Manual do perfeito midiota – 22, por Luciano Martins Costa

Limpando todo o lixo publicado pela mídia hegemônica, o que temos é apenas o seguinte: o presidente da Câmara, que conduziu a votação do impeachment, tem o mandato suspenso pelo STF

do Brasileiros

Manual do perfeito midiota – 22

por Luciano Martins Costa

A crise política construída caprichosamente pelas empresas que dominam o setor de comunicação no Brasil chegou a um ponto no qual o cidadão comum, aquele que acredita em tudo que vê, ouve ou lê na mídia tradicional, se sente mais perdido que cachorro em festa de São João.

A cada momento pode estourar um rojão, a todo tempo pode haver um buscapé voando a meia altura.

Você, que acompanhou atentamente, e com toda fé, tudo que tem saído no noticiário desde a eleição de 2014, deve estar estranhando que até este ponto não apareceu nenhuma indicação segura de que a presidente da República levada ao Planalto pelo voto da maioria tenha cometido qualquer ilegalidade que justifique a suspensão do seu mandato.

Pelo contrário: entre os juristas indicados pela oposição para recomendar seu impeachment na comissão que discute a questão no Senado Federal, houve quem defendesse o afastamento da chefe do Executivo pelo “conjunto da obra”.

Ora, até o calouro da pior escola de Direito do País sabe que “quod non est in actis non est in mundo”, ou seja, o que não está nos autos não está no mundo. Portanto, o tal jurista estava apenas confirmando que todo esse movimento não ocorre no campo da Justiça, mas no pântano da política mais rasteira.

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E quem é esse jurista? É presidente de um Instituto Internacional de Estudos de Direito do Estado.

Vamos lá olhar o que é essa entidade supostamente global, supostamente independente, supostamente engajada no melhor Direito, e verificamos que é apoiada por nada menos do que o Lide – Grupo de Líderes Empresariais -, iniciativa do empresário João Dória Júnior, candidato a prefeito de São Paulo pelo PSDB, cujo negócio consiste em alisar o ego de gente endinheirada.

Digamos que uma coisa não tenha nada a ver com a outra.

Fiquemos no conceito proposto pelo jurista, segundo o qual, não havendo no processo encaminhado ao Senado nenhum ato ilegal que justifique o afastamento da presidente, seja ela punida “pelo conjunto da obra”.

A quem caberia, e quanto tempo demandaria um julgamento desse tipo?

O que ele chama de “conjunto da obra” é apenas a versão que a imprensa hegemônica vem dando aos atos e declarações da presidente desde que ela foi eleita.

Pois é justamente para evitar esse absurdo jurídico que os julgadores devem se limitar ao que está contido nos autos. O resto não está no mundo, ainda que esteja na mídia. Entendeu?

Agora, vejamos os fatos que se seguiram à aprovação da continuidade do pedido de impeachment pela Câmara dos Deputados. Limpando todo o lixo publicado pela mídia hegemônica, o que temos é apenas o seguinte: o presidente da Câmara, que conduziu essa votação, tem o mandato suspenso pelo Supremo Tribunal Federal.

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Assim sendo, todos os atos oficiais que praticou no cargo de presidente do Legislativo a partir da denúncia que motiva seu afastamento devem ser colocados sob suspeição e, eventualmente, anulados. Inclusive e principalmente o processo do impeachment.

Olha só a confusão em que você se meteu ao apoiar esse golpe travestido de processo legal.

Já ouviu o Bolero, de Ravel? Parece uma boa trilha sonora para o processo desse golpe. É uma melodia uniforme e repetitiva, como o noticiário em que você tanto acredita.

Mas o final pode surpreender.

Para ver e ouvir: Bolero, do francês Maurice Ravel, na interpretação da Concertgebouw Orchestra, de Amsterdã, sob regência de Barry Wordsworth.

**Jornalista, mestre em Comunicação, com formação em gestão de qualidade e liderança e especialização em sustentabilidade. Autor dos livros “O Mal-Estar na Globalização”,”Satie”, “As Razões do Lobo”, “Escrever com Criatividade”, “O Diabo na Mídia” e “Histórias sem Salvaguardas”

Link curto: http://brasileiros.com.br/60EPl

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3 comentários

  1. o midiota tá endoidando

    o midiota tá endoidando porque esse golpe é tão infame que é inédito no mundo…

    e, com misso, acostumado a copiar tudo lá de fora, está perdendo suas referencias

  2. Impeachment, a comédia pastelão para midiotas de plantão

    Toda a trama do impeachment foi criada e alimentada pelos perdedores da eleição que não aceitaram a derrota, inclusive a grande imprensa. Uma grande armação sem nenhum fundamento jurídico. Os imbecis dizem que se trata de um julgamento meramente político, que dizer, eleições indiretas onde o legislativo escolhe se quer trocar ou não o presidente eleito, independente de qualquer razão que justifique esse ato, ou melhor, essa farsa. Dão nó em pingo d´água para justificarem o golpe. Sim, o golpe de Estado disfarçado de impeachment. Cansamos de ser enganados! Fora, demotucanos bandidos canalhas! Fora globo e mídia golpista do PIG!

  3. Nem no Paraguai o golpe foi tão desmoralizado

    É GOLPE! Foi no Paraguai e está sendo no Brasil. Mas o golpe do Brasil, feito por uma quadrilha de criminosos apoiada epla máfia demotucana, é mais desmoralizante do que qualquer outro. O Brasil mostrando a cara do subdesenvolvimento e se passando por uma república de oligarquias de coronéis em pleno século XXI. Brasil se fechou para o mundo, uma vergonha internacional!

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