Homenagem a quatro grandes mulheres jornalistas, por Luis Nassif

É ter a ousadia de procurar a verdade, mesmo que em momentos que a verdade não serve de trampolim para a carreira, não seja a verdade mais simpática às direções.

Para ser uma grande jornalista, não basta ser mulher. É preciso o exercício diário do caráter, a capacidade de se manter íntegra, em todos os momentos, em todas as ondas. E não com o exercício diuturno de cavalgar qualquer onda, mesmo as que afrontam princípios básicos de civilidade.

É ter a sutileza das grandes análises, nas quais as estocadas surgem naturalmente dos raciocínios expostos, e não do oportunismo da verborragia fácil e da busca pelo lugar comum.

É ter a ousadia de procurar a verdade, mesmo que em momentos que a verdade não serve de trampolim para a carreira, não seja a verdade mais simpática às direções. E de expor a verdade, por mais dura que seja, com a doçura e a sutileza que nenhum macho é capaz de emular.

Ser uma grande jornalista é não ceder aos impulsos dos linchamentos, quando os linchamentos se tornam arma de guerras políticas. E enfrentar os linchamentos quando a pusilanimidade domina os jornalistas comuns. Não é buscar o aplauso fácil da malta, que se encanta por qualquer berro, qualquer frase de efeito, mas o reconhecimento dos leitores que sabem diferenciar o ângulo inédito do lugar comum. É se tornarem mensageiras da luz, organizando as informações e tirando as conclusões mais precisas, com o senso de detalhe e a sensibilidade das quais só as grandes mulheres são capazes, e não se comportando como chefes de torcida.

Por isso, minha homenagem a quatro efetivamente grandes mulheres jornalistas: Eliane Brum, Maria Cristina Fernandes,  Patrícia de Campos Mello e Maria Inês Nassif, expelida do Valor em tempos idos, por ter ousado taxar o estímulo à delação, da Lei Antifumo de José Serra, como resquício da ditadura. Foi o exercício solitário da coragem, contra a unanimidade dos jornais, no qual qualquer ato de solidariedade dos colegas poderia atrapalhar suas carreiras.

Leia também:  Manchetes dos jornais dos EUA

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7 comentários

  1. Tiraria da homenagem, facilmente, a Eliane Brum.
    Nunca deu uma linha sobre o GOLPE, nunca falou de NENHUM papel da mídia nas questões do golpe, no governo temer nem na eleição de bolsonaro.
    Ela é a típica ISENTONA, não pratica jornalismo, apenas dá OPINIÃO.

  2. E você, Sr. Ozzy, fique queito no seu canto, não morra, ao contrário, recupere-se.
    Eu gostaria de compartilhar sua ‘unbelievable pain’, but unhappily I can’t.

    Thank You, Osbourne!

    When the lights go down, it’s just an empty stage

    It’s cold in the graveyard
    We all die alone
    So, stay alive!

  3. É importante enaltecer profissionais que honram a sua profissão! Que enfrentam o arbítrio, a tirania, o obscurantismo!

  4. Conheço pessoalmente Maria Cristina Fernandes e Maria Inês Nassif, e concordo em tudo sobre essas grandes profissionais que enobrecem o jornalismo. Sobre Eliane Brum e Patrícia, não as conheço, mas admiro o trabalho delas. O problema de nomear algumas é a grande quantidade de outras muito boas que ficaram de fora da lista. Mas que as quatro sejam então emblemas. Sim, ainda há bom jornalismo, que sobreviva e emerja melhor na pós-estupidez.

  5. Eu penso que a coragem em se manter fiel a sua tribo e combater com veemência e rigor toda e qualquer tentativa de se ferir leis, de não respeitar a legalidade, de não reconhecer nossos direitos e de injustiçar impiedosamente o justo é prova irrefutável da soberana integridade ética e moral para consigo mesma, e com a sua tribo. Então, eu imagino que a fonte da inspiração e equilíbrio que destrói toda brutalidade delinqüente do ofensor nasce de uma potente indignação experimentada pelas jornalistas e suas tribos. A partir daí, já com o sentimento da provocação correndo em suas veias, elas não deixam por menos e brindam a verdade e o respeito com toda a sensibilidade e sutileza, que somente algumas poucas e dignas mulheres jornalistas se tornaram merecedoras de possuir.

  6. os mais perigosos são os que são primeiro jornalistas depois cidadãos.
    prefiro os que são primeiro cidadãos, pois pensam no todo antes de suas vantagens ou nas vantagens e nos interesses obviamente rentistas do patrão.
    curiosamente, os da grande mídia são tipo office-boys dos interesses desses patroes, cumprindo pautas deles, com as exceções de sempre, estas dignas de aplauso- são os resistentes e bravos que aliás podem ser mais do que os pessimistas imaginam.
    alguns mudam de profissão – não é fácil, pois escrever vicia,
    raros desistem – mas têm a certeza de que valeu a pena porque acham que são acima de tudo cidadãos e não cúmplices do caos.

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