Bolsonaro propôs destituir todo o Supremo e militares no governo apoiaram, diz revista

Monica Gugliano reconstituiu o dia 22 de maio, em que Bolsonaro anunciou: "vou intervir" no STF. Ele só desistiu da ideia depois que o general Heleno afirmou que não era "o momento para isso"

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Jornal GGN – A jornalista Monica Gugliano publicou na revista Piauí de agosto uma reportagem que reconstitui uma reunião histórica. No dia 22 de março, “transtornado” com a possibilidade de ter o celular apreendido a mando do Supremo Tribunal Federal, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que iria “intervir” na Corte, destituindo todos os 11 ministro do cargo, e nomeando outros, entre civis e militares de seu agrado, até que “aquilo esteja em ordem”.

Mais: os militares do governo presentes na reunião – Walter Braga Netto, da Casa Civil, e Luiz Eduardo Ramos, Secretaria de Governo – apoiaram a decisão de Bolsonaro. O governo chegou a discutir formas de dar aparência de legalidade ao golpe militar. Só depois da chegada do general Augusto Heleno e outros ministros civis, é que o planejamento da quartelada refluiu. Heleno disse que não era o “momento” certo para o golpe.

Segundo a jornalista, que apurou os bastidores da reunião com quatro palacianos, sendo que dois estavam presentes na reunião do golpe, não ficou claro se, no plano de Bolsonaro, os “ministros destituídos do STF voltariam a seus cargos quando ‘aquilo’ estivesse ’em ordem’.”

A revista também registrou que o Artigo 142 da Constituição, entre outros dispositivos, seria usado para justificar o uso das Forças Armadas.

“A interpretação de que as Forças Armadas têm o papel equivalente ao de um ‘poder moderador’ encontra terreno nos clubes militares e entre oficiais da reserva, mas costuma ser rechaçada pelo alto-comando das armas”, escreveu.

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“Com notas ambíguas ou claras, declarações dúbias ou ameaçadoras, o fantasma de uma intervenção militar não se dissipa” no governo Bolsonaro, anotou a jornalista.

“A decisão do presidente de intervir no STF pode ser vista como intempestiva, tomada no calor da hora, mas é relevante que os anais da história registrem que o presidente do Brasil, numa reunião no palácio na manhã de 22 de maio de 2020, decidiu ocupar o Supremo com tropas – e foi persuadido a desistir da quartelada”, finalizou.

 

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14 comentários

  1. A mlim, não me surpreende, dado o nível *in(cultural e a falta de caráter e fo mais comezinho senso comum dos participantes. Além disso, a falta de compostura, que se viu na outra reunião ampla do gabinete ministerial, impõe que onde esteja essa sgente gflando, há que se retirar as crianças do recinto.
    João Carlos Bezerra de Melo

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    • O STF no meu ponto de vista é algo inverossímil, parece mais não passa de um engodo coletivo, em sã consciência se analisarmos as esdrúxulas decisões direcionadas é algo deplorável para o povo brasileiro.
      Lamento que os impostos que o governo recolhe da sociedade vá para o bolso desses sanguessugas jurídicos e políticos corruptos.

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  2. Bem que não fez, pois nunca imaginei que teria que ir para rua para defender Fux, Barroso, Fachin e Carmen Lucia.

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  3. Nassif: por favor, novidade, novidade. Que essa de conspirar ta manjada. A Arma não faz outra coisa, há 130 anos…

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  4. O exército bananil virou milicianato do miNto. São Tchutchucas com a “casa grande” (com Wall Street, com tudo) e tigrões com os “opositores” (senzala e a patuléia da “crasse mérdia”)…
    Como são “cobardes” sempre tem algum ‘membro’ que pondera : “veja, não é a hora, tá bem assim, pra que pisar nos calos do justicianato ?”
    Ainda bem, então… Arghhhhh

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  5. Partindo de uma pessoa que quis explodir quartel quando militar e, inacreditavelmente, ainda foi colocado na reserva com promoção, tudo é possível. O inacreditável da frase anterior ainda continua se, com todo o respeito à jornalista, for mesmo verdade que, no primeiro escalão do “governo”, existem pessoas que pensem da mesma forma que alguns imbecis que frequentam o cercadinho do lado de fora do Alvorada.

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  6. Acho que isto é o melhor retrato do país.
    Bolsonaro e mais três generais do palácio decidindo sobre um golpe de estado cuja finalidade, agora sabemos, era não permitir a prisão do queiroz.
    Quase, quase dão um golpe de estado para salvar a pele do queiroz.
    Devo estar sonhando, deve ser um pesadelo que estes senhores estejam no comando do país. Ninguém merece este desastre de governo. Gente tão baixa e desclassificada.
    Que desgraça!

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  7. ” “Se você prender um ministro do STF, você acha que vai ter uma manifestação popular a favor dos ministros do STF? [batendo palmas] Milhões na rua?”Solta o Gilmar! Solta o Gilmar!”Com todo o respeito que eu tenho ao excelentíssimo ministro Gilmar Mendes. “

  8. O momento do golpe será quando os dentes do General Heleno caírem de maduro.

    Se sem golpe os dólares estão sumindo, imagem com os home dando o gorpe.

  9. Sou profundamente democrático, defensor da Constituição e contra qualquer autoritarismo.
    Porém, bozo e seus asseclas não existiriam se o Çuprimido Tribunal Federal não fosse um bando de prssoas acovardadas, golpistas e de baixíssimo nível moral.
    Torço para que o golpe não venha, mas se vier, tomara que destitua a todos sem aposentadoria, porque homologaram todas as cretinices praticadas no Mensalão e na Lava Jato.

  10. + comentários

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