Maradona, a morte do gênio portenho, por Luis Nassif

Mas tinha algo a mais que Pelé, a paixão, a vida épica, a luta contra as drogas, a paixão por seu país, os vários renascimentos. Ainda mais em um país que sempre cultivou as grandes emoções, as grandes tragédias.

A primeira vez que ouvi falar de Maradona foi em uma reunião de pauta no Jornal da Tarde, no início dos anos 80. Roberto Avallone o mencionava constantemente. Celso Ming tinha acabado de chegar da Argentina, onde assistira a um jogo com Maradona. Tentou fazer pouco:

– É apenas um Rivelino melhorado.

Caçoamos do “apenas”. Rivelino já era um dos melhores do mundo e Maradona, segundo Celso, era melhor. Logo não cabia o “apenas”.

Quando a TV trouxe os primeiros jogos de Maradona, foi uma explosão. Depois de Pelé, apareceu Beckenbauer, Cruiyf, Platini, em cada Copa tentava-se um sucessor para o rei. Mas nenhum tinha o brilho, a explosão de Maradona. Suas arremetidas do meio campo, o controle dos dribles, dos lançamentos, das cabeçadas, mesmo sem ter o vigor físico de Pelé, eram o que de mais próximo se aproximava da genialidade.

Teve um azar, em relação a Pelé. Poderia ter brilhado na Copa do Mundo de 1978, mas foi preterido devido à pouca idade, enquanto Pelé explodia em 1958 aos 17 anos.

Na Copa do Mundo de 1986, provavelmente teve o maior desempenho individual de qualquer jogador em todas as Copas, mais até que Beckenbauer na final contra a Inglaterra, em que ele terminou se arrastando em campo. Suas jogadas contra a Inglaterra, inclusive o gol de mão, entraram para a história. Sua arremetida, pegando a bola no meio campo e levando até o gol ficou à altura das maiores jogadas de Pelé.

Mas tinha algo a mais que Pelé, a paixão, a vida épica, a luta contra as drogas, a paixão por seu país, os vários renascimentos. Ainda mais em um país que sempre cultivou as grandes emoções, as grandes tragédias. Foi essa fundamentalmente a diferença entre Maradona e Lionel Messi. Messi e Pelé despertam admiração, Maradona, a paixão. É como se fosse a síntese dos sentimentos somados que os brasileiros tiveram em relação a Pelé e a Garrincha.

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