Um balanço das discussões no GGN sobre as criptomoedas

O artigo que sempre me fascina é aquele que provoca uma enorme discussão, na qual novos elementos são trazidos pelos leitores, permitindo entender todas as faces do tema.

Vamos à belíssima discussão que ocorreu com o post “Salve-se das criptomoedas enquanto é tempo

Há três maneiras de entender as criptomoedas:

·      A tecnologia embutida.

·      Seu papel como substituta das moedas fiduciárias.

·      A bolha especulativa atual.

São três temas entrelaçados com três espécies de especialistas:

O tecnólogo se encanta com os aspectos tecnológicos do blockchain. Essa tecnologia garante que as transações serão seguras.

Mas não explicam o segundo ponto: o papel futuro das criptomoedas como meio de troca e, reserva de valor. Aí se entra na teoria monetária. É uma bela discussão sobre o futuro da moeda, mas em um campo dominado pelos economistas, mais do que pelos tecnólogos e operadores de mercado. Vale uma discussão ampla, porque o tema é fascinante.

Aí se entra no centro da nossa discussão, que são as operações atuais com criptomoedas.

O artigo em questão abordava um aspecto apenas:  a bolha especulativa atual. Todos os argumentos visaram comprovar que se trata de investimentos de alto risco, uma loteria, cujo valor intrínseco depende apenas da maior ou menor procura da própria moeda. Como tal, é uma bolha, como foi a bolha do Mississipi, no século 18, com o banqueiro John Law; a bolha das tulipas na Holanda; o esquema Ponzi nos Estados Unidos; o boi gordo ou a Telexfree nos países de língua portuguesa.

Todos os argumentos visaram discutir esse aspecto.

Toda a campanha de venda do mercado consiste em dizer que as criptomoedas são o futuro das transações globais. Ou que as bolsas estão montando mercados futuros destinado a reduzir a volatilidade dos papéis.

Toda a venda, portanto, é em cima de algo que não existe. Não adianta daqui a uma década as criptomoedas se tornarem padrão. Não vai mudar em nada o jogo atual. Não se sabe como será a regulação, que criptomoedas serão criadas, se as criptomoedas terão relação como lastro as atuais moedas fiduciárias.

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Pode ser que daqui a dez anos, o FED cria sua criptomoedas – lastreada em dólares -, o Banco Central brasileiro crie a sua – lastreada em reais. Em que isso beneficiará as criptomoedas atuais?

Por outro lado, veio uma enxurrada de comentários abordando os três pontos da discussão. E, com isso, a discussão foi sumamente enriquecida, embora não altere em nada o diagnóstico que fiz sobre a bolha.

Faço aqui uma síntese dos comentários, com respectivos links:

Sobre as criptomoedas como reserva de valor

Frederico Silva fez um belo arrazoado sobre o tema. Questionou a solidez das atuais moedas fiduciárias, por não terem mais o lastro em ouro. Diz que 5% das moedas fiduciárias são papel moeda. O restante é criado pelos bancos – com respaldo dos respectivos governos nacionais, salientes.

Diz que esse desacoplamento produziu uma corrosão no poder de compra das moedas fiduciárias. Já as criptomoedas são ativos digitais, uma abstração das moedas fiduciárias que, entre suas propostas, a principal seria a de resistir a essa depreciação, garantindo o poder de compra a curto prazo.

Vamos ver o que aconteceu com o Bitcoin entre o dia em que saiu o artigo e hoje.

Em reais, o Bitcoin estava cotado a R$ 35.966,00. Atualmente, em R$ 26.402,00. Quem aplicou perdeu 27%. Para recuperar o que perdeu, o Bitcoin deveria se valorizar 36% daqui em diante.

Outra coisa: em 11 de dezembro de 2017 o Bitcoin estava valendo US$ 17.549,67. No momento em que escrevo este artigo, caiu para US$ 9.288,00. Quem aplicou no pico perdeu 47%.

Pode até ser que experimente um novo boom e uma nova queda. Mas como pretender que uma moeda que sacoleja dessa maneira seja a substituta ideal para a desvalorização das moedas fiduciárias? Tem sentido?

Não adianta especular que, no futuro, haverá menos volatilidade. Não servirá de consolo para que jogarão sua poupança fora nesse cassino.

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Diz ele:

 “Novas unidades da moeda virtual e o registro das transações são emitidas em um processo inteiramente descentralizado e colaborativo, onde não cabe ingerência governamental, institucional ou empresarial.  O bitcoin defende filosoficamente a soberania dos indivíduos”.

Para que serve a regulação? Para dar confiabilidade aos mercados, assegurar sua solidez, impedir aventuras especulativas irresponsáveis. A crise de 2008 decorreu da desregulação dos mercados, especialmente dos derivativos. Sem nenhuma espécie de regulação, sem nenhum ente responsável pela moeda, de que forma se daria o controle da volatilidade do mercado?

Sobre os fatores de valorização

O Avi Alkalay faz um levantamento interessante sobre os diversos tipos de criptomoedas. Admite que 99% das criptomoedas são bolhas. Mas na hora de discutir seu valor intrínseco, compara as moedas a ações ao portador. São como ações lançadas no mercado pelos criadores do blockchain, sem burocracia e sem regulação das bolsas tradicionais.

Ocorre que são ações que não acompanham a valorização da empresa emissora nem recebe, dividendos. Ou seja, suponha que o criador do Bitcoin decida vender seu sistema para a Goldman Sachs. Ele vai embolsar sozinho o valor, porque os proprietários de bitcoins não acionistas de fato.

O theolg levanta alguns casos de moedas com lastro, como a petromoeda lançada por Maduro, tendo como lastro a produção de petróleo venezuelano. Pergunto: que contrato garante a conversibilidade dessas moedas? Por acaso há um contrato garantindo a conversibilidade da petromoeda em barril de petróleo? Ou o petróleo é apenas um referencial de preço? Se for apenas referencial, trata-se de uma moeda inconversível, isto é, que não pode ser trocada por nada, dependendo apenas de um comprador disposto a adquiria-la. O RMM traz alguns links sobre esse Token Petro.

O JigSawJr argumenta que, ao contrário da Telexfree, mesmo que o Bitcoin caia de valor, continuará existindo e o investidor o manterá em carteira. Conheço uma velhinha que guarda até hoje as ações da Cobrasma. Fora isso, traz um bom levantamento histórico das diversas criptomoedas. E recomenda que ninguém entre nesse mercado como investidor, porque quebrará a cara.

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O Nader Amadeu publicou um extenso artigo sobre esse mundo idealizado do futuro, com as criptomoedas. Nele, sintetiza toda a ideologia por trás da moeda, a de um mundo sem fronteiras e sem governos., com algumas centenas de moedas disputando entre si. Prevê que todo o dinheiro ilegal do mundo será escondido nas criptomoedas e todas as fortunas legais também, para fugir dos impostos.
Seu artigo é de um realismo assustador”

É indisputável que o novo ambiente de diversidade monetária e competição entre as moedas causará muita confusão aos cidadãos despreparados para esses novos tempos. A atribuição de valores tornar-se-á difícil e incompreensível para muitos. Nesse processo pessoas com maior afinidade a novas tecnologias gozarão de grande vantagem competitiva ao infortúnio das demais. A resistência por parte da população será apenas gradativamente superada, não obstante ao abrolhar de uma nova geração a adesão será majoritária”.

Vale pelas pirações Juliovernianas e pelas explicações sobre o funcionamento das tecnologias.

O Arbx traz um conjunto de links sobre aspectos internacionais dos blockchains.

O Rogério Maestri acompanhou as cotações dos Bitcoins por um tempo e percebeu o jogo especulativo, com volumes de compra e venda nada claros, concentrando-se apenas nos valores, o que facilita enormemente movimentos especulativos.

Fica faltando a discussão sobre o que seria o novo mundo com moedas descentralizadas.

 

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35 comentários

  1. “Outra coisa: em 11 de

    “Outra coisa: em 11 de dezembro de 2017 o Bitcoin estava valendo US$ 17.549,67. No momento em que escrevo este artigo, caiu para US$ 9.288,00. Quem aplicou no pico perdeu 47%.”

     

      Em 16.12.2017 chegou a US$19.343,04. E se estava em US$9.288,00 quando você escreveu o artigo, no momento em que comento o artigo já está em US$8.823,40. Realmente é um ótimo meio de “reserva de valor”.

      Gostaria de ver o que tem a dizer agora o pessoal que, em dezembro, ridicularizava os “não crentes” e já projetava uma aposentadoria baseada na valorização eterna da (do?) Bitcoin.

      

      

          • US$7.868,15

              Agora já está em US$7.868,15. Uau, que bela maneira de reservar valor.

              Creio ter sido em parte uma coincidência, mas o Nassif mandou o “fuja” na última hora. Feliz de quem aceitou o conselho.

          • Inocentes úteis

            Fico impressionado com a inocência de certos comentaristas que não tem mais idade pra isso. Vocês acham coincidência que numa queda fenomenal dessas, o Nassif faz uma série de artigos sem pé nem cabeça, nítidos clickbaits? Nem passou pela cabeça que essa ORDEM de fugir e vender tudo pode impactar os preços nesse momento né? Justamente o especialista em efeito manada?

            Acham que o Nassif é servidor público? Acham que aqui é o convento das carmelitas? Comentaristas polianas que estão aqui a 10 anos e não entenderam nada. Acham que o Nassif não precisa de grana nem nada? Numa tacada abraçou a FEBRABAN e ao mesmo tempo vai comprar BTC bem baratinho. A previsão desse ano é chegar a US100k. Gênio ele. Estou adorando essa série de artigos, o preço tá caindo e eu testou torçendo.

            Nassif, taca mais uns 4 artigos chamando de bolha, pirâmide, extorsão, golpe, etc pf. Vlw mesmo!!!!!

             

            Abs,

             

            Tio_Zé

             

          • Tio Zé, além de desaforado e caluniador és burro.

            Achas que a Febraban teria capacidade de influenciar o mercado internacional de criptomoedas?

            Ou seja, és um caluniador e acima de tudo um BURRO.

            Se isto aqui fosse o NYT, talvez, mas estamos no GGN onde até a tua opinião é publicada!

          • Eu tinha dúvidas

            Se você era só um velho mal informado, mas agora tenho certeza. De cryptos não entende nada, e menos ainda de interpretação de textos. E na vdd, me acusou mas não provou. Deve ser coisa de gaúcho, a galera lá do TRF4 também é limitada como tu.

            Mas vou ajudar:

            “Achas que a Febraban teria capacidade de influenciar o mercado internacional de criptomoedas?”

            A Febraban não influenciaria nada porque ela é só uma federação, um sindicato de bancos. Os bancos que ela representa não só podem, como esse é o maior perigo das cryptos. Se tu souber alguma coisa de matemática ainda, vai notar que o mercado de cryptos é muito pequeno em volume de transações comparado com o mercado de ações. Então, um grande player pode sim manipular e influenciar esse mercado. Aliás, talvez seja isso que acontece no momento. Embora os bancos estão acostumados a fazer isso sendo donos da mesa do cassino como aquele lixo chamado BIC – que você, o Nassif e a Febraban acham que é o convento carmelita e que a NSA não invade lá.

            Mas na verdade o que eu disse no texto que o sr não conseguiu ler, interpretar e entender é que o texto fez a alegria dos membros da Febraban. Recentemente o Santander TENTOU fechar a conta de uma exchange brasileira. Durou 2 dias a tentativa pois os clientes ameaçaram sair do banco.

            “Ou seja, és um caluniador e acima de tudo um BURRO.”

            Achava que o advogado do Nassif era o Percival e não o RDMaestri. Devo ter me enganado. Mas é muito óbvio que num momento de queda de preço como agora, é hora de COMPRAR e não de vender. Só o sr, que não entende nada de ….. nada, acha que é um ótimo conselho VENDER como o que o Nassif deu.

            “Se isto aqui fosse o NYT, talvez, mas estamos no GGN onde até a tua opinião é publicada!”
            Falou o trouxa que foi pra geladeira e só voltou quando a análise combinou com a do Nassif. Ele, que de trouxa não tem nada viu o cavalo encilhado e montou no Maestri.

            Ei, como eu disse: continuem assim. Estou doido pra comprar mais. Continuem o bom trabalho.

            VENDAM TUDO, URGENTE, PELAMORDEDEUS PRA ONTEM!!! KKKKKKKK

             

            Att

             

            Tio_Zé

          •   “Ei, como eu disse:

              “Ei, como eu disse: continuem assim. Estou doido pra comprar mais. Continuem o bom trabalho.”

             

              Eis que está explicada sua baba no canto da boca. Chegar a US$100.000… KKKKKK!!! Claaaaro.

              Ei, Nassif, começa a se controlar. Seu blog provocou a derrubada das Bitcoins do Tio Zé! Escreva contra o Trump que até abril ele cai, você tá com tudo! Se derrubou até uma moeda super modeeeeerna que usa o sistema blockchain blablabla e é o apíce da civilização humana…

    • Pura especulação

      Imaginemos que um aplicador comprou 1.000 (mil) bit coins a US$ 1,00/bitcoin (em 2011),GASTANDO MIL DOLARES!

      Hoje, mesmo NO VALOR MENOR,  em baixa ele teria 1.000 X US$ 13.078 = US$ 13.078.000 (treze milhões e setenta e oito mil dolares) ?

      E HÁ ALGUEM QUE NÃO IMAGINE QUE ISTO É UMA PIRÂMIDE?????

      SOMENTE GANHARAM OS QUE COMPRARAM NO INICIO E OS DEMAIS ESTÃO PAGANDO O LUCRO ENORME DOS CRIADORES DESTAS COISAS!!! ISTO CHAMA-SE PIRÂMIDE!!!

       

      • É pior do que algumas pirâmides.

        Um herbalife da vida deixa pelo menos o sujeito com um monte de porqueiras que podes com o tempo vendê-las e recuperar um pouco o capital, as criptomoedas ficas com bites!

  2. Não encontrei na análise o

    Não encontrei na análise o papel dos tokens de ETH (ou de outras cripto) no financiamento de start-ups de tecnologia. Obviamente tem muita picaretagem no meio, mas pode ser um mecanismo sério de financiamento de novas idéias.

    Como investimento, parece fazer mais sentido do que simplesmente ‘comprar bitcoin’. Desde que, é claro, algumas dessas empresas sejam um sucesso.

  3. ouro

    Se você lava a terra aurífera você obtém ouro. Ouro é produto cujo valor é respeitado desde os prmórdios. Tem uso prático e valor intrinseco. No mundo todo. (Até os E.Ts. o reconhecem! ) Eis o motivo pelo qual vale a pena se esforçar para obter ouro.

    Mineração cibernética…Qual é o sentido de se envolver um mundo de equipamento e de energia elétrica para obter um registro que você tem uma moeda virtual? Ao contrário, é contraproducente. Gasta recursos escassos e caros em moeda real para produzir…vento? para isso é melhor o bom e velho ventilador.

    O dinheiro vale porque tem um garantidor. Quando esse garantidor fraqueja o seu dinheiro vale menos. Quem é o garantidor da nova moeda telúrica?

  4. EUA e banqueiros tentam liquidas com as criptomoedas

    O ataque atual às criptomoedas tem dois grandes interessados, os EUA por não terem como sancionar países possuidores desse tipo de moeda e aos banqueiros que perdem a razão de existir se as criptomoedas se expandir.

  5. Nassif,
     
    A questão da

    Nassif,

     

    A questão da suposta segurança das operações ignora um outro lado preocupante, até aqui ignorado nos ótimos artigos seus sobre o tema, que é a segurança do usuário, partindo do princípio que a cryptomoeda vire moeda corrente de fato. No momento que se tem um sistema descentralizado e desregulado, no caso de fraude (roubo, etc) em cima do usuário final, se torna praticamente inviável reverter a operação, pois o sistema dificulta consideralvemente o rastreamento e a devolução da cryptomoeda, já que não se sabe de quem é cada conta do sistema da cryptomoeda em questão (teoricamente ainda poderiam rastrear a invasão em si, pois esse ponto segue inalterado).  A tão falada segurança não impede, e não há como garantir mesmo, que um hacker invada o computador de um usuário e com o controle daquela máquina, transfira os recursos para a carteira digital de terceiros, pois pra todos efeitos, é uma operação válida de transferência de recursos. O que acaba facilitando que esse dinheiro desviado se perca no sistema e não seja mais visto pelo dono de fato.

    Agora, no sistema tradicional financeiro, garantido e regulado por instituições bancárias e Estado, existem formas de se enfrentar fraudes e evitar prejuízo para o usuário comum, que normalmente é leigo (demais). Meses atrás tive um cartão clonado (possivelmente num estabelecimento físico considerando todo o contexto e avaliação da situação) e entrou uma compra de um Notebook de 4 mil (alertada via SMS do banco), apesar do incômodo e stress, foi possível resolver o caso em poucos dias sem nenhum prejuízo financeiro, a compra nem chegou a entrar na fatura. Algo similar no contexto da lógica maravilhosa do admirável mundo novo das cryptomoedas seria azar meu por não ter cuidado adequadamente da minha própria segurança.

    Vale também lembrar, como alerta, o que foi o incidente com a bolsa de Mt. Gox que, na época (2014), era a maior bolsa de transações de bitcoin no mundo. Basicamente 850 mil bitcoins (mais de 8 bilhões de dólares pela cotação atual) foram simplesmente “perdidos”, provavelmente roubados em sua maioria, e até hoje não se sabe quem realmente fez isso, pois só acharam 200 mil depois, que estavam em outra carteira digital da “bolsa”. O resto, desapareceu no sistema seguro e moderno representado pelo bitcoin.

  6. Salve-se do capitalismo enquanto eh tempo
    As cripto-moedas estao na ordem do dia da imprensa. Na GGN, apenas nos últimos dez dias, o assunto foi pautado, que eu saiba, pelo menos 5 vezes. Hoje mesmo, já são quatro matérias nesse sentido. De acordo com o próprio Luz Nassif, referindo-se ao seu texto recente sobre as “moedas escondidas”, o tema provoca uma enorme discussão.

    As investigações históricas de Laum até Le Goff, citadas por Robert Kurz (“Dinheiro sem valor – Linhas gerais para a transformação da crítica da economia política, 20. O sacrifício e o regresso perverso do arcaico”), contextualizadas pelo autor, “ignoradas tanto pela chamada ciência económica como pelo marxismo, e que também nas ciências históricas se mantiveram marginais até à data ”, assim esclareceram sobre a genealogia da moeda (dinheiro):

    “O que era o dinheiro pré-moderno? começou por ser o gelt, o sacrifício aos deuses, que originalmente foi um sacrifício humano. Com este gesto pagava-se uma “culpa” ou, melhor dizendo, cumpria-se um “dever” para que o Sol voltasse a nascer todos os dias, para ser possível a alimentação no “processo de metabolismo com a natureza” (Marx), talvez para afastar ou atenuar as desgraças e os golpes do destino, etc. Esta “objetualidade do sacrifício” simbólica, mas necessariamente material, percorreu, em primeiro lugar, um espectro histórico de metamorfoses, de substituições. Mas não substituições de Deus, como Bolz opina e Benjamin poderia dar a entender, mas substituições da própria vítima: desde os seres humanos jovens de uma rara excelência ou especial beleza, passando pelo gado bovino ou cavalar e outros animais sacrificiais, substituídos posteriormente pelas representações simbólico-materiais desses animais na forma de bolos ou hóstias, até ao metal precioso e à moeda cunhada. A estrutura deste “dever sacrificial” foi, em seguida, transferida sob múltiplas formas para as inter-relações sociais das pessoas, mas com isso não foi de modo algum “secularizada”; pelo contrário, a relação social (imanente) foi derivada da relação (transcendente) com Deus e constituída como estrutura complexa de “deveres” tanto pessoais como institucionais, de acordo com o exemplo da objetualidade do sacrifício. Isto não tinha nada a ver com uma economia ou um modo de produção no sentido do “trabalho abstracto” e das relações de valor.

    Ora, em que consiste o salto qualitativo no estatuto do dinheiro que, sob a forma de um processo, se desenvolveu desde a chamada protomodernidade com base nas condições da crise religiosa e da revolução militar? O aspecto fulcral profundamente irracional ou até “insano” consiste no facto de a velha objectualidade do sacrifício, por esse reacoplamento a si própria se ter transformado num movimento de fim-em-si abstracto e, justamente, se ter substituído assim ao poder transcendente. O sacrificado ao mundo dos deuses transformou-se ele próprio em quase-deus. Do ponto de vista de qualquer religião, só podemos estar aqui perante uma enorme blasfémia. Mas a religião não era nenhum mero sistema de crenças, mas uma relação de reprodução transcendentemente ancorada no “processo de metabolismo com a natureza” e nas relações sociais. Na medida em que se convertia num fim-em-si terreno em processo, a objectualidade do sacrifício era desvinculada da referência à transcendência divina e gradualmente, com ela, também a totalidade da reprodução. O que restou foi a expressão material da objectualidade do sacrifício que, afinal, já alcançara a forma de moeda ainda no seu antigo sistema de referência.”

    Os artigos recentes e seus comentários, todos ricos em informações e algumas especulações divergentes sobre as moedas-escondidas, permitem confirmar que o assunto está longe de se constituir em um consenso.

    Ou muito me engano em meu empirismo ou a unanimidade desses artigos comungaram pelo menos no ponto comum, mais ou menos “escondido”, de que o capitalismo é o destino natural do homem e assim seguirá, “ad eternum”.

    Ao que tudo indica, portanto, as moedas-escondidas teriam chegado para executar o moto-contínuo de sua reinação sobe a terra, quer se goste ou não delas.

    Desses artigos, o que mais chamou minha atenção, particularmente, foi o do Nader Amadeu, “Como chegaremos à idade das trevas em uma geração”. Especificamente, a passagem em que o autor antevê as consequências distópicas do “anarcocapitalismo”, termo, aliás, não utilizado na matéria em apreço.

    Anarcocapitalismo, ou capitalismo sem Estado, é a consequência óbvia do capitalismo que, valendo-se em larga escala da capacidade tecnológica – cripotgrafia, a exemplo do “Blockchain” – de esconder “não só todo nosso dinheiro mas também uma inúmera gama de ativos (ações, bens, imóveis, títulos de propriedade, registros, documentos e dados pessoais)” (Nader Amadeu), leva o Estado da asfixia ao encolhimento e, “in extremis”, à extinção. Isso porque tais ativos escondidos têm a capacidade de serem transacionados pelos proprietários, produtores, prestadores e consumidores sem intermediações. A rigor, necessitariam apenas de uma rede mundial de computadores, seja ela qual for no futuro. Assim o Estado, por meio das instituições que regula – bancos, notadamente – se vê tolhido da possibilidade de aferimento das trocas de titularidade de ativos e consequente da cobrança dos impostos que incidem sobre essas trocas.

    Os elementos fortes que creio haverem sido desconsiderados nas previsões apocalípticas do Nader Amadeu, assim como também desconsiderei de forma muito mais tosca em comentário igualmente apocalíptico anteriormente postado sobre o assunto, foram dois.

    O primeiro diz respeito ao fato de que, na sociedade de mercado, o único e último LASTRO de qualquer moeda, o único meio de geração de valor real é o trabalho humano. Isso é elementar, apesar de constatar cada vez mais esquecido. Esse LASTRO se dá pela apropriação, por parte do capitalista, da mais valia que expropria do trabalhador.

    Antes comentar mais sobre este “primeiro ponto”, contudo, peço licença ao leitor paciente para a reprodução ilustrativa, a seguir, da única passagem (fragmento) de Karl Marx, na qual ele fala sobre o fato de o uso das máquinas representarem uma contradição insanável do capitalismo, condutora, portanto de seu fim e propiciadora de sua superação. Tal fragmento sobre as máquinas o que pode ser estendido, sem maiores reparos, ao atual estágio de desenvolvimento tecnológico da informática e sua congênere, a robótica, aplicados ao trabalho, realidade histórica contemporânea evidentemente inexistente ao tempo de Marx:

    “A troca do trabalho vivo pelo trabalho objectivado, quer dizer, a manifestação do trabalho social sob a forma antagónica do capital e do trabalho, é o último desenvolvimento da relação do valor e da produção baseada no valor. O pressuposto desta relação é – e continua sendo – que a massa de tempo de trabalho imediato, a quantidade de trabalho utilizada, representa o fator decisivo da produção de riquezas. Ora, à medida que se desenvolve a grande indústria, a criação de riquezas depende cada vez menos do tempo de trabalho e da quantidade de trabalho utilizada, e cada vez mais do poder dos agentes mecânicos postos em movimento durante a duração do trabalho. A enorme eficiência destes agentes, por sua vez, não tem qualquer relação com o tempo de trabalho imediato que custa a sua produção. Depende, antes, do nível geral da ciência e do progresso da tecnologia, ou da aplicação dessa ciência à produção. (O desenvolvimento das ciências – entre as quais as da natureza, bem como todas as outras – é, certamente, função do desenvolvimento da produção material). A agricultura, por exemplo, torna-se uma simples aplicação da ciência do metabolismo material e o modo mais vantajoso da sua regulação para o conjunto do corpo social. A riqueza social manifesta-se mais – e isto revela-o a grande indústria – na enorme desproporção entre o tempo de trabalho utilizado e o seu produto, assim como na desproporção qualitativa entre o trabalho, reduzido a uma pura abstração, e o poder do processo de produção que ele controla. O trabalho já não surge tanto como uma parte constitutiva do processo de produção; ao invés, o homem comporta-se mais como um vigilante e um regulador face ao processo de produção. (Isto é válido não só para a maquinaria, como também para a combinação das atividades humanas e o desenvolvimento do intercâmbio humano). O trabalhador não mais introduz a matéria natural modificada (em ferramenta) como intermediário entre si e a matéria; antes introduz o processo natural – transformado num processo industrial – como intermediário entre si e toda a natureza inorgânica, dominando-a. Ele próprio coloca-se ao lado do processo de produção, em vez de ser o seu agente principal. Com esta transformação, não é o tempo de trabalho realizado, nem o trabalho imediato efetuado pelo homem, que surgem como o fundamento principal da produção de riqueza; é, sim, a apropriação do seu poder produtivo geral, do seu entendimento da natureza e da sua faculdade de a dominar, graças à sua existência como corpo social; numa palavra, é o desenvolvimento do indivíduo social que aparece como a pedra angular da produção e da riqueza. O roubo do tempo de trabalho de outrem sobre o qual assenta a riqueza atual surge como uma base miserável relativamente à base nova, criada e desenvolvida pela própria grande indústria. Logo que o trabalho, na sua forma imediata, deixe de ser a fonte principal da riqueza, o tempo de trabalho deixa e deve deixar de ser a sua medida, e o valor de troca deixa portanto de ser a medida do valor de uso. O trabalho excedente das grandes massas deixa de ser a condição do desenvolvimento da riqueza geral, tal como o não-trabalho de alguns poucos, deixa de ser a condição do desenvolvimento dos poderes gerais do cérebro humano. Por essa razão, desmorona-se a produção baseada no valor de troca, e o processo de produção material imediato acha-se despojado da sua forma mesquinha, miserável e antagônica, ocorrendo então o livre desenvolvimento das individualidades. E assim, não mais a redução do tempo de trabalho necessário para produzir trabalho excedente, mas antes a redução geral do trabalho necessário da sociedade a um mínimo, correspondendo isso a um desenvolvimento artístico, científico, etc. dos indivíduos no tempo finalmente tornado livre, e graças aos meios criados, para todos. O capital é em si mesmo uma contradição em processo, [pelo fato de] que tende a reduzir o tempo de trabalho a um mínimo, enquanto, por outro lado, coloca o tempo de trabalho como a única medida e fonte de riqueza. Assim que, diminui o tempo de trabalho na forma necessária para aumentá-lo na sua forma excedente; coloca portanto, o trabalho excedente, em medida crescente, como uma condição – questão de vida ou de morte – para o necessário. Por um lado, o capital convoca todos os poderes da ciência e da natureza, assim como da cooperação social e intercâmbio social, com o fim de tornar a criação de riqueza independente (em termos relativos) do tempo de trabalho empregado nela. Por outro lado, o capital necessita de utilizar o tempo de trabalho como unidade de medida das gigantescas forças sociais entretanto criadas desta maneira, e para as confinar dentro dos limites requeridos para manter o valor já criado como valor. As forças de produção e as relações sociais – dois aspectos diferentes do desenvolvimento do indivíduo social – aparecem ao capital como meros meios, e não são para ele mais que meios para produzir apoiando-se na sua base limitada. Na verdade, contudo, elas são as condições materiais para rebentar com essas mesmas bases. “Uma nação é verdadeiramente rica quando em vez de 12 horas se trabalha apenas 6. Riqueza não é dispor de tempo de trabalho excedente” (riqueza efetiva), “mas de tempo disponível, para além do usado na produção imediata, para cada indivíduo e para toda a sociedade”. [The Source and Remedy, etc., 1821, p.6.]

    A natureza não produz máquinas, locomotivas, caminhos-de-ferro, telégrafos, etc. Estes são produtos da indústria humana; materiais naturais transformados em órgãos da vontade humana sobre a natureza, ou da participação humana na natureza. Eles são órgãos do cérebro humano, criados pela mão humana; o poder do conhecimento objetivado. O desenvolvimento do capital fixo indica até que ponto o conhecimento social geral se tornou uma força produtiva imediata, e, portanto, até que ponto, as condições do processo da própria vida social está sob o controlo do intelecto geral e foi transformado de acordo com ele. Até que ponto as forças produtivas sociais foram produzidas, não só sob a forma de conhecimento, mas também como órgãos imediatos da prática social, do processo vital real.”

    A atual inflação das moedas fiduciárias ou “fiat”, reflete o adiantamento, por parte da economia de mercado, de valores reais a serem supostamente apropriados sob a forma de mais valia do trabalho humano futuro a prazos estratosféricos, cada vez mais próximos do infinito sob a forma de crédito.

    Ao mesmo tempo, isso embute e reflete a incapacidade crescente do mercado poupador de mão de obra de gerar valores reais. Mesmo em um país atrasado como o Brasil, vivemos em um mundo no qual o trabalhador, gerador de mais valia e consumidor, substituído pelas máquinas (informática, robótica), vai se tornando, de maneira crescente, cada vez mais obsoleto, sendo por isso inevitavelmente descartado pela própria economia de mercado que engendra a inutilidade do trabalho.

    Portanto e retomando o fio da meada, o primeiro ponto que creio haver sido desconsiderado por Nader Amadeu é o fato de que a ampliação do uso da estratégia dos ativos-escondidos pela economia de mercado é incapaz de deter o avanço das contradições que conduzem ao fim do capitalismo.

    Isso merece ser aprofundado, admito. Contudo, creio que tudo leva a crer que o fenômemo em si dos ativos-escondidos aponta em direção oposta aos meros “novos caminhos” para a “eterna” sociedade de mercado. Ao contrario, é mesmo um sintoma de seu fim.

    Isso porque, ao supostamente substituir a força de trabalho humano pelo “quantum” da energia despendida para o acoplamento de valor às moedas escondidas, de acordo com os pressupostos da economia de mercado, que a criptografia aplicada não pretende substituir mas sim potencializar, anula assim qualquer possibilidade de LASTRO para tais moedas.

    Em última instancia, inflacionado ou não, fiduciária ou não, talvez seja preciso repetir até a exaustão para que os “esquerdistas” seduzidos pelo sujeito automático do capitalismo compreendam, o verdadeiro LASTRO do dinheiro é o trabalho morto – mais valia do trabalho apropriado no passado – que ele escamoteia. Portanto, jamais a “energia” será capaz de substituir tal premissa básica do capitalismo, o fundamento em si do tal “mercado”, e jamais as moedas assim geradas terão qualquer valor real em sua composição.

    O segundo ponto entendo como sendo o mais importante, porque condicionado e não determinado em termos de desenvolvimentos históricos lógicos, como o débâcle inevitável do capitalismo devido as suas contradições intrínsecas, como bem previu Marx. Alguém ainda duvida que estamos assistindo ao asselvajamento da sociedade de mercado a olhos vistos?

    Este segundo ponto é o porvir possível.

    Ora, Nader Amadeu não considerou seriamente que, quando o mercado deixar cada vez mais de cumprir suas promessas, no “espaço de uma geração” como diz o titulo de seu artigo, seguirá aumentando a massa de descontentes e não apenas o número de fascistas dispostos a se tornarem milicianos apoiadores de micro-estados, a surgirem feito pipocas feudais como meio de assegurar a opressão dos despojados e a manutenção deles ao largo da catástrofe prenunciada.

    Eis o campo de atuação que cada vez mais se abrirá para movimentos organizados coletivistas, para a atuação política de pensamentos solidários contrapostos à barbárie que se avizinha. É possível imaginar, ainda, o papel relevante que provavelmente passarão a desempenhar os movimentos identitários com bases nacionais residuais, herdeiros dos antigos estados, não mais com escopo competitivo e, portanto reacionário, pois isso, a competição, é inerente à sociedade de mercado com prazo de validade vencido.

    É razoável imaginar que a disputa deixará de ser a de todos contra todos, passando a ser entre fascistas de um lado e massas desvalidas de outro. Não haverá mais a possibilidade factível e objetiva de cooptação de tais contingentes populacionais, cuja superioridade numérica aos fascistas arregimentados pelos “senhores” será avassaladora, pois não haverá o que ser prometido em troca.

    O mais provável, portanto, é que os que ainda se dedicarem à concentração de riquezas e recursos naturais em detrimento da esmagadora maioria sejam expropriados e combatidos. Eles provavelmente fenecerão aniquilados, pois será impossível o monopólio das armas em uma tal perspectiva, no qual os recursos naturais e os meios de produção se encontram espalhados em escala mundial. O conhecimento para a exploração de tais instrumentos e recursos também é um patrimônio humano cada vez mais socializado.

    Face ao longamente exposto, creio ser preciso que as forças progressistas, sobre as quais fatalmente recairão as responsabilidades de uma tal superação, comessem a abrir os olhos e reassumam suas antigas bandeiras históricas.

    O tempo de uma geração passa ligeiro. O comunismo capitalista de estado é história; a social democracia se mostra incapaz de deter a perda crescente de direitos das massas, antes sendo facilmente cooptada pelo mercado. Em um mundo onde o capitalismo chega ao fim, a saída emancipadora talvez seja ANARCOCOMUNISMO.

    Salve-se do capitalismo enquanto é tempo.

  7. “Ou seja, suponha que o

    “Ou seja, suponha que o criador do Bitcoin decida vender seu sistema para a Goldman Sachs. Ele vai embolsar sozinho o valor, porque os proprietários de bitcoins não acionistas de fato.”

    Nassif, não existe esse negócio de ‘criador do Bitcoin vender o seu sistema’…

    Primeiro, ainda não se sabe quem é o criador do Bitcoin (só saberemos quem é quando ele declarar o imposto de renda ou fazer alguma compra nas Casas Bahia, deixando o CPF no cadastro)… Não sabemos se é uma pessoa, um grupo de pessoas ou mesmo a CIA ou NSA…

    Segundo, o sistema é DESCENTRALIZADO. Não existe esse negócio de ‘vender o sistema’. O que o Nakamoto fez foi minerar as primeiras 980.000 bitcoins e pegar para ele/ela, e hoje está bilionário/a com a cotação atual… Ele/ela tem tanto controle do sistema como qualquer pessoa que compre a mesma quantia de bitcoins hoje em dia. Ele não pode simplesmente pegar o sistema e vender para um banco porque o sistema não é dele. O sistema consiste em vários nós (computadores) espalhados pelo mundo, que validam as transações. Inclusive você mesmo pode pegar um computador e transformá-lo em um desses nós validadores. É como baixar um torrent na Internet, você não baixa o arquivo de um site específico (o site não é dono do arquivo), você baixa partes do arquivo de pessoas espalhadas pelo mundo, que possuem cópias do arquivo. Por isso é muito díficil combater a pirataria. Mesmo que exista uma lei local que proiba as pessoas de distribuir o arquivo no Brasil, eu posso baixar de alguém que está na China, que não possui uma lei como essa por exemplo. Não existe um ‘dono do sistema de torrents’…

    O que qualquer banco (aliás, qualquer programador) pode fazer é criar outra criptomoeda. Aliás, temos vários códigos abertos por aí que permitem que qualquer programador crie uma moeda na garagem da sua casa… Mas, como eu disse no outro post, o grande ‘ativo’ do bitcoin é ser a ‘coca-cola das criptomoedas’. Se o Goldman Sachs criar a sua própria moeda, não significa que ela vai fazer tanto sucesso quanto o bitcoin… Poucas pessoas preferem tomar tubaina em vez de coca-cola.

    No mais, vejo que mudou um pouco de postura em relação às criptomoedas, fazendo um post bem menos alarmista que o último (“Salve-se quem puder… O navio está à deriva… Independência ou Morto”)… Nesse artigo tentou esclarecer os leitores que a bolha não é o Bitcoin em si, mas sim o ‘hype’ que foi criado em cima da possibilidade de ficar rico da noite para o dia…

     

    Na minha opinião, inevitalmente as criptomoedas vão engolir mercado financeiro mundial, assim como a tecnologia engoliu a velha mídia e o jornal impresso. Poucos players (a Globo entre eles) souberam se adaptar para sobreviver aos novos tempos…

    Acho que uma boa comparação é a pirataria de filmes e Netflix. Em vez de ficar choramingando que a pirataria causa câncer, a Netflix arregaçou as mangas e ofereceu um modelo de negócio que atendesse aquelas pessoas que clamavam por um ‘sistema moderno’ de distribuição de filmes. Foi pioneira e hoje tem um valor de mercado gigantesco na casa dos $100 bilhões.

    Quem sabe não estamos perto da criação do próximo JP Morgan? Talvez os bancos que tiverem visão e conseguirem resolver o problema especulaçãoXconsumo consigam deixar os grandes para trás.

  8. O truque do dinheiro

    A pergunta de um milhão é: O que é dinheiro?

    Heródoto, depois de entender, escreveu de forma obliqua no Logos Babylônico a resposta.

    Na minha singela opinião, o que confunde as pessoas, mesmo os pseudos intelectuais que usam o texto do Marx sem realmente entendê-lo é de uma ingenuidade única, um truque simples, mas que vem sendo aperfeiçoado a centenas de milhares de anos.

    Ou seja, como eu gosto, simples e elegante.

    Mas o feito mais impressionante, pelo menos para mim, é quando um “ser humano” , lá dos tempos imemoriais, faz a ultrapassagem mental do processo de controle dos humanos, entendendo o valor do sacrifício  da satisfação sexual instantânea e trasmutando-a em uma sexualidade economicamente produtiva para o grupo, e depois consegue transmitir este novo conhecimento para seus pares. Muita especulação existe sobre este feito, enteogenos é uma das mais plausíveis.

    De todo jeito, dai em diante a civlização humana, como a conhecemos hoje, passou a tomar forma, a Biblia é muito posterior, mas a passagem de Jesus dando sarrafada nos vendilhões do Templo fala por sí só.

    Assim, de forma rápida e singela, vemos por uma sublimação da sexualidade animal em uma sexualidade economicamente regulada, o começo da civilização e a dissiminação desta idéia representada pelo dinheiro.

    Logo, o lastro material é só para evitar uma falsificação muito simples, mas não têm nada a ver com o valor do dinheiro em sí, nem o trabalho e por mais estranho que pareça a desmaterialização já estava prevista desde o momento inicial.

    A moeda virtual só necessita para valer que se comprometa com esta sexualidade economicamente produtiva na sociedade.

    Dai o desespero da Banca Mundial, pois seu segredo foi colocado abaixo. O monopólio da emissão da moeda é a rede de segurança deles, sem este monopólio ficam a mercê do mercado e este escolhe com sabedoria sempre.

    Não existe mais segredo sobre isto, venho discutindo este assunto publicamente há mais de 12 anos, aqui no Nassif, ninguém aguenta mais eu falar do Logos Babylônico e, para surpresa de alguns, apesar de haverem poucas respostas a meus comentários, os que entendiam do assunto não deixaram de perceber as mudanças de paradigmas que se avizinham e contra-argumentarem.

    O dinheiro virtual eletrônico veio para ficar, suas vantagens são inelutáveis, o mundo mudou.

     

     

     

  9. Telexfree
    O primeiro blog de esquerda que eu conheci foi o GGN, através do famoso artigo da Telexfree. Acho muito importante tratar de assuntos de interesse geral, isso trás mais leitores para o blog. Parabéns pelo trabalho de pesquisa sobre criptomoedas.

  10. “Tá bom, não há almoço

    “Tá bom, não há almoço grátis. Pago em bitcoins.”

    Bitcoin é uma moeda que só usa quem tem computador. Tem um monte de gente que não tem computador mas que ainda assim trabalha, produz, vende e compra.

    • “Bitcoin é uma moeda que só

      “Bitcoin é uma moeda que só usa quem tem computador. Tem um monte de gente que não tem computador mas que ainda assim trabalha, produz, vende e compra.”

       

      Uber é um meio de transporte que só usa quem tem smartphone. Tem um monte de gente que não tem smartphone mas que ainda assim usa táxis e ônibus.

  11. Bitcoin: a nova corrida do ouro

    Bitcoin: a nova corrida do ouro

    numa reedição da corrida do ouro, é no processo de mineração que o Bitcoin se revela, deixando transparente a vinculação neoliberal de seu projeto, tanto na concepção quanto em sua implementação.

    apesar de ter sido inicialmente apresentado como um processo meritocrático, com oportunidades iguais sendo melhores aproveitadas pelo maior desempenho individual, a mineração de bicoins exige cada vez mais um caro e dedicado hardware, em virtude da alta competitividade entre os diversos mineradores.

    a própria base territorial de localização da mineração se torna uma vantagem comparativa. em climas frios por proporcionar menor gasto de energia empregado na refrigeração do hardware, cujo aquecimento ocorre por um contínuo e intenso processamento de cálculos complexos. em regiões de menor taxação de consumo de energia elétrica, por reduzir o custo de um insumo básico para a produção de bitcoins.

    progressivamente se inviabilizou a participação individual, alijando usuários comuns e domésticos da mineração, sendo atualmente uma atividade dominada por grandes empresas.

    as maiores empresas de mineração de bitcoins estão hoje baseadas na China, concentrando cerca de 81% da taxa global de processamento de hashs. apenas as 4 maiores empresas de mineração são responsáveis por cerca de 60% da produção de novos bitcoins.

    estas empresas podem ter equipamentos localizados em outros países além do qual estão baseadas. formam também vastas redes de mineração (mining pools), oferecendo algumas delas a possibilidade de associação, acompanhada de diversos tipos de remuneração para mineradores individuais. ainda assim, esta associação acaba resultando em ainda maior concentração de poder de processamento para seu proprietário.

    .

  12. Lastro?
    O LASTRO do dinheiro eh o trabalho morto apropriado pelo capitalista atraves da expropriacao da mais valia do trabalhador humano. Isso eh a unica coisa capaz de produzir valor real pelas forcas de mercado. Qualquer coisa que nao se enquadre nisso pode ser considerado tudo, menos dinheiro.

  13. Datacurrencies: seu dado é a moeda!

    Estamos no início de uma batalha entre prestação de serviços por meio de CPU’s controladas por uma empresa ou governo (sistema centralizado) ou por CPU’s distribuídas controladas por um algoritmo (token, “moeda” virtual) (sistema distribuído)(Peer-to peer).

    No serviço centralizado, por exemplo, as pessoas compram “facebookcoin” quando elas trocam seus dados e dados de seus relacionamentos e obtém um endereço na rede social de serviços chamada facebook, que oferece pra elas likes, videos, textos etc. Ou seja o consumidor compra facebookcoin, instagramcoin com seus dados, o ativo q tem mais valor na vida dele. Essas redes sociais de serviços são centralizados – é uma CPU gerenciada por uma empresa. A emissão de “facebookcoin” reflete nas ações do facebook na bolsa.

    As empresas q prestam serviços centralizados (os bancos e empresas de tecnologia) perceberam a situação de guerra e criaram seus blockchain’s privados controlados por essas empresas.

    Mas as pessoas usariam no futuro um blockchain público (sistemas distribuídos) (semelhante à internet) ou blockchain privado (semelhante à intranet) para suas atividades no seu dia-a-dia?

    Paul Brody da Ernest Young aborda esse tema:

    https://www.coindesk.com/public-blockchains-lure-will-become-irresistible-enterprises-2018/

    É mais confiável, barato etc contratar prestação de serviços de armazenamento em “nuvens” a uma empresa (sistema centralizado) ou por meio de token (“moeda” virtual)? Na  primeira, os arquivos serão alocados em uma CPU ou CPU’s gerenciadas por uma empresa, na outra os arquivos picados em diversos pacotes distribuídos em CPU’s pelo mundo gerenciado por um algoritmo. E nessa última “prestadora de serviço” o consumidor também pode ser uma prestador de serviço ofertando sua CPU para a rede e angariar token’s (“moeda” virtual).

    Em relação aos sistemas distribuídos, o indivíduo compra “moeda” virtual, um endereço na rede, normalmente com moeda fiat e toda vez que ele usa a rede social de serviços ele gasta parte do valor contido nesse endereço. Por isso que alguns fazem analogia desse tokenização à ficha de fliperama, ficha de quermesse, voucher etc.

    Um bom texto sobre a tokenização da economia encontra-se em

    https://blog.neufund.org/economics-of-entangled-tokens-9fc5b084e2d2

    Por meio dessa tokenização turbinado com smart contracts pode haver substituição de legisladores pois essa tecnologia possibilita votação direta pelos cidadãos. (é bom ou ruim?).

    O Estado ou organizações podem criar um bolsafamiliacoin/fundebcoin/transferenciavoluntariacoin/doaçãocoin em que nela mesma se controla tudo.

    A ONU já testa isso:

    https://www.coindesk.com/united-nations-sends-aid-to-10000-syrian-refugees-using-ethereum-blockchain/

    Portanto, eis a questão: dados controlados por uma empresa ou um algoritmo?

    Mas, para por mais lenha, acho que uma boa discussão seria sobre a governança corporativa dos citados algoritmos (esse um dos maiores problemas das “moedas virtuais”) e a tecnologia subjacente às cryptokitties (NFe + “moeda” virtual). 

  14. Caro Nassif
    Que voce me perdoe, assim como nosso Santo Antoninhomarmo, mas parece que toda essa discussao estah girando em torno do nada de uma mera abstracao e aqui passo a repetir o teor de um comentario cuja essencia todos parecem estar fugindo ateh o momento:

    Infelizmente, nao vi nenhum “entendido” em “cripto-moedas”, nem o Nassif, nem alguns economistas, que entendesse realmente sobre o que significa “valor real” no sistema capitalista pois esse eh o ponto fulcral de toda essa discussao.

    O fato de o que chamam de cripto-moedas possuir “valor de troca” atribuido pelo mercado nao significa que tais registros criptografados possam sequer ser chamados de moedas.

    MOEDAS sao a objetificacao do trabalho morto – preterito – que ja foi apropriado pelo capitalista sob a forma de lucro no processo de trabalho que gerou alguma riqueza.

    Se, hipoteticamente e em termos grosseiros, todo o dinheiro do mundo fosse somado, isso corresponderia ah toda a riqueza (ativos imobiliarios, bens e mercadorias) que ja foi gerada pelo trabalho, sua depreciacao (desvalorizacao) e aquela parte adiantada (credito) pelo que se imagina serah trabalhado no futuro e gerarah lucros a serem apropriados sob a forma de mais valia.

    Onde as “cripto-moedas” entram nesse jogo que nao eh mera invencao, pois isso ai de cima EH A BASE DE FUNCIONAMENTO DO CAPITALISMO que os aficionados das cripto-moedas ignoram solenemente em seu “vanguardismo” tecnologico mal informado?

    Entao as cripto-moedas podem ser chamadas de tudo menos de MOEDAS, enquanto existirem as verdadeiras moedas, sejam elas emitidas nas casas da moeda da vida ou nos bancos eletronicamente.

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