Nocaute e Conversa Afiada dão adeus. Sites disseminadores de fake news seguem firmes, por Eliara Santana

Duas dessas vozes potentes ontem se calaram. E isso é muito triste. Isso é muito perigoso e deveria nos deixar a todos muito preocupados.

Nocaute e Conversa Afiada dão adeus. Sites disseminadores de fake news seguem firmes

por Eliara Santana

Alguma coisa está muito fora da ordem no Brasil. Totalmente. Ao fim deste primeiro semestre maluco e desconcertante, dois sites entre os poucos no país que faziam o hercúleo trabalho de garantir um acesso plural à informação, simbolicamente “fecham as portas”. “Conversa Afiada” e “Nocaute” encerram suas atividades. Deixam de existir. Deixam de fazer o excelente trabalho que faziam há tanto tempo. Não é fácil fazer jornalismo decente, não é fácil atuar pela informação plural e de qualidade, não é fácil remar contra a maré neste país da desinfodemia.

Neste momento em que mergulhamos num mar revolto de desinformação, não poder mais contar com a criticidade e a palavra arguta do Nocaute e do Conversa Afiada é uma tragédia. Uma grande tragédia, que diz muito de um país que passou a acreditar em mamadeira de piroca e kit gay. Um país que passou a defender um medicamento condenado no mundo inteiro. Um país que duvida da ciência e compra alho pra combater coronavírus.Um país que dá voz e recursos financeiros a grupos disseminadores de fake news.

Na edição de quinta-feira, um Jornal Nacional meio incomodado mostrava o horror das investidas de fake news contra o influencer Felipe Neto. Pois é, em 2018, quando talvez fosse possível deter o monstro, todo mundo fingiu que não viu. O Nocaute, Conversa Afiada, GGN, The Intercept estavam lá na linha de frente gritando pra dizerem que aquilo era um perigo, que aquela máquina de fake news não era só máquina de espalhar boato, como muita gente gostava de dizer.

Duas dessas vozes potentes ontem se calaram. E isso é muito triste. Isso é muito perigoso e deveria nos deixar a todos muito preocupados. Porque os disseminadores de fake news estão aí, firmes e fortes. E cheios de grana.

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