Eles botaram o bode no meio da sala e agora não sabem como se livrar dele, por Eduardo Ramos

Eles botaram o bode no meio da sala e agora não sabem como se livrar dele

por Eduardo Ramos

TODOS os segmentos da sociedade brasileira, com a única e honrosa exceção dos partidos e brasileiros de esquerda, são responsáveis pela eleição de Jair Bolsonaro. Ponto.

Militares, Polícias militares e civis, Polícia Federal, juízes, promotores, ministros das Instâncias superiores, procuradores, mídia, empresários, rentistas, classe política, desde o primeiro minuto que se delineou que a “direita tradicional” não tinha chance alguma contra o PT, se atiraram ávidos, simpáticos e até servis, nos braços de Bolsonaro. Aos chamados “isentões” (sic…) coube o papel vergonhoso de “lavarem suas mãos limpinhas…”

E não lhes cabe, a nenhum desses grupos, hipócritas que são até a medula, a esfarrapada desculpa de que “não queriam a volta do PT”. Pelo motivo imenso, óbvio, de que o PT já havia provado de modo inequívoco, que quaisquer erros à parte, seu modo de governar é democrático, respeitador dos direitos dos cidadãos e das instituições e extremamente CONCILIADOR, não restando um fato sequer que pudesse justificar o “medo” de qualquer um desses segmentos sociais citados.

Judiciário, mídia, militares, policiais, rentistas e empresários apoiaram Bolsonaro pelo “bom e velho motivo”: poder e dinheiro, não necessariamente nessa ordem.

Somos ainda, e de modo perverso e exacerbado, uma das sociedades mais atrasadas, incivilizadas e até toscas, do planeta. “TER STATUS”, no Brasil, faz com que elites e classes médias sintam-se extasiadas em seu narcisismo de classe. Essas coisas, nas pessoas fracas de caráter e ética existencial, abundantes em nossas elites e classes médias, são obtidas essencialmente com esse binômio: tanto o poder, como o dinheiro. Bolsonaro representava essa garantia, essa alegria, esse “bônus”. O que ele representava de bestial, demência, amigo de milicianos, violência selvagem contra os adversários ideológicos, nada disso foi (nunca!!!) um obstáculo moral para a turma do andar de cima. Essa é a verdade sobre a eleição de Bolsonaro no Brasil.

Hoje, 315.000 mil mortes depois, milhares de falas e ações dele e de seus filhos e ministros, degradantes, insanas, irracionais, mentirosas, levando o Brasil à uma posição de pária internacional jamais havida, levando o Brasil a um sentimento de compaixão de desprezo pelas nações civilizadas, essa elite apequenada, vulgar e narcísica, assustada com todo o horror, NÃO SABE O QUE FAZER COM O BODE NO MEIO DA SALA! Até porque, se convidado a se retirar, o bode começará a dar chifradas em quem puder…

Impossível sabermos hoje, no dia em que esse texto foi escrito, final de março, o que ocorrerá.

É torcer por um milagre de que algumas pessoas dessa turba que está no poder tenham o bom senso de tentar juntarem forças políticas para uma saída pouco traumática para um país que já é terra arrasada desde o advento da Lava Jato. As pessoas só não percebiam isso, por conta do seu fanatismo.

Que os militares decentes, dignos, o STF, o Congresso, o MPF, façam a sua parte.

(eduardo ramos)

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