Razão ou glória? Confetes não servem para nada, por Neemias Almeida

Em toda a história da humanidade o prêmio tem sido dedicado aos homens que detêm a razão e somente os virtuosos alcançam a devida glória

Razão ou glória? Confetes não servem para nada.

Por Neemias Almeida

Em uma sociedade de muitas insubordinações e conhecimentos que divergem dos que são aprendidos no lar, a razão costuma se acentuar quando, na afirmação da proposta que se defende, o indivíduo vê-se capaz de contrapor argumentos.

Consciente de que a primeira perda é a da informação certa, a glória advinda dessa dialética não se converte em respaldo suficiente para a dicotomia entre conhecimento e poder.

Confetes podem não ser o que há de melhor na ornamentação de um carnaval como o de Roma ou o de Paris.

É bem verdade que “confetes” não servem para nada mais além de dar relevância a um carnaval, em caso de não correspondência, até mesmo à perda de uma imagem por falta de margem de valor. Contudo, elogios e galanteios não se jogam aos punhados.

Temos tendência a nos focar somente no “verdadeiro ou falso” de qualquer questão, porém, a maior parte das informações não costuma ser apenas falsa ou enganosa. As mudanças não costumam ocorrer no último buraco do cinto, toda virtude é silenciosa e humilde, o que nos constrange a sermos mais verdadeiros e fiéis às nossas proposições.

Do excelente ao amplamente lamentável o que importa é o percurso.

A arte do convencimento nada mais é do que conhecer as características do público a que se destina a aprovação do discurso. Além do que, ser um exímio orador não é para qualquer um, posto que, essa arte não está na razão de discursar e, nem tão pouco, na glória que existe na propagação de palavras bonitas.

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Isso não é aprendido com Mikhail Bakhtin, Michel Foucalt e nem, ao menos, com Antonio Gramsci. É somente praticando que se obtêm elucidações para além dos confetes. Tendo em vista os resultados a serem alcançados, costumamos analisar os pós e os contras de cada questão.

Organizados os ‘enunciados’, trabalham-se os contextos para a que atinjamos um fim específico e satisfatório. Este é um olhar a ser considerado quando as opções são restritas a um universo que dialoga com as causas em questão.

Confetes não servem para nada.

Rodelas finíssimas de papéis vistas principalmente em festejos carnavalescos – apesar de pouco utilizadas – ainda estão na moda. O que em um sentido conotativo parece ser similar a um picote, pode ser a solução para o extraordinário. “Não servir para nada” é, apenas, uma opinião que diverge das demais e que merece muita atenção.

Portanto, cabe à pessoa do orador a decisão de continuar ou parar quando necessário, o discurso jamais será indefinido ou não elucidativo, quando este for consciente da realidade plural existente entre o objetivo a ser alcançado e o público ouvinte.

Razão ou glória? Para entreter, chamar à atenção ou dissuadir, só a notoriedade não é suficiente. A razão está atrelada á magnificência e a glória se manifesta quando, em relação ao orgulho, ocorre o excesso de grandeza. Em toda a história da humanidade o prêmio tem sido dedicado aos homens que detêm a razão e somente os virtuosos alcançam a devida glória.

 

*Neemias dos Santos Almeida é Professor e Pedagogo. Colunista, Articulista, Membro da ONG Atuação Voluntária, Escritor, Voluntário junto ao órgão internacional PNUD/Brasil, e ávido leitor que vive a internet e suas excentricidades desde 2001.

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