10 de junho de 2026

Sucessão no União Brasil pega fogo, por Luis Felipe Miguel

Incrível é Lula dar tanto espaço no seu governo para um partido que aloja golpistas indisfarçados e que vota contra ele constantemente
Reprodução Youtube

Sucessão no União Brasil pega fogo

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por Luis Felipe Miguel

Luciano Bivar está saindo da presidência do União Brasil, depois de brigar com ACM Neto. É provável que seja expulso do partido.

Em seu lugar entra seu antigo aliado, Antônio Rueda, pernambucano como ele. Bivar ficou bravo com a destituição e, ao que parece, fez ameaças contra a vida de Rueda.

Em entrevista, Bivar desmentiu com uma frase significativa: “Homem não ameaça, homem faz”.

Agora, as casas de Rueda e da irmã – que, por sinal, é também a tesoureira do União Brasil – foram atingidas por incêndios.

Segundo a investigação preliminar, incêndios criminosos. O advogado de Rueda acusa diretamente Bivar – que, por sinal, possui imóvel no mesmo condomínio das casas incendiadas.

É interessante o União Brasil. O presidente nacional do partido, o vice que será o próximo presidente e a tesoureira morando no mesmo condomínio.

O União Brasil nasceu da fusão do PSL, liderado pela parcela que tinha “rompido” com Bolsonaro, com o DEM (o eterno PFL).

Uma fusão motivada por princípios claros, sobretudo o princípio de controlar a maior fatia possível do fundo partidário.

Hoje, ele tem, entre seus caciques, bolsonaristas assumidos, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado; bolsonaristas envergonhados, como o extremista paulistano, Kim Kataguiri; e gente do Centrão raiz, como o deputado Elmar Nascimento, provável sucessor de Lira na presidência da Câmara, e os ministros Celso Sabino e Juscelino Filho.

Entre os parlamentares de menor expressão política, o União Brasil abriga o senador Sergio Moro.

Incrível é Lula dar tanto espaço no seu governo para um partido que aloja golpistas indisfarçados e que vota contra ele em grande parte das matérias no Congresso.

De Bivar, até agora, se podia dizer que era um político coerente: sempre fiel ao oportunismo mais desavergonhado, fisiológico até a medula. A violência de sua reação à destituição do cargo indica que deve ter muita coisa – muita coi$a mesmo – em jogo.

Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de O colapso da democracia no Brasil (Expressão Popular).

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

Luis Felipe Miguel

Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de O colapso da democracia no Brasil (Expressão Popular).

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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