Moro deveria manter distanciamento, diz chefe de associação de delegados da PF

Porta-voz da ADPF aponta que manifestações de ministro sobre invasão de celulares causam desconforto à corporação e que distanciamento "tornaria a investigação menos complicada"

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Jornal GGN – “Ele [Sérgio Moro] é alvo da invasão de celular. O ideal seria aguardar a investigação terminar e o sigilo ser levantado pelo juiz da causa, que não é ele”, disse o presidente da Associação de Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, em entrevista à Folha de S.Paulo, completando que o ministro da Justiça, deveria “manter um distanciamento maior” do caso dos hackers.

O porta-voz da ADPF disse ainda que as manifestações do ministro causam desconforto à corporação. “Porque várias pessoas passam a questionar se o ministro está obtendo informações de investigação sigilosa e a questionar a autonomia da Polícia Federal, o que é algo muito caro para nós.”

Segundo Paiva, “em tese, o ministro da Justiça não deveria ter nenhuma informação sobre investigação sigilosa”, completando que “nem mesmo Moro, com toda a credibilidade que obteve quando atuou como juiz” tem o “poder de entrar na investigação e decidir seus caminhos”.

O chefe da ADPF pondera que o distanciamento certo de Moro em relação ao caso “tornaria a investigação menos complicada”. “O caso é super complexo, houve a invasão da privacidade de várias autoridades e o ministro, como vítima, deve tomar cuidado pelo modo como está conduzindo a apuração”.

O Interessado

Moro é um dos principais implicados nas mensagens capturadas e vazadas ao jornal The Intercept Brasil que, desde o dia 9 de junho, divulga uma série de reportagens mostrando a atuação ilegal do então juiz com os procuradores da força-tarefa da Lava Jato.

As mensagens provam que, além de não atuar de forma imparcial, como juiz Moro ajudou a parte acusatória nas ações da Lava Jato – o Ministério Público Federal – a produzir provas contra os réus, deu opinião sobre como deveriam fazer os acordos de delação premiada e, ainda, adiantou decisões.

Na terça-feira (23), a Polícia Federal cumpriu 11 ordens judiciais, das quais 7 de busca e apreensão e 4 de prisão temporária nas cidades de São Paulo, Araraquara (SP) e Ribeirão Preto (SP). As quatro pessoas presas são suspeitas de hackear telefones de autoridades, incluindo Moro e Deltan, e todas foram transferidas para Brasília, onde prestam depoimento.

Leia também:  Clipping do dia

Na tarde desta quinta-feira (25), o ministro da Justiça, Sérgio Moro, ligou para o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio Noronha, para informá-lo de que ele também teria sido grampeado, completando que iria determinar a destruição do material.

“O ministro Moro informou durante a ligação que o material obtido vai ser descartado para não devassar a intimidade de ninguém”, confirmou Noronha à imprensa.

Em entrevista à Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, disse que apenas o Judiciário poderá determinar se as mensagens apreendidas com os hackers serão ou não destruídas. “Cabe ao Judiciário decidir isso, e não à Polícia Federal”, afirmou o magistrado, completando:

“Há uma responsabilidade civil e criminal no caso de hackeamentos que precisam ser apuradas”. O caso está na 10ª Vara Federal do Distrito Federal, sob a supervisão do juiz Vallisney de Souza Oliveira.

Nesta quinta, Luis Nassif disse na TV GGN que escutou de uma fonte da PF que a instituição não irá repetir o “IPM do Riocentro”, se referindo ao Inquérito Policial Militar aberto sobre o atentado forjado no governo, durante a Ditadura Militar, para incriminar os opositores. O encarregado pelas investigações do IPM na época foi o coronel Job Lorena de Santana, “sujeito que foi incumbido de abafar o caso”, lembra Nassif.

“A Polícia Federal hoje tem um núcleo profissional que garante que não vão permitir a manipulação, a instrumentalização da organização”, completa o analista político.

Leia também:  Pacote Anticrime e PL das armas podem elevar risco de feminicídios

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

9 comentários

  1. Cansado de tomar suco de laranja, o moro agora toma um copo de fel a todo momento.toma moro,toma calado sem sentir o paladar, foi vc que escolheu o fel, canalha!!!!

  2. O Idvandir de Paiva está dando uma de “joãozinho sem braço”
    pra cima da gente, ou ele não sabe o que o Moro fez no verão passado?
    Fica agora dando uma de “bom moço” jogando prá platéia.

  3. “Moro usa o cargo, aniquila a independência da Polícia Federal e ainda banca o chefe de quadrilha ao dizer que sabe das conversas de autoridades que não são investigadas”, disse disse GelipeSanta Cruz, presidente da oab

    3
    1
  4. Começa com uma placa de sinalização de que tudo será investigado corretamente e termina com esta placa indicativa de que nada vai mudar, fique tranquilo

    cada vez mais certo acreditar que realmente não conduzem nada, são conduzidos por um mesmo veículo do passado

  5. Acredito mesmo que a PF possa estar negando fogo para ajudar a Lava Jato.

    É a corporação que tem meios para entender quanto as gestões petistas a prestigiaram de forma correta e decidida. Apenas os áulicos membros da Força Tarefa receberam cargões do também premiado juiz Moro.

    Isto deve causar repulsa na tropa, pois mostra que a instituição PF só serviu para fazer o serviço sujo exposto nas páginas e telas. Somente os que entraram de cabeça nas ilegalidades foram prestigiados. Como bons investigadores, sabem que este tipo de tramoia criminosa não fica escondida a vida inteira e terão que ficar na instituição, já que não foram promovidos, e terão que ser eles a darem as explicações ao inexplicável.

  6. Cara, se eu fosse o Noronha ia pedir pra ver esse material.
    Vai que não tem nada contra ele e o moro só está blefando pra livrar a própria cara.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome