O AI5 assassinou Marighella, por Francisco Celso Calmon

E a Imprensa, que tanto sofreu com o AI5, virou masoquista, quer padecer novamente? Um jornalismo investigativo já teria levantado quem banca Adélio Bispo, por que Queiroz vive às soltas para continuar a delinquir, e a história de enriquecimento dos operadores da lava jato.

Arte Outras Palavras

O AI5 assassinou Marighella

por Francisco Celso Calmon

Há 50 anos, no dia de hoje, 4 de novembro, o Estado terrorista assassinava o comandante da Aliança Libertadora Nacional, Carlos Marighella, de forma covarde, através de emboscada e sem qualquer chance de defesa, na alameda Casa Branca, em São Paulo.  Poderia tê-lo prendido, mas o pervertido delegado Fleury e sua gangue o mataram fria e premeditadamente. Considerado pela ditadura militar como seu inimigo público número UM, temiam-no mesmo preso. 

Infeliz coincidência, no mesmo dia eu era preso pelo famigerado coronel Paulo Malhães e sua gangue, no Rio de Janeiro. 

Com o AI5 a ditadura passou ao estágio delinquente de Estado terrorista.

A ditadura, apesar de militar, prendeu 6.591 militares, muitos torturados, exilou mais de 10 mil e torturou em torno de 11 mil, entre elas 95 crianças e adolescentes. Entre mortos e desaparecidos, incluindo indígenas e camponeses, o cálculo não está concluído, estimam que ultrapasse cinco mil brasileiros. 

Os que pregam um novo AI5 homenageiam o coronel Brilhante Ustra (reconhecido pela Justiça como torturador), como já o fez algumas vezes o presidente defensor das milícias, “seu Jair” Bolsonaro. 

Nós que combatemos à DITADURA homenageamos um herói da democracia.  Um negro, filho de imigrante italiano com filha de escravos africanos, nacionalista, libertário, poeta, professor e integralmente revolucionário, como formulador teórico e militante com as armas da crítica e com a crítica das armas.

O atual Estado policial, de inspiração nazifascista, elegeu o Lula como o seu adversário número UM, não podendo matá-lo, vem mantendo-o preso, ao arrepio do devido processo legal.   Sem provas, mas com a convicção dos meliantes de togas.

Fartos indícios dos bolsonaros no assassinato da Marielle e nenhuma convicção dos órgãos da justiça, pelo contrário, atuam para impedir que a verdade suba à superfície. A ponto da encenação açodada das procuradoras do MPRJ. De vergonha em vergonha a desmoralização da Justiça brasileira avança despudoramente. 

Já tivemos a passeata dos cem mil que amedrontou a ditadura, já tivemos as “diretas já”, com um milhão de pessoas, que gerou medo na rede Globo e o ocaso da ditadura. Já tivemos “os caras pintados” que provocaram a queda do Collor. Será que se aproxima o BASTA do bolsonarismo? 

Um motorista foi crucial na queda do Collor, um caseiro na queda de Palloci, qual papel está reservado para o porteiro do condomínio, no qual mora o “seu Jair” e familiares e têm por vizinhos e amigos os matadores da Marielle? 

O porteiro, quando fez seus registros no livro do condomínio, não sabia que iam assassinar Marielle, não poderia, portanto, está orientado, e muito menos ter-se enganado.   Se alguém sabia que Marielle iria morrer, eram os assassinos e mandante(s).

Seu Jair Bolsonaro, presidente da república e virtual suspeito de envolvimento no caso, declarou que pegou, inescrupulosamente, os documentos e gravações do condomínio, objetos de investigação, num ato tipicamente de obstrução à justiça. Se fez isso, é capaz também de ameaçar testemunhas e “acidentar” o porteiro.  Razões suficientes para a prisão preventiva, se não estivesse a justiça aparelhada por meliantes togados. 

Sem limites, até onde chegará a balbúrdia meliante dos bolsonaros?

E a Imprensa, que tanto sofreu com o AI5, virou masoquista, quer padecer novamente? Um jornalismo investigativo já teria levantado quem banca Adélio Bispo, por que Queiroz vive às soltas para continuar a delinquir, e a história de enriquecimento dos operadores da lava jato.

Em várias partes do país haverá homenagens a Marighella. O Fórum Memória, Verdade, Justiça, a CUT-ES, o Comitê Lula livre, a FBP, o Levante popular da juventude, a UNE, o PT estadual e municipal de Vitória, estão convidando demais entidades de esquerda e a todas e todos lutadores da democracia popular, a virem conosco nesta lembrança e tributo a Carlos Marighella, hoje, dia 4, às 18:00 hs, na Praça Costa Pereira, onde está localizado os monumentos dos capixabas mortos e desaparecidos pela ditadura militar, batizado de praça vermelha.

Nossos heróis não morrem, se os cultivarmos na memória do povo, como semente permanente ao florescimento de juventudes revolucionárias (como pregou o Papa Francisco), na perspectiva da construção de um Brasil soberano, libertário e democrata, como sonhou e lutou Carlos Marighella. 

Marighella está para a luta da liberdade do povo brasileiro da opressão da ditadura, como Zumbi dos Palmares para a libertação dos negros da escravidão e Marielle para a luta de classes da atualidade.  

Os nomes Marighella e Marielle se assemelham como as suas lutas: ambos começam com as primeiras duas sílabas iguais, Mari, e as finais com o L dobrado, o dele termina com ella, o dela termina com elle. 

Marighella Vive, Marielle Vive.

Francisco Celso Calmon é Advogado, Administrador, Coordenador do Fórum Memória, Verdade e Justiça do ES; autor do livro Combates pela Democracia (2012) e autor de artigos nos livros A Resistência ao Golpe de 2016 (2016) e Comentários a uma Sentença Anunciada: O Processo Lula (2017).

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