Ramagem é o tipo que dá informações em troca de favores, mostra mensagem de Telegram

Em 2015, Dallagnol instigou apuração contra Alexandre Ramagem, que hoje assume a chefia da Polícia Federal

Jornal GGN – Nova reportagem do Intercept Brasil, com base nas mensagens de Telegram trocadas entre membros da Lava Jato em Curitiba, mostra que o delegado Alexandre Ramagem era visto nos bastidores como um agente que trocaria informações sobre casos em andamento em troca de “favor político futuro”.

Amigo pessoal de Carlos Bolsonaro, Ramagem foi nomeado diretor-geral da Polícia Federal nesta terça (28). A publicação está no Diário Oficial da União. Ele assume o lugar de Maurício Valeixo, demitido por Jair Bolsonaro na semana passada. A exoneração provocou a saída de Sergio Moro do governo. O ex-juiz acusou o presidente de intervir na PF para ter acesso privilegiado a inquéritos de seu interesse.

De acordo com o Intercept, em 2015, o procurador Deltan Dallagnol enviou a delegados da Lava Jato uma mensagem tentando colar Ramagem a uma investigação sobre Mario Fanton, um delegado que ousou acusar colegas de Curitiba de obstruir inquéritos. Em contrapartida, Fanton virou alvo de investigação por quebra de sigilo funcional.

Na mensagem, Dallagnol diz: “Info de inteligência: Fanton tem grande amigo, carioca, na direção geral, o qual é mto ligado ao PT, e esperaria favor político futuro em troca de infos para melar o caso, segundo algumas fontes dizem”. A informação foi repassada aos delegados Luciano Flores, Marcio Anselmo, Igor Romário e ao ex-procurador Carlos Fernando dos Santos Lima.

Nada ocorreu desde então. Em 2017, Dallagnol voltou a falar de Ramagem, agora alertando que ele teria relação íntima com o então procurador Angelo Villela, da Operação Greenfield. Villela foi preso sob acusação de vender informações para a JBS, no dia seguinte ao vazamento de grampo de Joesley Batista contra Michel Temer. Também não há desfecho nesse capítulo da história.

Ramagem, desde então, atuou na Lava Jato do Rio de Janeiro junto ao TRF-2, e comandou a Operação Cadeia Velha, que atingiu o clã Picciani e outros caciques políticos do Estado. Depois, passou alguns anos fazendo trabalhos administrativos até virar coordenador da segurança da campanha de Jair Bolsonaro, após o episódio da facada.

Com Bolsonaro eleito, Ramagem foi indicado para a superintendência da Polícia Federal no Ceará, mas não assumiu, pois virou assessor direto do então ministro da Secretaria de Governo da Presidência, general Santa Cruz. Quando o general caiu, Ramagem assumiu a Abin e passou oficialmente a abastecer o governo Bolsonaro com informações de inteligência.

Ainda hoje ele dá aulas sobre grupos de extermínio.

Leia também: De grupos de Extermínio à Lava Jato: a ficha de Alexandre Ramagem

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora