendo ao réu e ao Brasil. Curiosamente, parece que eles foram transformados formigas irracionais teleguiadas pelos telejornais matutinos e noturnos. Os desembargadores do TRF-4, STJ e até do STF agem como se fossem apenas instrumentos de tortura manipulados pelos barões da mídia que se deliciam submetendo Lula e o povo brasileiro ao ritual doloroso de ver seu líder imolado.

O menino Sataré-Mawé emerge do ritual com as formigas tucandeira transformado. Ele perde as ilusões infantis e se transforma num homem valente, capaz de enfrentar todos os desafios impostos pela selva à sua existência. O mesmo ocorrerá com Lula e/ou com o povo brasileiro. Portanto, os donos das grandes empresas de comunicação e seus lacaios no Judiciário devem inspirar mais pena do que ódio. Eles  não sabem o que estão fazendo a si mesmos e aos seus interesses. A conferir.

 

2 comentários

  1. A prova de Lula e do povo brasileiro

    Excelente análise, Fábio. Vai de encontro ao que eu também penso. E não estamos sozinhos. Eles caras são o elástico que nos prende mas também nos impulsiona. E quando formos pra cima não haverá tempo – nem meios – para alisá-los.

    • Pra ontem

      Porque a prisão do líder é para amanhã.

      O que vale para um indivíduo vale para um povo.

      Não existe crescimento e amadurecimento sem luta, sem dor e sem enfrentamento.

      Ou toma as rédeas da sua vida e da sua história, ou permanece imaturo e dependente pelo resto da existência.

      Um único e primeiro estrondo é o suficiente para despertar o povo brasileiro do seu estado letárgico.

      Letargia:

      _ estado patológico de sono profundo, sem paragem das funções vitais e de duração variável, podendo ser causadso por infecções graves que afetam os centros nervosos;

      _ sono artificial provocado quer pela sugestão (hipnose) quer por um medicamento (narcose);

      _ inação, apatia, inércia. torpor, indiferença;

      _ estado de inatividade que ocorre em algunas animais, especialmente nos peixes pulmonados, durante períodos prolongados de seca ou calor.

      https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/letargia

              

       

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