O almoço que reuniria Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula (PT) para o Supremo Tribunal Federal (STF), com senadores de oposição foi cancelado e expôs, de forma explícita, a resistência que seu nome enfrenta no Congresso. O encontro, previsto para esta terça-feira (2), era considerado um gesto estratégico do Advogado-Geral da União (AGU) para abrir diálogo com o campo conservador, mas sua suspensão revelou o tamanho do bloqueio, especialmente dentro do PL de Jair Bolsonaro.
A reunião, articulada pela senadora Dra. Eudocia Caldas (PL-AL), foi abortada após pressão interna do bloco, que reúne 16 parlamentares do PL e um do Novo. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) confirmou o cancelamento. Interlocutores de Messias tentaram conter o desgaste, alegando conflito de agenda e garantindo que o encontro será remarcado para a próxima semana. A justificativa, porém, não reduziu a percepção de isolamento.
Planato tenta exibir força; oposição mostra o desgaste
Apesar do tropeço, o Palácio do Planalto busca transmitir confiança na aprovação. O governo acredita que pode alcançar os 41 votos necessários contando com dissidências no campo bolsonarista, beneficiado pela votação secreta. O presidente tem cobrado demonstrações públicas de apoio de aliados para criar um ambiente de “vitória inevitável” e reduzir a influência da oposição.
Mas a estratégia esbarra em outra frente de desgaste: o ressentimento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Ele e parlamentares de centro ficaram contrariados com a escolha de Messias, já que defendiam a indicação de Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Em nota, Alcolumbre acusou setores do Executivo de tentarem passar à sociedade a ideia de que conflitos entre Poderes se resolvem por “ajuste fisiológico” envolvendo cargos e emendas.
O governo, percebendo o risco de deteriorar ainda mais o ambiente, recuou. Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da presidência, divulgou nota exaltando “respeito e reconhecimento” a Alcolumbre e repudiou qualquer associação entre a relação com o Senado e práticas fisiológicas. O objetivo agora é distensionar antes da sabatina.
A guerra dos votos e a influência de Mendonça
Embora o governo projete já ter 41 votos assegurados, assessores admitem preocupação com a erosão gradual do apoio caso Alcolumbre. A sabatina de Messias no Congresso está marcada para 10 de dezembro, mas a espera pode favorecer articulações contrárias nos bastidores, transformando um cenário favorável em um placar instável.
A avaliação no Planalto é de que Messias tem recebido acenos positivos de setores conservadores. Lula ainda teria sido informado de que o ministro André Mendonça, indicado por Bolsonaro ao STF, estaria atuando pela aprovação do AGU, o que poderia converter votos no PL e no Republicanos, segundo informações de Gustavo Uribe, da CNN Brasil.
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