10 de junho de 2026

Cultura no governo Bolsonaro assume discurso e estética nazista em vídeo institucional

Secretaria Especial de Cultura copia palavras de Goebbels e usa como trilha sonora uma ópera associada a Hitler

Jornal GGN – As redes sociais ferveram na noite de quinta (16) e madrugada de sexta (17), depois que a Secretaria Especial de Cultura do governo Bolsonaro divulgou um vídeo institucional que claramente assume uma estética nazista.

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Na produção, o secretário Roberto Alvim copia parte de um discurso histórico de Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista. Até a trilha sonora escolhida para o vídeo é uma referência a Hitler: uma época citada na biografia do führer. Além disso, a aparência, os objetos em cena, o enquadramento, o tom de voz, tudo remete à estética da Alemanha sob o nazismo.

“A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”, disse Goebbels em um pronunciamento para diretores de teatro.

Alvim fez uma adaptação: “A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada.”

 

 

No vídeo, Alvim anuncia o início de uma nova década, em que a cultura será pautada pela posição ultraconservadora do governo.

“A Pátria, a família, a coragem do povo e sua profunda ligação com Deus amparam nossas ações na criação de políticas públicas. As virtudes da fé, lealdade, auto-sacrifício e da luta contra o mal serão alçadas ao território sagrado das obras de arte”, disse.

“Almejamos uma nova arte nacional capaz de encarnar os anseios da população brasileira”, comentou. “2020 será o ano de uma virada histórica. Será o ano do renascimento da arte e da cultura no Brasil”, prometeu.

Segundo o secretário, “a cultura não pode ficar alheia às imensas transformações intelectuais e políticas que estamos vivendo.”

Foi de Alvim a ideia de nomear o jornalista e militante de direita Sergio Nascimento de Camargo para presidente da Fundação Palmares.

O vídeo foi divulgado logo após uma transmissão ao vivo, feita por Jair Bolsonaro no Facebook, em que os integrantes do governo anunciam uma série de programas culturais. A ideia é direcionar a verba federal para os projetos alinhados ideologicamente ao bolsonarismo. A isso, não chamam de censura, mas de “curadoria”.

Só para o Prêmio Nacional das Artes, que selecionará propostas para teatro, exposições, ópera, contos literários, entre outros, estão previstos 20 milhões de reais.

 

Redação

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

13 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    17 de janeiro de 2020 10:23 am

    Você tem toda razão. O vídeo realmente incorporou elementos essenciais da estética nazista. Todavia, há algo mais que pode ser dito sobre esse espetáculo grotesco.
    A “arquitetura da destruição” no 3º Reich alemão era uma realidade avassaladora que não podia ser interrompida e contava com o apoio da maioria da população. Isso não ocorre no Brasil, país em que ainda existem partidos de oposição funcionando dentro de um quadro relativamente tranquilo. O Judiciário e o Legislativo não foram totalmente dominados pelo bolsonarismo, fato que nos leva a concluir que nós estamos diante de um vídeo que expressa a “estética da auto-destruição” no Reich bananeiro.
    Esse Ministro da Incultura está com os dias contados. A reação dentro e fora do país já está sendo imensa. Ela se tornará irresistível, especialmente quando a Alemanha exigir explicações do governo brasileiro (o combate ao nazismo é uma política de Estado naquele país).
    Alvim faz cara de nazista e discurso de nazista, mas no fundo ele é apenas um brasileiro patético com evidentes problemas cognitivos. Ele almeja granjear para si mesmo a glória de Goebbels, mas se esquece o fim trágico que teve aquele ministro de Hitler.
    Goebbels cometeu suicídio e foi incinerado numa vala com alguns galões de gasolina. Nós já podemos comemorar o suicídio de Roberto Alvim. Não faltará gasolina para queimar o cadáver dele.

  2. Naldo

    17 de janeiro de 2020 10:26 am

    Um dos vídeos mais ridículos da história desse país…..um desgoverno capenga querer ditar e impor a cultura de um povo……parece coisa da tv do bispo……..se houvesse congresso e não apenas oposição de tweeter, esse ministro sinistro já estaria convocado para explicar essa aberração, e assinando uma citação judicial quando comparecesse……outra dúvida, o tal queiroz é miliciano?????? Ninguém toca nesse assunto…….

    1. Renato Lazzari

      17 de janeiro de 2020 1:11 pm

      Mesmo demitido Alvim deve explicações. De onde vieram as ideias que nortearam o tal discurso? Quem, no Planalto – ou nos EUA – o orientou?

  3. Flavio Natacci

    17 de janeiro de 2020 10:58 am

    Resta saber se ele combinou com os russos, ou seja, os artistas brasileiros.

  4. BRAGA-BH

    17 de janeiro de 2020 10:58 am

    Então vamos a uma especie de silogismo que os minions adoram:
    O nazismo era de esquerda. Goebells era nazista. Roberto Alvin é fã das ideias de Goebells. Então Roberto Alvin é um nazista esquerdista.
    Roberto Alvin é Ministro do governo Bolsonaro. Roberto Alvin é um nazista esquerdista. Então o governo Bolsonaro é nazista esquerdista!!
    KKKKK!!! Que bagunça!!!
    Só rindo mesmo de tanta bobagem nesta gaiola das loucas!!

  5. Marcos K

    17 de janeiro de 2020 11:35 am

    Não sei se dou risada ou se solto gargalhadas. Agora eu pergunto:
    Mas o que a Globo et caterva fizeram com o PT não foi idêntico com o Hitler fez com os judeus, ou seja, apontou um culpado pelos males da Alemanha e o demonizou?
    Mas Bolsonaro alguma vez escondeu que era simpatizante do nazismo?
    Mas Bolsonaro não cansou de insultar as minorias, mostrando todo seu desprezo por elas?
    Mas como é que ficam os judeus que apoiaram Bolsonaro?
    Mas era necessário desenhar pras pessoas entenderem que esse governo SEMPRE foi nazista?
    O que, em nome de Deus, as pessoas NÃO entenderam?
    Agora só falta a nossa grande Bücherverbrennung.
    Depois teremos a Kristallnacht.
    Depois teremos a nossa Conferência de Wannsee.
    Finalmente teremos nossas instalações onde “Arbeit macht frei”
    Só tem uma coisa que eu não entendo: se pros Bolsonaristas o Nazismo é de esquerda, agora Bolsonaro virou esquerdista? É isso?

  6. Anônimo

    17 de janeiro de 2020 12:54 pm

    Este vídeo não pode e não deve ser atacado com memes ou discursos pouco sérios.
    Como meu tio em 1945 morreu na Itália em combate com os nazistas devemos simplesmente exigir que qualquer referência e apologia ao nazi-fascismo, como o vídeo que é uma cópia da Estética Nazista, o lema do presidente da república que é uma cópia descarada de: Deutschland über alles: Alemanha acima de tudo o deus acima todos, foi colocado para agradar o eleitorado evangélico.
    Senhores chegamos ao fundo do poço, pior do que isto só as prisões em campos de extermínio. Querem ver se há algo mais fundo?

  7. jcordeiro

    17 de janeiro de 2020 12:55 pm

    Nassif: confesso, não sei porque tanta indignação. Principalmente dos da ColôniaDeIsrael. O governo só está cumprindo programa eleitoral. Nunca escondeu princípios e propósitos. Estão apenas pondo em prática o discurso do palanque. A promessa de novas modalidades de “fornoscrematórios” se materializa. Por quê o espanto? Logo virão os “locaisreservados”, onde serão confinados aqueles que os VerdeSauvas acharem incomodam o desempenho dos planos das casernas. A DemocraciaDaBaioneta parece vai começar pelo INSS, com aposentadorias. Em cada dez pedintes, nove serão deslocados para Goias, nas terras dos Caiados, onde serão reeducados. Guedes e o meliante TogaSuja já terminaram o projeto. O RetiroDosArtistas, por exemplo, será presidido pela ViuvaPorcina, “aquela que foi sem nunca ter sido”. E a povalha andará com um círculo colorido no peito, para não se distinguir dos arianos.

    Chocaram o Ovo da forma mais rasteira e sórdida e agora reclamam da Serpente? Têm de ser coerentes. Pariram Mateus? Embalem, agora…

  8. Renato Lazzari

    17 de janeiro de 2020 1:09 pm

    Agora, depois da demissão do Roberto Alvim e a reação da mídia capitalista – OESP, Folha, certamente Globo, mais à notinha, e demais firmas privadas de comunicação social – é que dá para entender: os ideólogos do golpe que o capital está dando nas democracias deram um jeito de tentar passar a mensagem que não há autoritarismo no governo Bolsonaro. E pelo visto, Olavo de Carvalho participou da elaboração da mensagem de Alvim pois que, depois de sua demissão, o ex-secretário declarou que estava triste com o “guru”. Olavo de Carvalho – ou simplesmente “Olavo”, como disfaçam a Folha e o OESP – deliberadamente botou Alvim na fogueira. Queimar Alvim foi o custo dessa operação de propaganda da direita. Foi barato…

    “Estão vendo como o governo Bolsonaro não compactua com o nazismo?”, pode argumentar o porta-voz da turma que está no poder, como se não houvesse muitas outras providências nefastas e ditatoriais realizadas e em curso pela turma do Bolsonaro, a turma do dólar.

  9. Anônimo

    17 de janeiro de 2020 2:39 pm

    Acho que o que surpreende é o governo exonerar, afinal o conteúdo do discurso retirada as palavras e a retórica já foi muitas vêzes enunciada por membros do governo e pelo presidente.

  10. AMORAIZA

    17 de janeiro de 2020 3:57 pm

    É curioso como quando os ratos invadem a nossa despensa aquele que se disfarça de gato assusta os seus amiguinhos.

  11. Carlos Elisio

    17 de janeiro de 2020 9:18 pm

    Desconfiem de todo idiota que coloca em suas falas ou textos coisa do genero:
    “A Pátria, a família, a coragem do povo e sua profunda ligação com Deus amparam nossas…”
    Certamente resultará em alguma aberração.
     

  12. Antonio Francisco das Neves

    19 de janeiro de 2020 2:03 pm

    Diz o Correio Braziliense que a advogada Manuela Lourenção, que mora em São Paulo, foi a primeira pessoa a identificar referência nazista no discurso do ministro Roberto Rego Pinheiro, cujo nome artístico é Roberto Alvim.

    https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2020/01/18/interna_politica,821511/advogada-descobriu-referencia-nazista-em-discurso-de-alvim-por-acaso.shtml

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