O DVD pirata no AeroLula x 39 kg de cocaína na comitiva de Bolsonaro

Bolsonaro já defendeu pena de morte para traficante, mas isso foi antes de um militar da comitiva presidencial ser pego com 37 pacotes de cocaína na Espanha. A mídia - que escandalizou o fato de Lula ter assistido a um DVD pirata no avião da FAB - agora finge costume

Foto: Agência FAB

Jornal GGN – A notícia de que um militar brasileiro foi preso na Espanha, com 39 quilos de cocaína numa mala de mão, parece ter feito mais barulho na imprensa internacional do que por aqui.

O sargento Silva Rodrigues, segundo declarações dadas pelo vice-presidente Hamilton Mourão, viajou à Espanha na frente do avião presidencial, numa aeronave “auxiliar”, e embarcaria junto com a comitiva de Jair Bolsonaro quando este retornasse do Japão ruma a Brasília.

Ao longo desta quarta (26), o assunto foi dissolvido de outras notícias dos meios tradicionais de massa, que passaram longe de enquadrar a Presidência pelo feito.

São dois pesos e duas medidas, se compararmos à atenção dada ao episódio em que Lula foi pego assistindo a um DVD pirata dentro da aeronave presidencial batizada de AeroLula, em 2005.

 

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A história de Lula saiu no Jornal Nacional no dia 9 de novembro de 2005. Nas semanas seguintes, a imprensa continuou repercutindo e polemizando o “crime” de “apologia à pirataria”.

O filme era “Dois filhos de Francisco”. Menos de 1 mês depois da “descoberta”, a Polícia Federal até prendeu um suspeito de ter “repassado” a versão pirata da biografia de Zezé di Camargo e Luciano para o ex-presidente Lula.

Enquanto isso, o evento envolvendo o governo Bolsonaro caminha sem grandes questionamentos no Brasil. Não se sabe até que ponto – somente no final da tarde de quarta (27) é que a identidade do militar foi revelada.

Ele será investigado pelas autoridades espanholas por tráfico de drogas.

Enquanto isso, nas redes sociais, o próprio Bolsonaro tenta amenizar a situação. Ele divulgou a seus seguidores que o militar fora “apreendido”, e não preso, “portando entorpecentes”, e não traficando drogas em nível internacional.

No passado, os Bolsonaro não foram tão cheios de dedos assim. O filho do presidente e atualmente chanceler informal, Eduardo Bolsonaro, já defendeu pena de morte para traficantes, a exemplo do que acontece na Indonésia. Em 2015, um brasileiro foi executado naquele País por causa desse crime, e membros da bancada da bala comemoraram.

Aqui no Brasil, Bolsonaro pai defendeu, no máximo, a instauração de um Inquérito Policial Militar (IPM) para elucidar o caso.

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