Coronavírus: propagação no Brasil foi intencional, dizem pesquisadores

Em artigo, estudiosos dizem que resposta do governo pode constituir ataque generalizado à população civil e crime contra a humanidade

Sergio Lima - Poder360

Jornal GGN – É consenso entre os pesquisadores que a maioria das mais de 290 mil mortes registradas no Brasil pela covid-19 poderia ter sido evitada, e o que fica cada vez mais evidente é que a atuação omissa do governo federal é proposital.

“Não se trata de erro nem omissão do governo federal. Existe uma estratégia de propagação da Covid-19 no Brasil, implementada sob a liderança do presidente da República, como demonstramos em estudo publicado em janeiro de 2021, resultado de investigação do Centro de Estudos e Pesquisas de Direito Sanitário (CEPEDISA) da USP, em parceria com a Conectas Direitos Humanos”, diz Deisy Ventura, professora titular da Faculdade de Saúde Pública da USP, em artigo assinado ao lado de Fernando Aith, diretor do Centro de Estudos e Pesquisas de Direito Sanitário (CEPEDISA) e professor titular da Faculdade de Saúde Pública da USP e Rossana Reis, professora do Departamento de Ciência Política da USP.

De acordo com o artigo, publicado no jornal Folha de São Paulo, a estratégia federal é composta de três eixos: a propaganda contra a saúde pública, por meio de gestos, como a contínua promoção de aglomerações, e do discurso do governo federal; o combate às iniciativas de governadores e prefeitos que buscam conter a propagação do vírus; e a atuação normativa, incluindo decretos que define como “essencial” uma ampla gama de atividades durante a pandemia, e os diversos vetos à leis que visaram conter a disseminação do vírus, como as relativas à obrigatoriedade do uso de máscaras e à proteção dos indígenas.

O estudo citado no artigo foi tema de entrevista entre Luis Nassif e a professora Deisy Ventura realizada em 22 de janeiro. Na ocasião, Deisy foi incisiva: “eu acho que se trata de crime contra a humanidade, e tenho muita esperança que uma investigação prospere no Tribunal Penal Internacional”. Confira a íntegra da entrevista no vídeo a seguir

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