Paraisópolis, a favela que enfrenta o coronavírus na ausência do Estado

Comunidade se organiza por equipe médica própria, distribuição de marmitas e monitoramento de casos suspeitos de COVID-19

Beco é grafitado para homenagear os jovens mortos em Paraisópolis no ultimo domingo (1/12).

Jornal GGN – Com mais de 100 mil habitantes, a favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, decidiu não ficar esperando de braços cruzados a criação de políticas públicas de enfrentamento ao coronavírus que sejam específicas para a região. É exemplo de como as comunidades se organizam para compensar a ausência ou o pouco alcance do Estado.

Com recursos arrecadados a partir de uma vaquinha virtual, Paraisópolis decidiu contratar uma equipe médica (dois médicos, dois enfermeiros e três socorristas) e mais 3 ambulâncias que operam 24 horas (sendo uma UTI móvel), que ficam à disposição da população. Segundo dados do G1, somente na última semana eles realizaram 51 atendimentos.

Em uma iniciativa pioneira, a comunidade selecionou 420 voluntários que viraram “presidentes de rua”. Cada um deles monitora trechos com cerca de 50 casas, para verificar diariamente quem precisa de comida ou se alguém apresenta sintomas de COVID-19. Dessa forma, 21 mil moradias são assistidas.

Em outra mão, a Associação de Mulheres de Paraisópolis colocou 15 mulheres na linha de frente da produção e distribuição de 1.300 marmitas por dia.

A estrutura criada até agora deve durar até o final do mês. A campanha pretende arrecadar 1 milhão de reais e, até agora, pouco mais de 250 mil reais foram levantados, mas nem todos os pagamentos foram feitos.

Por fim, há tratativas com governo estadual para transformar as escolas em leitos para pacientes com sintomas mais leves de coronavírus.

Clique aqui para colaborador com a enfrentamento em Paraisópolis.

 

1 Comentário

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  1. Fantástico, emocionante. A solidariedade é a principal característica dos pobres. Pobres em recursos mas riquíssimos em bondade.
    Meus parabéns.
    PS. Como podemos contribuir?

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