13 de junho de 2026

Uma inútil sessão judiciária de descarrego


A autoridade do Tribunal deriva da Constituição, não da aceitação de suas decisões. O Direito se distingue da moral justamente porque cria obrigações que independem das escolhas feitas pelos cidadãos.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A dignidade das decisões judiciais emana da Lei aplicada durante o julgamento. Ela não pode depender da percepção dos envolvidos na disputa e do respeitável público, pois sempre que um processo é julgado alguém perde e fica inevitavelmente magoado. Essa mágoa só não é maior e se propaga pelo tecido social quando a Lei foi rigorosamente respeitada pelos juízes encarregados de julgar a causa.

Ao transformar uma sessão do STF num espetáculo de elogio ao Tribunal https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/manifesto-assinado-por-160-entidades-e-lido-no-stf-em-defesa-da-corte,ba04538585be306a461ef20a22851427l6cyzj12.html, o Ministro Dias Toffoli fez o impensável. Ele submeteu a autoridade do Tribunal e a dignidade das decisões do STF à percepção do respeitável público.

A sessão judiciária de descarrego que ocorreu ontem não conseguirá salvar nem o Tribunal, nem o sistema constitucional. O mais provável é que a demonstração de respeito ao STF faça exatamente o oposto. É evidente que o teledrama jurídico encenado com ajuda da OAB revelou ao Brasil e aos inimigos da CF/88 a fragilidade do STF. Entretanto, nunca é demais lembrar que aquele Tribunal não foi colocado nessa posição em que se encontra. A instituição se colocou nela no exato momento em que a maioria dos Ministros resolveu aderir à fraude jurídico-midiático-política que derrubou Dilma Rousseff em troca de aumento salarial para os juízes.

Aplica-se aqui um princípio bem conhecido por Aristóteles:

“… aquele [juiz, Tribunal] que viola a lei não consegue jamais recuperar, independentemente da grandeza de suas ações posteriores, aquilo que perdeu ao distanciar-se da virtude.” (Política, Martin Claret, São Paulo, 2018, p. 243)

A ponte nefasta que foi construída durante o golpe “com o Supremo com tudo”, para permitir que o Direito fosse penetrado pelos princípios do Direito Achado na Boca de Fumo https://www.viomundo.com.br/politica/fabio-ribeiro-a-lava-jato-surgiu-para-construir-o-estado-da-direita.html, não será demolida sem a remoção dos traficantes de conceitos jurídicos. O Poder Judiciário não será salvo por sessões de descarrego. Isso somente ocorrerá se ele for expurgado de todos os juízes, desembargadores e Ministros que ajudaram a construir o Estado da Direita corrompendo nosso sistema constitucional democrático.

Por mais que tentem preservar as aparências para restaurar alguma legitimidade, os Ministros do STF deixaram de ser juízes em 2016 e eles nunca mais serão vistos e respeitados como se fossem o que não são. As críticas não comprometem a autoridade do Tribunal e a dignidade das decisões que ele profere. O que faz isso é a presença de “não juízes” na Corte como se a distribuição de Justiça fosse apenas uma encenação e o Direito pudesse se resumir aos princípios do Direito Achado na Boca de Fumo aplicados para manter Lula injustamente preso enquanto os direitos sociais dos cidadãos brasileiros são pisoteados e revogados com a ajuda dos juízes e procuradores que furam o teto salarial constitucional.

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Comentários fechados.

Recomendados para você

Recomendados