Cuidados a se tomar com as opiniões de João Gabardo, ex-vice de Mandetta

Demitido do Ministério, foi contratado pelo governo de São Paulo, mudou de chefe e passa a defender a flexibilização do isolamento, atropelando os dados

É preciso haver cuidado com o discurso de alguns governadores, de justificarem todas suas medidas por um suposto aval científico. Wilson Witzel fala de boca cheia de planejamento científico. O mesmo faz João Dória Jr.

Não se negue a São Paulo um controle mais profissional da pandemia do que o caos do governo federal. E sabe-se que há pressões legítimas para relaxamento do isolamento social, devido ao sufocamento econômico das empresas e das receitas estaduais. Mas há que se ter cautela. Se o isolamento ocorrer antes da hora, haverá um repique pior ainda.

Por tudo isso, é importante ter discernimento para analisar o papel de alguns técnicos de saúde, que estão avançando além das chinelas.

É o caso do João Gabardo, técnico da Saúde que se notabilizou nas coletivas do período do Ministro Luiz Henrique Mandetta. Gaúcho, trabalhou muito tempo com o deputado Osmar Terra, que foi Secretário da Saúde em municípios gaúchos. 

No governo federal, defendeu expressamente o isolamento social. E sua opinião ganhou peso por endossar a do seu então chefe, Ministro Mandetta, insurgindo-se contra a irresponsabilidade do governo. Virou um pota-voz da ciência contra o terraplanismo.

Demitido, foi contratado pelo governo de São Paulo, mudou de chefe e passa a defender a flexibilização do isolamento, atropelando os dados e afirmando que a pandemia está refluindo no estado, sem nenhuma confirmação estatística.

Ontem, em debate televisivo, foi confrontado com uma pesquisadora da Fiocruz, que comparou os dados brasileiros com os argentinos. E afirmou que se o Ministério tivesse acatado a recomendação da Fiocruz, do isolamento total no início da pandemia, o Brasil poderia estar saindo da pandemia. A resposta de Gabardo foi sem sentido:

– Depois que os fatos acontecem, é fácil falar. É a engenharia de obras feitas.

Ora, a Fiocruz fez a recomendação no início da pandemia, mostrando uma visão prospectiva que não foi considerada pelos técnicos do Ministério da Saúde, o próprio Gabardo. Assim como não houve nenhuma visão estratégica de adquirir insumos na China, antes da grande onda global. O Ministério da Saúde acordou quando a pandemia já estava em pleno andamento.

E agora, que Gabardo passa a defender o relaxamento do isolamento? Lembra alguns pareceristas jurídicos que, abordado pelo cliente pergunta: quer parecer contra ou a favor?

Não se condene o conhecimento técnico dele. Deve conhecer. Mas é o típico técnico que ganhou expressão política, em função dos incidentes provocados por Bolsonaro, mas não tem luz própria. Dá o diagnóstico que o chefe manda dar.

A visão ufanista dele, sobre o absoluto sucesso brasileiro – comparando com os desastres da Itália e França – não se deve a méritos da gestão Mandetta na Saúde. Deve-se ao SUS (Sistema Único de Sáude), uma obra muitíssimo anterior à gestão Mandetta. E que foi profundamente afetado pelas políticas de Bolsonaro, ante o silêncio de Mandetta, que foi essencial para liquidar com o programa Mais Médicos, por conta de restrições ideológicas terraplanistas, sem a menor visão sobre as consequências para as populações atendidas. 

Assim como o general Pazuello, Gabardo afirma que há muitas mortes no Brasil, porque há muita população. E invoca o indicador dos casos per capita. Ora, que analisasse também o indicador densidade populacional, mostrando que os indicadores brasileiros são extremamente favoráveis contra a disseminação da doença. Mesmo assim, o país está batendo recordes. Considerando os 140 países com densidade inferior a 10.000 habitantes por km, o Brasil é o 6o em contaminação per capita.

Seu argumento em defesa da flexibilização é bisonho. Diz ele que a cidade de São Paulo está com folga nas UTIs, cerca de 75%, o que não é considerado um indicador folgado; e que o ABC tem problemas. Logo não haveria porque dar o mesmo tratamento aos dois. Por solidariedade ao antigo subordinado, Mandetta balbuciou apenas algo como São Paulo e o ABC não são ilhas, as pessoas viajam de um lado para o outro.

Se o general Pazuella tivesse tido um pouco mais de paciência, manteria Gabardo como seu braço direito.

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8 comentários

  1. Li agora no UOL: Teich diz que teme ‘guerra dos números’ e critica liderança ‘fraca’ da pasta.

    Ue Teich, o infeliz que nos governa não foi sequer capaz de colocar um médico militar para comandar a pasta. Ora, se ele queria o comando da pasta pelos militares podia ao menos ter escolhido um que fosse médico. Mas é claro que ele não ia fazer isso porque médicos com dignidade profissional nao aceitam imposição de leigos na área que eles dominam, principalmente se tais intromissões puderem resultar em perdas de vidas humanas.

    Mais há médicos e médicos..Esse infeliz devia ter colocado logo lá o Osmar Terra ou a tal japonesa ou nissei. Sei lá.
    O que sei é que inadmissível em uma pandemia não termos direito sequer a um ministro da saúde titular na pasta. Mas inadmissível ainda é termos um militar que não é médico no comando.

  2. A live de ontem do canal do Átila Iamarino, justamente sobre análise técnica da pandemia com o doutor em epidemiologia, Wanderson de Oliveira que participou como um dos técnicos que trouxe respeito e confiança à gestão de Mandetta, pode pegar informações importantes sobre caminhos que poderão ainda acontecer na história da pandemia no país. O sr. Wandreson é um estudioso e vem pesquisando muita coisa. Um fator que ele colocou é a comparação com a influenza que anualmente tem um certo ritmo no país e que de certo modo a covid-19 vem repetindo, possibilitando a hipótese de que nestes meses de inverno ela possivelmente ascenda na região sul do país e possivelmente levando efeito à Argentina

  3. Em termos práticos a suspensão da quarentena acrescentará muito pouco ao quadro atual . A movimentação de pessoas na cidade está muito proximo ao normal. O indice de isolamento atingiu um maximo de 59% no inicio e depois foi enfraquecendo e nunca mais passou dos 49%.
    Ou seja, os grupos que podem continuar isolados em casa permanecerão após o fim da quarentena, e alguns poucos mais se juntarão à massa que não praticou o isolamento. Não é o fim da quarentena que vai agravar a situação como pretendem alguns.

  4. Gente,
    Está claro que a estratégia do João Gabardo, assim como do Bozo, é conduzir 70% da população ao contágio, com calma e vaga nas UTIs, mas a estratégia é que todos se contaminem.
    Não há nenhuma preocupação de fazer como a China e a Europa que estão erradicando o vírus de seus territórios.

  5. “– Depois que os fatos acontecem, é fácil falar. É a engenharia de obras feitas.”

    Essa frase é uma daquelas que resumem a maçonaria… são covardes, evasivos, traiçoeiros, caluniadores, conspiradores e golpistas. São incompetentes, individualmente falando, mas por conta disso juntam-se em bandos e provocam estragos seríssimos nas comunidades em que se alastram. É só observarmos com quem esse aí anda e logo já saberemos da encrenca que se trata. Deus nos ajude….

  6. A contaminação diária (BR) na ultima semana, tirando estes 2 dias atípicos da manipulação criminosa bozista, esteve entre 24 e 32 mil, caindo nos fins de semana.
    Se adotarmos uma média LINEAR por baixo, de apenas 25 mil / dia, isto significaria mais 350 mi casos em 2 semanas (até 22/junho), ultrapassando 1 MILHÃO de CASOS no braZil.
    Quanto ao “sucesso” braZileiro, além das observações feitas de densidade demográfica, anterioridade do SUS e incompetências ideológico-estúpidas do governo federal (recursos, mais médicos, descoordenação de esforços, crises etc.), por que não comparam as mortes por hab. (que não são boa referência enquanto não terminar a pandemia) com as da Índia, China, Japão, Indonésia, Afeganistão, Paquistão. Nigéria ou outras combinações de países populosos? Selecionam a dedo os países que nos favorecem?
    O sucesso efetivo se mede por 2 indicadores: pela LETALIDADE (mortes por casos) ou pela baixa CONTAMINAÇÂO no tempo.
    A letalidade indica que mesmo contaminando, há eficiência no TRATAMENTO, seja ele qual for.
    A baixa contaminação no tempo significa que o país soube se proteger (exs: Taiwan, Nova Zelândia, etc.).
    De resto, o que importa no final é a QUANTIDADE real de mortos e não exatamente os %.
    O que é pior? Um país com 20 casos e 50% de mortos (10), ou um com 5 milhões de casos e 1% de mortos (50 MIL)?
    De resto, o consenso histórico é que a chamada “imunidade de rebanho” é atingida quando cerca de 70% da população é infectada. Para se atingir isto (antes de um remédio ou vacina), o braZil precisaria infectar 147 milhões. Com a letalidade atual maior que 5%, isto significaria mais de 7,3 milhões de mortos!
    No mundo, isto levaria à fantásticos >270 milhões de mortos!
    Se considerarmos que a letalidade está caindo e chegue à 0,5% (dez vezes menos), ainda assim teríamos, no braZil 730 mil mortos e 27 milhões no mundo. E nem temos certeza desta “imunidade”.
    Adicione-se que com todas as restrições adotadas, levamos ~5 meses para alcançar 7 milhões de casos (menos de 0,1% da população mundial). Não sabendo qual a tendência de crescimento (ainda exponencial, linear, decrescente?), a pergunta que fica (até termos remédio ou vacina) é:
    Quanto tempo levaremos até alcançarmos a tal “imunidade de rebanho”?
    Quanto tempo ficaremos restritos entre as alternativas de isolamento (e suas variantes) ou mais mortes, versus uma (nova?) economia mais ou menos destruída?
    Quem tem a resposta correta deve ser eleito presidente do planeta.

    • ” Com a letalidade atual maior que 5%, isto significaria mais de 7,3 milhões de mortos!”
      Parece ser este o objetivo destes genocidas.
      Sao vários os índices, por habitantes, por densidade, etc, mas o que bota estes insanos para babar é aquele indicador que mostra uma maior taxa de óbitos entre os menos favorecidos e os idosos.

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