Jornal GGN – “Procuradores brasileiros que acusaram Lula tramavam em segredo mensagens para impedir que seu partido fosse vencedor das eleições 2018”. Essa é a manchete do The Intercept ao mundo, na versão em inglês, que foi exposta pelo jornal de Glenn Greenwald no que foi considerado uma das maiores revelações “da historia do jornalismo” e maior até que o arquivo de Snowden.

Se a versão brasileira menciona como destaque principal a “colaboração proibida” de Sergio moro e Deltan Dallagnol, a internacional vai além e privilegia a informação do impacto das ações consideradas ilegais do juiz de primeira instancia Lula diretamente na política brasileira e na escolha do candidato que iria governar o país.

E a versão da reportagem que diz respeito exatamente sobre os esforços feitos por Moro para orientar e ajudar Dallagnol a incriminar Lula também carrega junto no título -e não somente no texto em si- as dúvidas sobre as provas. É que as versões em inglês, as que justamente foram usadas pelo mundo para repercutir o furo investigativo, resumiram em duas grandes reportagens as quatro até agora reveladas pelo The Intercept Brasil.

O resultado disso é justamente em como divulgaram todos os grandes jornais do mundo o caso que balançou o Brasil nesta semana: “Mensagens vazadas despertam dúvidas sobre a Justiça anti-corrupção no Brasil”, esse foi o título de nada menos que o The New York Times, na reportagem em inglês e espanhol que figurou na capa do considerado maior jornal dos Estados Unidos.

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“Mensagens entre agentes judiciais e policiais no Brasil que foram vazados despertaram dúvidas sobre a integridade da investigação de corrupção que sacudiu o poder politico e empresaria do pais, que teve sequelas em toda a America Latina. Trechos de conversas em mensagens de texto, publicados no domingo pelo site noticioso The Intercept, sugerem que o juiz Sergio Moro, o magistrado mais proeminente no julgamento dos casos da Operação Lava Jato, fez consultas e assessorou os procuradores federais sobre a estratégia para as investigações de várias figuras políticas destacadas”, introduz a reportagem.

Outra parte da reportagem do NYTimes diz: “Com Lula preso, se liberou o caminho para a eleição de Jair Bolsonaro, politico de extrema direita que depois designou a Moro como ministro da Justiça e ofereceu nomeá-lo ao Supremo Tribunal Federal (STF) quando houvesse uma vaga”.

Trazendo a análise para além do espectro brasileiro, o jornal lembra que “o escândalo teve consequências mais alem do país: presidentes latino-americanos foram condenados e estaria vinculado a suicídios de pelo menos dois suspeitos e ao homicídio de uma testemunha na Colombia.”

“Durante os primeiros anos, o escândalo da Lava Jato pareceu marcar um momento de transformação para o Brasil e boa parte da região, e tanto Moro como outras figuras envolvidas se converteram em heróis populares. Mas seu legado vem sendo questionado recentemente a medida que mais brasileiros debates qui os impulsores da operação anti-corrupção foram motivados pelas suas preferências políticas”, continuou.

O britânico também referenciado mundialmente The Guardian estampou: “Brasil treme ante a acusações de que o juiz que prendeu Lula colaborou com os investigadores”. “Os chats de celulares infiltrados publicados pelo The Intercept sugerem que Sergio Moro, agora ministro de Justiça, orientou um caso contra o ex-presidente”.

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“O Brasil se sacudiu com as acusações de que um juiz proeminente colaborou repetidamente com fiscais durante as investigações de corrupção de alto nível, incluindo o controverso caso que encarcerou o ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva. De acordo com o The Intercept, Sergio Moro deu aos procuradores conselhos estratégicos, criticas e sugestões durante a extensa investigação sobre a corrupção conhecida como Lava Jato, que prendeu centenas de executivos, políticos e interlocutores”, escreveu o jornal britânico.

“As mensagens poderiam abrir caminho para que os advogados solicitem a Corte Suprema a anulação da condenação de Da Silva, conhecido amplamente pelos brasileiros como Lula”, expôs o The Washington Post, ao entrevistar o advogado criminalista Joao Paulo de Martinelli: “’Se ficam demonstrados que estas mensagens são corretas, houve uma parcialidade do juiz na condenação de Lula’”, disse o advogado ao jornal norte-americano The Washinton Post.

O The Washinton juntamente como milhares de jornais do mundo inteiro também trouxeram a cobertura da agencia internacional de noticias AP Press, com a impactante manchete: “AP Explica: Vazamentos desafiam provas da Lava Jato”.

A reportagem da agencia mundial começa com um trecho que vale reproduzir:

“Uma nova reportagem questiona a imparcialidade do juiz no coração de uma campanha brasileira contra a corrupção que acusou dezenas de políticos e empresários de alto nível no Brasil e no estrangeiro. O jornal online The Intercept informa que documentos infiltrados mostram que o juiz Sergio Moro estava guiando ilegalmente a procuradores em um caso levou ao encarceramento do ex-presidente Luis Inacio Lula da Silva, uma acusação que ele nega.”

E o último parágrafo diz:

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“The Intercept diz que os documentos revelam que Moro, quem havia sido colocado como um herói por comandar a investigação, ajudou a guiar os procuradores em um esforço por condenar Da Silva, quando ele deveria ter sido imparcial. Também informa que os documentos mostram que os procuradores duvidaram da solidez das provas. O advogado de Da Silva, Cristiano Zanin, diz que a Procuradoria estava “corrompida” e que o ex-presidente deveria ser liberto. Moro e o vice-presidente da Republica Hamilton Mourão afirmaram que as conversas foram colocadas fora de contexto e defenderam a investigação.”

 

 

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9 comentários

  1. Pois é né… Sérgio Moro está com medo de renunciar ao cargo de Ministro da Justiça porque não confia na imparcialidade da Judiciário brasileiro ou ele prefere conduzir parcialmente uma investigação em que é o principal interessado?

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  2. com essas denúncias, o pânico parece que tomou
    conta desses ativistas que defendem e
    praticam o estado de exceção seletivo……
    a midia internacional sempre cobriu com maior
    amplitude e correção o que acontece no brasil…
    portanto, não é novidade que tb desta vez consiga
    inclusive com palavras mais fortes ainda
    denunciar a vaza-jato com mais coragem
    e amplitude do que a nossa grande midia
    costumeiramente golpista como o grupo globo,
    historicamente contra os interesses populares –
    remember suicidio de vargas e golpe de 64 contra jango
    e impedimento de dilma agora em 2016.
    certamente, há interesses maiores do que estes até
    agora divulgados e desconhecidos, não sabidos
    (ou interrompidos por sabidinhos demais)…
    obviamente todos querem saber quais são…
    espera-se que o the intercept divulgue tudo oque tem,
    sem que se repita o caso do wikileakes,
    que acabou de repente, por interesses ainda obscuros…

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  3. “Durante os *******primeiros******* anos”…
    “seu legado vem sendo questionado *******recentemente*******”…

    O NYTimes continua mentindo. Nao ha como disfarcar.

  4. Acredito que a estratégia do intercept está errada……
    Moro não foi demitido e sim condecorado, Lula não vai ser libertado, pois teve o julgamento adiado….
    Quanto mais o tempo passa, e o susto inicial enfraquece, mais os abutres irão batalhar pra esfriar o escândalo..
    Possivelmente já estão pensando até em outro escândalo para abafar e tirar o foco……
    Mais vazamentos para deixar todos os personagens nefastos nas cordas, não precisa escrever quinze páginas a cada quatro linhas de conversas…..nesse ritmo a coisa toda cairá no esquecimento……
    Ou abre para todos tomarem conhecimento das conversas…..

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  5. O Brasil segue confirmando que é um país fora da lei e governado por bandidos.
    Infelizmente o nosso povo é incrivelmente ignorante e não tem a menor noção da gravidade dos fatos agora denunciados mas que muitos já sabiam sem precisar de divulgação de diálogos.
    E o maior câncer incrustado no pâncreas do Brasil, a globo, segue a todo vapor tentando esconder este escândalo em que ela é sócia majoritária. Mais um.
    Se houvesse justiça e decência neste país este bandido moro e o débil mental dellagnol já estariam atrás das grades, o Lula solto o todos os processos anulados, a globo sob investigação com sério risco de cassação da concessão e muitos de lá sob risco de prisão. A eleição deste boçal também estaria sob grande risco de anulação.
    Não podemos esquecer a atuação na farsa de muitos outros do mpf, trf4, stj e até stf, todos claramente envolvidos no golpe que destruiu o país.
    Mas, como somos um país de merda para merdas é muito provável que nada aconteça e o Gleenwald seja preso.

  6. Sendo verdade que as provas contra a má conduta dos juízes e procuradores são abundantes e diversas, então é certo que não podem ter sido obtidas por hacker, e sim por algum desafeto interno, dado o volume e diversidade do material. Tudo terá que ser anulado e os responsáveis pelo uso indevido das atribuições deles devidamente punidos. Incluindo aí a juíza Gabriela Hardt, claramente uma deslumbrada com os quinze minutos de fama obtido sob pena de todas as Instituições desmoronarem de vez. Ademais, são à toda evidência, desonestos mesmo, tanto essa gente do judiciário quanto da procuradoria e de polícia federal. E pergunto: se colocarem alguém para investigar, será alguém da própria PF?

  7. O certeiro estrago está feito em Moro, na lama jato, na PF, nos tribunais superiores, nos tribunais regionais, no senado, na câmara e na grande mídia, que está sendo humilhada letalmente pela imparcialidade, profissionalismo e a alta competência investigativa do The intercept. Ainda assim, obedientes paus mandados conhecidos como: capataz, capitão do mato, leão de chácara, jagunço, vassalo e serviçal são obrigados a resistirem nas barreiras corporativistas, nas coligações golpistas usurpadoras, nas autoridades partidaristas explícitas, nas fake news e lawfares de primeiras páginas e de horário nobres. Tentam segurar o apodrecido mastro, que com muito custo ainda sustenta a simbólica e fragmentada bandeira de um falecido projeto de eleição, do deslumbrado ex-juiz para 2022.

  8. Estropiaram os principios constitucionais do Direito Penal, limparam as bundas com as Leis que regulam a atuação dos agentes do Sistema de Justiça, corromperam a ética profissional, usaram a imprensa para adquirir um poder quase absoluto, ameaçaram adversários dentro do MPF e do Judiciário, tentaram tungar bilhões de dinheiro público para criar um aparelho privado de poder político, violaram as prerrogativas dos advogados… e cometeram uma só cagadinha: COMBINARAM TUDO PELOS SMARTPHONES. Eles pareciam grandes, mas de fato eram apenas anões de jardim (digo isso pensando em dois contos de Lygia Fagundes Telles) que subiram nas costas largas do clã Marinho.

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