A evolução do golpe, tentando manter a coerência da análise da política brasileira nos últimos três anos.

Tentando manter a coerência da análise da política brasileira nos últimos três anos.

Para que se possa ter firmeza nas análises do desenvolvimento da política e da luta do PODER no Brasil é necessário ter autocrítica e verificar onde as análises anteriores falharam para poder seguir a diante numa projeção ao futuro.

Nassif nos seus já começando a ficar famosos Xadrezes das diferentes situações do país e todos os imbróglios montados tanto pela grande mídia como pelas gangues que começam a se digladiar de forma explícita, que nem na filmografia pornográfica, ou seja, quanto mais explícito ela o for, mais pobre, mais mal produzido e mais chulo o resultado, tem mostrado um retrato excelente da crise dos golpistas com todos os seus desdobramentos.

Porém como não tenho a formação de jornalista, que deve ser um narrador fiel do presente, e como a minha formação técnica sempre procurou através da análise do passado prever o futuro, tento ajustando os erros da análise do passado afinar a previsão do futuro.

Já em 2014 quando as manobras para o Golpe ainda não eram tão evidentes mas começavam a aparecer, escrevi algo que denominei “Golpe não de adjetiva” que defendia claramente o golpismo que é patente nos dias atuais, mas comecei com uma frase que nos dias atuais demonstram a sua clareza:

Lemos nos Blogs e em alguns poucos jornais a iminência de um Golpe Branco com o auxílio do Supremo, porém qualquer um que entenda um pouco de política sabe que o problema não é dar um golpe, mas sim o que vem após a ele.” Neste artigo fica claro que o pseudo impeachment não teria nenhuma semelhança ao dado em Collor, pois além de faltar apoio popular não tinha um substituto hábil e forças políticas coesas para sustenta-lo.

E realmente achando que havia alguma inteligência estratégica atrás do Golpe caí num erro que persisti em alguns artigos, que para dar um golpe e sustenta-lo havia determinados pré-requisitos que formassem uma base sólida que o sustente, para tanto escrevi dois artigos um no início do ano de 2015 e outro no fim do mesmo ano que os denominei de “Deem-me um estado de apoio que vos darei um golpe!” e “Golpe não é para amadores!, que verificando não haver uma base sólida para os golpistas este golpe não sairia. Como não tenho informações palacianas e não me interesso por fofocas internas das diversas gangues de apoio ao golpe, simplesmente ignorei que mesmo de qualquer jeito e maneira seria dado o golpe.

O raciocínio do que me levava a visão da insustentabilidade do golpe, tentei demonstrar em outro artigo Vamos a um pouco de análise dialética.” que mostrava que a base deste movimento era algo insustentável por si só pois um discurso puro e simples contra a corrupção não é uma forma de construir uma nova alternativa de substituição de um governo legalmente eleito por outro sem uma proposta mais consequente.

No último artigo citado está claro que:

Ao mesmo tempo em que a troca de comando de público para privado, não representa uma solução dialética do problema (tanto real como imaginária), a troca de partidos de PT para PSDB e PMDB também é visto pela massa que contesta como uma estagnação na tese, pois eles identificam claramente estes dois partidos como partidos corruptos.

Ou seja, que um discurso de privatização, passando de um setor público umbilicalmente vinculado ao grande capital, para o grande capital, passou o poder compartilhado entre corrupto e corruptor, para um poder centrado na figura do corruptor.

Também neste artigo de março de 2016 mostro que o desdobramento do golpe entre figuras mais obscurantistas de Moro e Bolsonaro não é a solução para um segundo golpe dentro do golpe, pois as contradições dos dois bandos, o primeiro simplesmente, pois do grupo de Moro tem-se: “O impasse fundamental de todos os movimentos de protesto está na tese básica da contestação, a corrupção, simplesmente porque esta não sendo uma plataforma política real, pois não trás em si a solução do problema, tanto que qualquer pessoa, qualquer partido ou qualquer ideologia pode lutar contra a corrupção.”. A afirmação nos dias atuais é mais real do que nunca, pois a plataforma de Moro colide frontalmente com o sistema político-econômico que rege o país desde sempre, ficando evidente a contradição na atual operação “Carne Fraca”.

Quanto ao grupo de Bolsonaro, denominado pela própria direita liberal de “direita xucra”, a lógica da inviabilidade deste caminha está em que: “É fácil verificar que junto à ideologia de força de Bolsonaro vem um pacote de intolerâncias de gênero, etnia e outras, que simplesmente inviabilizam a popularização de suas ideias, tornando uma espécie de besta do apocalipse para grande parte da população.” A hipótese Bolsonaro no poder, que seria uma espécie de última aposta dos golpistas é extremamente perigosa tanto para as forças progressistas, que seriam as primeiras vítimas, mas eu diria ainda mais perigosa tanto para o status quo político-econômico como para as forças do Império, pois sendo este Bolsonaro um líder ainda mais fraco do que o próprio Temer, as forças que o cercam são na realidade imprevisíveis pelas derivas autoritárias que pode um governo deste tipo ser forçado a adotar.

Que fique bem claro, um Bolsonaro e seus asseclas, forma um corpo semelhante, na inexistência de vínculos ideológicos fortes, aos famigerados “squadroni fascisti” que depois da marcha sobre Roma que colocou Il Duce no poder continuaram a causar problemas a Mussolini. Na Itália a contenção ideológica dos “camicie nere” era baseada no exército e na figura do Rei Vítor Emanuel III, que além de ser rei era Terceiro! Um Bolsonaro no poder, teríamos uma liderança extremamente fraca e desorientada, os “squadroni fascisti” e um exército que ninguém sabe o que o conteria, ou seja, uma combinação perfeitamente explosiva.

Toda a crítica e autocrítica das análises anteriores serve para uma projeção ao futuro, pois descrever o presente é mais ou menos simples a medida que as diversas bases dos golpistas se esfacelam entre si e desnudam a sua “não estrutura orgânica”.

Pois mais uma vez fazendo o que jornalistas, cientistas sociais e historiadores em especial se negam a fazer, vamos a teste de hipóteses do futuro.

Primeiro a estabilização do golpe sobre bases num estado aparentemente democrático está e se mostrará inviável, a partir desta conclusão que esta se mostrando robusta, há duas saídas para os golpistas. Ou tentar a solução heterodoxa de figuras enigmáticas e soturnas como a equipe Moro, com o próprio ou seus afilhados, ou com o disponível Bolsonaro.

A única coisa que esta solução heterodoxa pode levar é ainda pior do que o plano B, a saída ortodoxa, que relatarei após, as tensões sociais subirão mais ainda, pois para esta saída é necessário uma repressão vigorosa das forças mais progressistas que estão em assenso, resultando num inevitável confronto com a perda do poder a movimentos mais revolucionários que imediatamente se unirão aos setores reformistas, levando a uma ruptura bem mais traumática para a superestrutura dominante. Ou seja, com a inexistência de alguma coordenação intelectual dos golpistas, por mais absurdo que seja o resultado previsível talvez eles tentem.

O plano B, que deverá ser executado nos próximos meses sob pena de caírem os golpistas por forças mais vigorosas do que meros golpes parlamentares, é a reposição do Partido dos Trabalhadores no poder. O grande problema desta solução é que teria que ter antes dela uma espécie de anistia que poupando quadros como José Dirceu e outros utilizassem como moeda de troca estes reféns pelo esquecimento de crimes financeiros e outros cometidos pelas gangues que ocupam o poder. De qualquer forma, este plano B, tem um prazo de validade curto para ser disparado, pois de novo os ânimos vão se exaltar, a crise econômica irá atingir os setores operários em cheio que já terão saído da defensiva, e o movimento se tornará imparável.

Em resumo, ou entregam os anéis para não perder os dedos ou bem mais tarde poderão ter que entregar outras partes do corpo mais vitais como o pescoço.

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