Covid-19: Ministério da Saúde anuncia mudanças na contagem de mortes e novos casos

De acordo com secretário, usando a data do óbito e a data dos primeiros sintomas como referências, o Ministério poderá "verificar a curva [da pandemia] com sua evolução real"

Jornal GGN – O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, anunciou no final da tarde desta segunda (8) uma mudança na metodologia de contagem de mortes por coronavírus no Brasil.

Durante coletiva de imprensa, a Pasta também atualizou os dados da pandemia: são 15.654 novos casos e 679 óbitos. No total, o País tem 37.134 mortes e 707.412 diagnosticadas com covid-19. Faltam, contudo, dados atualizados de dois estados: Santa Catarina e Alagoas.

Segundo Franco, do começo da pandemia até agora, os estados e municípios têm informado ao Ministério o total de mortes “notificadas” nas últimas 24 horas, e não o total de “ocorrências”. As notificações são uma soma dos óbitos que ocorreram no dia acrescidos dos resultados de testes que estavam represados, mas dizem respeito a mortes que ocorreram dias ou semanas atrás.

Pela nova metodologia, que ainda não foi implementada, o número de mortes diários significará as vidas perdidas nas últimas 24 horas. O Ministério ressalvou que continuará computando à parte as mortes notificadas ao longo do dia em relatórios mais detalhados.

Uma mudança também será feita em relação aos novos casos diários. A ideia é começar a informar a data da manifestação dos primeiros sintomas para cada caso novo.

Nesta segunda (8), o Estadão revelou que a ideia do governo Bolsonaro com as mudanças era desmontar a ideia de que a pandemia no Brasil está fora de controle e que mais de mil pessoas estão morrendo em decorrência de covid-19 diariamente.

De acordo com Franco, usando a data do óbito e a data dos primeiros sintomas como referências, o Ministério poderá “verificar a curva [da pandemia] com sua evolução real.”

Na terça-feira (9), haverá uma reunião com secretários estaduais e municipais de Saúde para afinar o uso da nova plataforma e estabelecer uma data para implementação da nova metodologia de contagem.

Eduardo Macário, diretor do Departamento de Análise em Saúde e Vigilância, afirmou que a ideia é comunicar melhor a evolução da pandemia, e não redimensionar a crise. “A gente não está minimizando nem querendo colocar nenhuma questão relacionada ao número de casos e óbitos. Pelo contrário, a gente quer comunicar da melhor forma possível.”

Os gestores não responderam à imprensa se haverá atualização dos dados que foram divulgados seguindo a metodologia antiga.

Negando apagão ou sonegação dos dados da pandemia, eles afirmaram que o painel do Ministério com os boletins diários só ficou fora do ar para “alguns ajustes técnicos” e que, a partir de agora, eles devem ser liberados à imprensa diariamente, a partir das 18h.

Os boletins vão incluir novamente os dados acumulados, taxa de incidência, taxa de mortalidade por milhão, entre outras informações necessárias às análises e comparações.

Um dos militares na Saúde, que está interinamente sob o comando de Eduardo Pazuello, o general Franco negou que Bolsonaro tenha influenciado a nova metodologia. Ele disse que as mudanças são uma “melhoria” exclusivamente “técnica”.

Há estados que ainda se adaptando à nova plataforma e, por isso, há dados faltando nesta segunda (8).

HIDROXICLOROQUINA E REMDESIVIR

Ao final da coletiva de imprensa, o secretário-executivo do Ministério da Saúde lembrou que a intenção da Pasta é começar a acompanhar mais de perto os casos leves de síndrome respiratória e seu “tratamento medicamentoso precoce”.

Segundo Franco, isso mostrará eventualmente uma redução dos casos graves de coronavírus e uma possível eficácia de drogas como o remdesivir e a hidroxicloroquina – que já foi recomendada ao SUS por meio de um protocolo do Ministério.

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