Pazuello está espalhando a nova cepa de Manaus por todo o país, por Luis Nassif

É curioso o comportamento de alguns especialistas em epidemias, tão envolvidos em pequenos detalhes técnicos, que fecham os olhos até para temas de senso comum.

Refiro-me a Fernando Reinach, colunista do Estadão e formador de opinião da mídia em relação à pandemia. Em sua coluna no Estadão é apresentado como PHD em Biologia Celular e Molecular e autor de “A chegada do novo coronavirus no Brasil”.

Nos últimos meses, suas análises foram enviesadas pelo que parecia ser uma disputa pessoal com o diretor do do Butantã. Desmereceu o quanto pode a vazina Coronavac. Quando o Butantã montou o jogo de cena – o vídeo celebrando 100% de eficácia da vacina – correu a endossar a armação, pois vulnerável, devido a seu histórico de ceticismo. Depois, constatou-se que a contagem se referia a um recorte apenas e que a celebração, em vídeo, era apenas marketing.

O que acontece agora? Vamos analisar o caso de Manaus com olhos de leigos, mas recorrendo ao bom senso:

Há informações confirmadas pela Fiocruz de que a nova onda é fruto de uma cepa do Covid-19, muito mais contagiosa e letal.

A cidade não dispõe de leitos de UTI suficientes e as pessoas morrem nas filas. O correto seria pressionar as autoridades para ampliar a oferta de UTI, valendo-se dos aviões da FAB e da disposição de ajuda nacional e internacional.

Em vez disso, monta-se uma operação para levar 1.500 doentes de Manaus para outras cidades. Ou seja, espalhando a nova cepa por todo o país.

O Ministro da Saúde, general Pazuello, é um completo sem noção. Foi anunciada sua ida para Manaus apenas com passagem de ida. Para que avaliasse in loco a situação e tomasse as medidas adequadas? Não, porque é de lá e queria um pouco de convivência com a família. Por isso não se deu conta do óbvio, da estratégia adotada estar espalhando a nova cepa por todos os cantos do país.

Voltemos aos artigos de Reinach. Em sua última coluna no Estadão sustenta que “a ciência fez sua parte e agora a guerra contra o vírus depende de quem nos governa”. E nenhum alerta sobre o óbvio, a disseminação da nova cepa pelo país, indesculpável em que tem à sua disposição o trombone da mídia e não sabe utilizar.

O alerta tem sido feito – sem muito eco – pelos epidemiologistas da Fiocruz em Manaus e por Paulo Lotufo, que sugeriu o óbvio: bloqueio completo de quem entra e sai da cidade.

A mensagem foi captada por Laurie Garret, uma das principais jornalistas americanas sobre temas de saúde, que retuitou a mensagem de Lotufo. Depois disso, epidemiologistas de várias partes do mundo entraram em contato, alarmados com o grau de irresponsabilidade da política de saúde brasileira.

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