Programa Brasil sem Miséria desafia articulações

Tereza Campello revela extratégias do Ministério do Desenvolvimento Social para combater pobreza extrema no Brasil
Exterminar núcleo duro da pobreza requer medidas complexas e ainda em fase de desenvolvimento, afirma Tereza Campello 
 
No Brasil, cerca de 28 milhões de pessoas saíram da situação de extrema miséria na última década, e 40 milhões ingressaram na classe média. Mas ainda restam 16 milhões sobrevivendo com uma renda familiar per capita inferior a 70 reais por mês.
 
Segundo a ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, alcançar o “núcleo duro” da pobreza tem requerido uma série de medidas complexas, muitas ainda em fase de desenvolvimento. 
 
Convidada para abrir o 16º Fórum de Debates Brasilianas.org – O Consumidor Invisível -, realizado hoje (01), em São Paulo, Campello revelou que 60% da população de extrema pobreza se concentra no Nordeste, 85% estão nas regiões urbanizadas, 40% têm menos de 14 anos de idade e 70% são analfabetos ou possuem ensino fundamental incompleto. 
 
A ministra destacou três mecanismos “estratégicos” que viabilizaram a saída de milhões de brasileiros da faixa da extrema pobreza, entre 2003 e 2010: a valorização real e permanente do salário mínimo; o conjunto de políticas de transferência de renda, dentre elas o Bolsa Família; e a terceira foi o aumento do crédito ao agricultor familiar, “que deu sustentação para o fortalecimento de renda”. Neste ano, o valor do crédito saltou para R$ 16 bilhões, em vista dos R$ 2,6 bilhões quando o mecanismos foi criado. 
 
Além do crédito agrícola, que impediu maior concentração de renda no meio rural, outra contribuição foi a compra pública sistemática das produções da agricultura familiar, em especial para alimentação escolar. “Nossa meta é aumentar essa compra em até quatro vezes até o final do mandato Dilma”, completou Campello.
 
A ministra, que coordena o programa Brasil sem Miséria, disse que o governo percebeu que para tirar os 16 milhões de brasileiros que ainda estão em situação de miséria não adianta apenas disponibilizar renda ou serviços públicos, pois a situação dessas pessoas é de tanta fragilidáde que dificilmente reconhecem seus direitos.
 
Nesse sentido o Estado tem obrigação de ir até elas através de multirões, como os já realizados nos municípios da região Nordeste que faziam parte do chamado Arco do Desmatamento e, mais recentemente, nos 11 municípios que ficam em torno da construção da usina de Belo Monte. “Vi gente que, no mesmo dia, tirou certidão de nascimento, RG e se casou”, lembrou a ministra. 
 
A ministra destacou que, no meio rural, o governo tem disponibilizado cursos de aperfeiçoamento da mão de obra. Nesse caso, o desafio tem sido encontrar pessoas locais para serem treinadas e repassar conhecimentos. 
 
“No novo passo, temos que olhar para as regionalidades. Então, o Brasil sem Miséria está tratando de forma diferente macrorregiões, estados e municípios, por exemplo, se são mais especialistas em feijão, na caprinocultura, etc”. 
 
Outra estratégia da ministério é a ampliação do Cadastro Único das famílias de baixa renda, para contribuir com políticas direcionadas conforme o perfil de cada grupo.

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