As reivindicações e a infecção que distorce os fatos

Por Anna Dutra

Ref. ao post “Demagogia, o fruto podre do junho de 2013

Há uma contaminação, quase uma infecção, a distorcer a compreensão e visão dos fatos e das situações cotidianas. Os que criticam severamente o Bolsa Família preparam seus filhos para o Ciência sem Fronteiras.

Os que reclamam do Mais Médicos todo mês vão buscar seus remédios subsidiados no Farmácia Popular. Os que defendem o livre mercado, vão aos bancos públicos em busca de subsídios governamentais.

A menção a junho de 2013 me fez lembrar o pessoal “inconformado” com as mazelas governamentais que pediu uma “verbinha” para pagar os cinegrafistas que registravam à época as “manifestações”.

É a mídia exigindo a liberdade de expressão a veicular, seletivamente, o que lhe apraz e a calar, por pressão, quem a esteja ameaçando. E os governos apanhando – em várias situações com razão, é claro!

Mas este mimimi, quando gratuito e baseado em interesses difusos, é prejudicial à construção da cidadania. Acaba virando um “farinha pouca, meu pirão primeiro” ou “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”… Para coroar, delação premiada e domínio do fato. Esgarçamento total…

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Leia também:  “Gosto de manifestação para bater nas pessoas”, disse PM em São Paulo

9 comentários

  1. “Os que criticam severamente

    “Os que criticam severamente o Bolsa Família preparam seus filhos”para a USP num colégio XX Cruz qualquer do alto de Pinheiros. Por que o ENEM não conta para a USP?

    De qualquer forma, é como eu sempre digo, o paulista classe média apóia privatizar tudo que é público e bom, e a estatizar tudo que é ruim e privado.

    • Só não vale para a SABESP,

      Só não vale para a SABESP, que de tão ruim não deverá ser privatizada. Acaba antes.

  2. desfiam-se narrativas

    desfiam-se narrativas inidvidualistas, narcisistas, visceralmente fundamentalistas – pensamento único -,

    o monólogo da insensatez, ferem-se princípios básicos de convivencia…

    revelam-se velhos resquícios de entulhos autoritários – delações

    premiadas com vazamentos espúrios, pms violentas,

    grande mídia coronelística eletronica a manter sua ditadura da

    livre expressão empresarial financerizadora-capitalista selvagem,

    negando a pluralidade essencial da verdadeira liberade de expressão para todos.

    o artigo coloca bem a questão.

    os sociólogos deveriam aprofundar mais esse esgarçamento.

    essa separação entre ricos e pobres vem de há

    quinhentos anos, não é de hoje, evidente.

    aparentemente paradoxal,no entanto, é no momento em que o governo progressista

    implanta uuma política de inclusão social, com sucesso, que surgem

    reações esdrúxulas, espantos incomuns de uma classe que

    é favorecida por esta política de inclusão

    mas ao mesmo tempos reclama, sem consicienciade que está

    beneficiando , com isso, seus adversários que sempre

    defenderam a exclusão, inclusive e principalmente

    destes que reclamam, talvez ingenuamente –

    estes, os apolíticos, formados diuturnamente

    por essa mídia dita golpista, que derroca a política e as instituições, certa de que está acima delas.

     

    • Cada vez me convenço mais de

      Cada vez me convenço mais de que o bom comportamento calcado na “boa formação moral” das pessoas que estão mais raivosas e apresentando uma repulsa por este movimento de ascensão social, os outrora brasileiros cordiais, era na verdade condescendência com os mais pobres, puro paternalismo, dentre os vários atavismos que trazemos resultantes da nossa colonização, da sociedade escravocrata, etc. 

      E que, quando os mais pobres, menos instruídos, à margem começaram a ascender, a exigir direitos e a ser considerados nas políticas públicas, a não mais aceitar o tratamento da Casa Grande, aqueles já acomodados e que estavam satisfeitos, apenas observando, passaram primeiro por um momento de estranhamento, depois de incômodo e por fim, encontraram nas publicações e jornais tradicionais eco para sua insatisfação latente e imediatamente houve um reconhecimento, uma afinidade, uma associação relevante das classes ditas médias com a grande mídia.

      Se nós recapitularmos os últimos 03, 04 anos vamos ver que houve um crescente descontentamento refletido nos discursos e narrativas: “que engarrafamento insuportável, mas claro, agora todo mundo resolveu ter carro”; “imagina, eu chamei a atenção do trocador do ônibus, e ele retrucou; quem ele pensa que é?”; “como assim, cotas?”, “recolher FGTS para a minha ‘secretária’ ?”, “Qual a graça de ir para Miami se na poltrona ao lado da minha posso encontrar o meu porteiro?”, etc. E por aí vai. 

      A análise histórica do fenômeno pode nos dar os instrumentos para entendermos estas manifestações sem o fator emocional: elas refletem a dificuldade da mudança, a aversão à universalidade, o gosto pela diferenciação (claro, se eu me sentir melhor do que o outro!).  Tudo muito humano. 

      No entanto, a mídia tem objetivos claros; não é somente causar um incômodo; a intenção e, até aqui, sucesso, está em formar opinião, fazer emergir estes sentimentos, fazer que o medo prevaleça. Sempre me lembro dos 800 empresários que deixariam o País caso Lula fosse eleito.  Estão por aí, mais ricos do que nunca. 

      E ressalvo, nada, nada absolutamente tenho contra os ricos, os empresários, e os investidores: eles são parte importante da engrenagem para que haja trabalho e a riqueza possa ser gerada.  O problema, a meu ver, é a distribuição e o tanto de exclusão que parcelas da sociedade pretendem manter, à custa de muitos, e em seu próprio benefício.

      Há um post no GGN sobre o Filme O Abutre  (O abutre, por Fábio de Oliveira Ribeiro).  E ele traz um aspecto importantíssimo relacionado a este tema: ganância; ter mais, mais, e mais.  Como os recursos materiais existentes são finitos, quando a distribuição me afeta, eu quero eliminar quem está tomando de mim uma parcela do que eu tinha; a despeito de eu já ter muito mais do que eu realmente necessito.  Uma breve análise das operações da PF nos dá a clara dimensão disto: os personagens tinham dificuldades financeiras ou econômicas? Precisariam subtrair do alheio para sobreviver, ou na verdade, venceu a ganância e a possibilidade de manter um poder a ser perdido quando retirados de cena?

      Por isso defendo políticas públicas com o mínimo, ou nenhuma, personalização ou “casos especiais”.  A convivência humana já traz em si muitos conflitos.  A equanimidade, a distribuição justa e racional, deve mitigá-los ou arrefecê-los.

    • Por ocasião das eleições,

      Por ocasião das eleições, houve alguns ensaios, algumas análises sobre este fenômeno: as mudanças de paradigma, as novas necessidades, as novas demandas que advirão da ascensão social e do crescimento quantitativo mesmo da classe média. Sairemos da expansão para a necessidade de inclusão, e estas demandas já se manifestam em nosso cotidiano. O cuidado que os formadores de cidadania a meu ver deveriam ter é o de investir em esforços de comunicação e de esclarecimento para que este comportamento patrimonialista, tão típico de nossa colonização e de nosso avanço civilizatório, não se multiplique e instale das parcelas da população que estão sendo inseridas. Precisamos construir um ambiente social que possibilite o arrefecimento deste conceito e desta atitude e o fortalecimento das práticas solidárias e de cidadania compartilhada. Os últimos anos tem sido nefastos do ponto de vista das mensagens, subliminares e explícitas, deixadas aos jovens, em todos os setores da vida social.  Parece um retorno ao “comunistas comem criancinhas e invadirão seu apartamento”; o partilhar, o dividir se tornaram quase uma afronta. E há, quem estúpida e irresponsavelmente, alimente isto.

  3. Os que criticam o Bolsa

    Os que criticam o Bolsa Familia….blá, blá, blá

    Os que reclamam do Mais Médico… blá, blá, blá

    Qualquer um, reclamando ou não, paga os mesmos impostos. Ou seja, parece que estão dando de graça…

    Será que se não reinvidicarem o Ciência sem Fronteiras ou o Farmácia Popular, DEIXAMOS DE PAGAR OS IMPOSTOS?

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