Quando a teimosia vence, por Aquiles Rique Reis

Apresento-lhes o Trio Teimoso. Em menos de quinze minutos de música, Leonardo Freitas, Guilherme Carvalho e Alexandre Brant se mostram num EP caprichado

Capa do CD do Trio Teimoso. | Imagem: Divulgação

Quando a teimosia vence

por Aquiles Rique Reis*

Somos todos uns teimosos. E, creio, a teimosia vem do amor à música. Os teimosos perseveram. Preconceitos, violência, não há nada que os faça desistir – a teimosia é a força do corajoso.

E por falar nisso, apresento-lhes o Trio Teimoso. Em menos de quinze minutos de música, Leonardo Freitas (piano), Guilherme Carvalho (batera) e Alexandre Brant (contrabaixo) se mostram num EP caprichado.

Eles são de Ribeirão Preto e de lá dispararam um bem-sucedido financiamento coletivo, que culminou com o lançamento de um EP independente (com bela capa concebida em patchwork por Maysa Rizzatti). E lá se foi o trio a acalentar o sonho de tocar o choro para melhor sabê-lo.

Além desse gênero musical, eles convivem com outros próximos a ele. Músicas ajuntadas à sua matéria-prima de fé. Misturadas num liquidificador musical, descobriram o jeito próprio de o Trio Teimoso tocar choro.

O Teimoso tem uma concepção instrumental nada convencional: piano, contrabaixo e batera. Apoiado pelo piano e pela batera, o contrabaixo e seus graves saltam aos ouvidos, numa sonoridade que “engorda” a formação inusual.

Sente-se que os rapazes têm orgulho e prazer pelo som conquistado. Façanha que demonstra, dentre outros tributos, que o choro ainda tem muito a criar e a se reescrever.

Os autores das quatro faixas do EP são do interior paulista. A primeira, “Vai, XV”, é de Rui Kleiner (também diretor musical do EP); a seguir, “Ouro Preto”, de Paula Borghi; a terceira, “Nem Demorou Tanto Assim”, de Alan Silva; e, fechando a tampa, “Troca de Passe”, parceria de Alexandre Peres com Lucas Oliveira.

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A primeira: a intro tem o contrabaixo tocando notas soltas. Logo o piano adere ao baixo e às notas soltas. O tema vem com o piano tocando em acordes, enquanto baixo e batera seguram a levada. Piano e baixo dialogam. Volta o tema, quando o baixo, graças à mixagem de Thiago Monteiro (ele acertou a mão nas mixagens), assume o protagonismo do arranjo (todos eles do Trio Teimoso). Logo vêm os improvisos. Tacet. Apoiada pelo baixo, a batera sola. A melodia é o máximo. O solo vem pro piano. A tampa fecha com um glissando do contrabaixo.

A segunda: o piano, com notas agudas soltas, chega lentamente. Vem o ritmo e com ele o belo choro. O piano sola o tema, o baixo o ampara. O batera tem o pulso firme. A delicadeza é toda graça. O suingue é rei.

A terceira: o samba vem sapeca que só ele. O Teimoso é pura cadência. A segunda parte é esperta como ela só. Piano e baixo se ajuntam e brilham. A uma virada da batera, o tema reacende o fogo. Logo eles vão ao final.

A quarta: a batera abre em ritmo agitado. A melodia é entusiasmante. O Teimoso vai que vai na pegada das baquetas do batera. Piano e baixo brilham. Voltando ao tema, a batera vira com gosto… Meu Deus!

Graças aos atributos do Trio Teimoso, nós, os amantes da música instrumental, podemos desfrutar de um trabalho que eleva a música tocada ao pódio da exuberância.

E viva a teimosice, a seiva do ser bem-sucedido.

*Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

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