Blog Biscoito Fino: “Órbita”, Cd de Ana Clara Horta

 

 

Órbita, por Pedro Luís

Começar a escrever sobre Órbita, primeiro álbum da cantora Ana Clara Horta, me proporciona prazer, logo de saída. E a sensação de boas lembranças de um tempo vindouro. Explico a contradição da frase anterior: a reunião em torno dessa obra de estreia de Ana traz, em seus diversos segmentos, pessoas e amigos – dos quais falarei na devida hora- que já de saída avalizariam e lhe garantiriam o bom resultado, antes mesmo de minha primeira audição. E é essa reunião, somada ao sem dúvida belo disco, que me imprime esta sensação de satisfação, de imaginar que me orgulharei não só de ter escrito sobre ele, como de ter dividido os vocais com ela em uma das canções.
Em sua estreia primorosa, Ana se mostra uma autora de mão cheia, versátil, seja com seus diversos parceiros ou quando única responsável pelas criações. O disco é diverso, mas com unidade. As composições soam contemporâneas, mas com estofo de quem tem audição do melhor do tradicional cancioneiro nacional, tanto no que diz respeito à riqueza melódica quanto ao vigor rítmico.
Começa e acaba bom de ouvir.
Seu encontro com o produtor Mário Moura é daqueles felizes e acertados. Paciência e precisão de ambos foram ingredientes fundamentais para o resultado coerente, competente e extremamente musical, fazendo o amplo espectro dos gêneros soar coeso, afinado. Mário, que é meu amigo de longa data, multi-instrumentista de primeira linha, aqui humildemente abdica de empunhar sua maior especialidade, o contrabaixo. Ele se coloca como tutor do encontro de Ana e suas canções, com um time que reúne músicos de extrema e simples categoria: Igor Araújo, nos baixos e direção musical; Fernando Caneca, nas guitarras e violões; além de Pitito, nas baterias e percussões. Na melhor figura de produtor, Mário fica como sábio técnico indicando como sua equipe vai jogar e, vez por outra, se dá o direito de fazerem soar com as próprias mãos espertos timbres de percussão, afinal ele é um dos mentores e integrantes do combo Monobloco, e conhece do riscado. Essa base sólida e refinada deixa Ana livre para flanar pelas canções. Indo do vigor necessário à suavidade encantadora, Ana parece sempre estar cantando ao pé de nosso ouvido.
Quando se reúne, em todos os setores do processo que um bom disco precisa, pessoas da mais alta competência o resultado é, em geral, um belo acerto.
Ana soube se cercar ainda do extremamente competente Felipe Abreu, na preparação vocal. Mario convocou Renato Alscher para que o registro e a mixagem não deixassem escapar tudo que se anunciava num encontro de possibilidades tão preciso e precioso.
Ana Clara Horta e seu álbum de estreia, Órbita, trazem um belo sopro de qualidade e tornam o universo musical brasileiro ainda mais vasto. Sejam bem-vindos!
Pedro Luís



As canções...

1) Pé Atrás ( Ana Clara Horta e Gabriel Pondé): funk de bela pegada, com pitadas de maracatu, abre o álbum com um vigor que já diz logo que Ana e seu time não vieram a passeio. Além da voz, Ana empunha o violão nessa e em todas as canções.

2) Primavera (Ana Clara Horta e Rodrigo Cascardo) : mais uma canção da verve pop de Ana, que nos leva por uma viagem com sabor de cinema, contando história e nos levando de carona.

3) Órbita – (Ana Clara Horta) : aqui a canção que batiza o álbum se veste de bela toada pra nos levar pra um interior imemorial, ganhando uma atmosfera especial fornecida pela sanfona de seu irmão Kiko Horta.

4) Concha do Mar – (Ana Clara Horta e Gabriel Pondé) : mais uma toada que nos leva pelas viagens de Ana e seu parceiro Gabriel Pondé, mas com sábios respiros de modernidade, com a alfaia fazendo a vez da zabumba, amaciando a sonoridade, como pede o enredo. E Ana confirma mais uma vez que cantar bem também faz parte de seus talentos. Mais uma bela costura da sanfona de Kiko Horta.

5) Pé de Amora – ( Ana Clara Horta ) : nesse bolero Ana nos leva com violão e voz, em duo com o piano de seu irmão Kiko Horta, para um visita às longínquas memórias. Contando-nos, com um leve sorriso, sobre cada página de um bom álbum de retratos, ela traz imagens sinestésicas, nos convidando a recordar um passado alheio, mas que se torna nosso com a canção.

6) Bailarina – (Ana Clara Horta, João Bernardo e Tadeu de Paula) : nessa belíssima canção, a crescente caixa de música nos leva a uma balcão nobre pra apreciar o belo e encantador de um feminino-bailarina. Foi fácil e prazeroso pra mim dividir os vocais com ela nesse faixa.

7) Menina de Leite – (Ana Clara Horta e Miguel Jorge) : Ana nos leva novamente a passear por um interior que pode ser logo ali, dentro de cada um de nós, numa atmosfera que faz lembrar grandes momentos da também cantautora Joni Mitchel, sem deixar nada a dever a esta. Aqui figuram participação vocal de mestre Felipe Abreu e instrumental da sempre bela sanfona de Kiko Horta.

8) Lagrima Negra – (Ana Clara Horta, João Bernardo e Miguel Jorge) : a intérprete nos convida para visitar um interior universal, numa pegada mais movida, rezando preces às delícias do bem viver. Os sutis e preciosos vocais de Felipe Abreu têm a companhia especial das diversas texturas percussivas de Léo Saad, que dão à canção um caminhar especial, nos conduzindo a um agradável galope .

9) Melodrama – (Ana Clara Horta e Gabriel Pondé): esse delicado blues nos transporta para um universo cotidiano, contando com a sabedoria de enxergar um possível fim com leveza, um dia a dia conhecido de todos. Destaque para a categoria da gaita de Flávio Guimarães, especialista neste território

10) Não Há Dúvida – (Ana Clara Horta) : Aqui Ana volta ao sotaque mais pop em suas letra e música, nos levando pra passear pela urbe, vestindo um caminhante que é qualquer e todos. O capítulo ganha vigor com a brilhante intervenção de Serginho Trombone.

11) Culpe Meu Vício – (Ana Clara Horta) : pra concluir seu belo debut, Ana, acompanhada pela simplicidade e categoria do trio básico do disco, confessa vícios. Mas pra mim o que fica é que seu principal vício é compor bem e dizer suas canções de um maneira simples, porém muito especial. E normal, com toda certeza. E isso é muito bom.


Assessoria de Imprensa Biscoito Fino Sidimir Sanches – [email protected] Lívia Bueno – [email protected]


O GLOBO – MÚSICA

MPB com bom verniz pop: Ana Clara Horta estreia em disco com frescor e identidade forte

Plantão | Publicada em 09/11/2010 às 08h40m

Antonio Carlos Miguel

RIO – De novas cantoras e compositoras a música brasileira está cheia, quase transbordando. Mas Ana Clara Horta acredita que ainda há lugar para mais uma e trata de provar isso com um misto de frescor e identidade forte nas 11 faixas de “Órbita”, seu belo disco de estreia, que acaba de sair pela Biscoito Fino.

Musicalmente, sua órbita é a da MPB contemporânea, ou seja, em suas canções (sete delas com diferentes parceiros) ela tem como referência a grande safra de compositores revelada nos festivais dos anos 60. A partir daí transita com inventividade por toadas, maracatus e bossas que dialogam sem pudores com levadas do pop ou do funk.

Esse repertório diversificado e consistente tem em Ana Clara uma segura intérprete que, como bem define Pedro Luís – o líder da Parede, que também participa de um dueto na faixa “Bailarina” -, vai “do vigor necessário à suavidade encantadora, parece sempre estar cantando ao pé do nosso ouvido”.

A cantora também tocou violão em todo o disco, que, produzido por Mário Moura, tem a sonoridade de uma coesa banda, graças aos três instrumentistas – Igor Araújo (baixo e direção musical), Fernando Caneca (guitarras e violões) e Pitito (bateria e percussão) – que participam em dez das 11 faixas. Eventuais convidados adicionam coloridos extras às canções, como Serginho Trombone, que sola no pop funkeado “Não há dúvida”; o acordeonista Kiko Horta, em “Órbita”, “Concha do mar” e “Menina do leite”; e o gaitista Flávio Guimarães, que bota um tempero de blues em “Melodrama”. Bons exemplos que merecem orbitar nos tocadores de CD, MP3 e demais geringonças sonoras.

http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2010/11/08/mpb-com-bom-verniz-p…


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