Porque Lula se recusa a assinar manifesto ou se unir com FHC contra Bolsonaro

“Estou dizendo pra gente não pegar o primeiro ônibus que tá passando. Estão querendo reeducar o Bolsonaro, mas não querem reeducar o Guedes”, disse Lula

Jornal GGN – Não dá para o PT embarcar no “primeiro ônibus” que está passando contra Jair Bolsonaro. É com esse argumento que o ex-presidente Lula se recusou a assinar o manifesto “Basta!” e também tem evitado participar de debates com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A notícia gerou debates nas redes sociais, com questionamentos sobre se é o momento de insistir na cisão em vez de unir forças contra o Bolsonaro, ainda que essas forças estejam em polos opostos. Para Lula, há um critério a ser seguido.

Esse critério seria a oposição ao programa econômico neoliberal de Bolsonaro, encampado por Paulo Guedes. O ex-presidente petista disse que não há como se juntar com alas que defendem a saída de Bolsonaro mas concordam em manter as reformas de Guedes, que seria o caso de FHC e de grupos midiáticos como Estadão e Rede Globo.

“Estou dizendo pra gente não pegar o primeiro ônibus que tá passando. Estão querendo reeducar o Bolsonaro, mas não querem reeducar o Guedes”, disse Lula em um evento do PT. “Tem pouca coisa de interesse da classe trabalhadora nesses manifestos. O editorial do Globo é uma proposta de acordo pra manter o Bolsonaro”.

Em sua coluna na Folha de S. Paulo, Mônica Bergamo lembrou que há também um componente político e pessoal na resistência de Lula a FHC.

“Na visão do ex-presidente e do PT, Fernando Henrique foi ativo nas articulações pelo impeachment, apoiou pautas anti-sociais de Temer e nunca se contrapôs à máquina de fake news bolsonaristas ou ao que definem como perseguições judiciais a Lula.”

O manifesto Basta! conseguiu reunir assinaturas entre políticos e juristas garantistas e defensores da democracia, mas também contou com o apoio de figuras que o PT vem criticando duramente nos últimos anos por causa dos processos da Lava Jato contra Lula. O ex-procurador de Curitiba, Carlos Fernando dos Santos Lima, assina o manifesto.

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