Silvio Almeida sobre Decotelli: “O que fará diante de um governo disposto a destruir o país?”

"Paremos de olhar para o indivíduo. Olhemos para como o governo trata a educação em um país de profunda desigualdade", sugeriu o jurista

Jornal GGN – O jurista e professor universitário Silvio Almeida comentou no Twitter a nomeação do economista Carlos Alberto Decotelli para o Ministério da Educação, no lugar de Abraham Weintraub. Presidente do Instituto Luiz Gama, Almeida chamou atenção para a “manipulação da identidade racial” em torno da escolha de um ministro negro.

“É sintomático que a comemoração seja ‘finalmente temos um negro no Ministério da Educação!’ e não ‘finalmente temos um técnico no Ministério da Educação!’. Isso demonstra como a manipulação da identidade racial é feita”, comentou.

Para Almeida, o novo ministro “será o tempo todo questionado por seu pertencimento racial” e não por suas decisões técnicas. E quem fará essa politização do cargo, usando a identidade racial, não serão os “progressistas”, mas “o próprio governo e seus apoiadores que irão levantar a questão toda vez que uma crítica, mesmo técnica, for feita ao Ministério da Educação.”

“Com isso joga-se um peso nas costas do indivíduo racializado, que não será analisado apenas por seu desempenho. E isso interessa a um governo que vê a educação como parte de uma disputa ideológica e não como projeto de nação”, explicou.

Para Almeida, esse debate em torno da cor do ministro, e não de seus planos para o MEC, escondem algumas questões centrais: “1) o que pode um técnico, mesmo de alto nível, fazer diante de um governo disposto a destruir o país? 2) o que fará o Ministro frente aos grandes problemas da educação em um governo influenciado pelo negacionismo?”

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“Paremos, portanto, de olhar para o indivíduo. Olhemos para como o governo trata a educação em um país de profunda desigualdade. Olhemos para a aplicação dos recursos e seus impactos. Olhemos para as políticas públicas. É isso que importa”, sugeriu.

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3 comentários

  1. As perspectivas são boas, e ainda que o governo seja capaz de apelar para a identidade racial para sabotar a educação, as entidades receberão com esperança o novo ministro. Restará a ele conciliar os polos e resistir ao desmonte.
    Esperemos que não se repita exemplo do ministério da saúde ocupado por Mandetta ,onde as pessoas técnicas e capacitadas despertam a destrutiva inveja desse governo mambembe e inculto.

  2. Proposta estranha essa de pararmos de olhar para o indivíduo. Em primeiro lugar, é um militar à frente da educação. O cara ja trabalhou com Moro, o que ja nos deixa de pé atras, ainda por cima é economista e está envolvido em licitações obscuras. Outro detalhe importante: o que uma pessoa competente e com um vasto curriculum estaria fazendo num governo de imbecil? A cor da pele do ministro não vem ao caso.

  3. Antes de qualquer coisa, o passado do dito não o capacita para ser ministro da educação; outro financeiro, olavista, bolsonário a fazer as contas da entrega dos anéis e dos dedos dos jovens brasileiros aos saúvas-gafanhotos de sempre. Não esperem para ver, retrocedam sobre suas qualificações, seus twiters, seus ataques à liberdade, aos progressistas, por exemplo. Está “amoldado” ao que há de pior neste país e tudo, veja-se, por um “carguinho”. Pobre de nosotros.

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