A necessidade de uma firme campanha sindical pela vacinação, por Roberto Bitencourt da Silva

Nada podendo esperar de razoável e que seja cioso com o interesse público, por parte do grosso dos representantes políticos e das autoridades, cabe aos trabalhadores do Brasil perseguir a sua própria salvação.

Agência Brasil

A necessidade de uma firme campanha sindical pela vacinação

por Roberto Bitencourt da Silva

Proliferam as notícias de vacinação pelo mundo, projetada para ter início nas próximas semanas ou já iniciada. Entre outros países mobilizados para responder ao grande desafio sanitário global, despontam nos registros jornalísticos, Indonésia, Rússia, Reino Unido, Argentina, Alemanha, Venezuela, China e Portugal.

Contudo, o Povo Brasileiro vê-se desamparado. Totalmente perdido e desassistido, na esteira do negacionismo criminoso perpetrado por tantas autoridades públicas, desde o início da pandemia de covid-19, sobretudo tendo no governo federal o caso modelar mais abjeto – a obscura figura do seu chefe e dos seus auxiliares, não poucos militares.

Não há previsão de campanha de vacinação. O noticiário informa a inexistência de medidas voltadas à produção e distribuição dos insumos envolvidos. Bolsonaro, o desprezível inimigo número um da Pátria, reiteradamente boicota a promoção de iniciativas de mitigação do contágio, chegando a se posicionar contra a obrigatoriedade da vacinação.

Nada podendo esperar de razoável e que seja cioso com o interesse público, por parte do grosso dos representantes políticos e das autoridades, cabe aos trabalhadores do Brasil perseguir a sua própria salvação. Lutar contra a danação instaurada.

Nesse sentido, existem ao menos seis centrais sindicais significativas e com atuação no Brasil. As entidades que revelam maior representatividade dos trabalhadores e a principal afiliação dos sindicatos de base são a Central Única dos Trabalhadores, a Força Sindical, a União Geral dos Trabalhadores e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil.

De fato, as centrais sindicais brasileiras têm duas décadas mergulharam em um sono profundo. Elas sofreram o baque do desemprego estrutural, da intensa desindustrialização ainda em curso e das inovações tecnológicas que atingem o mundo do trabalho.

Mas, anestesiaram-se sob a lógica da acomodação aos interesses imediatos do lulopetismo no governo – e de seus satélites ou coirmãos de atuação em terreno eleitoral comum, sob uma macrovisão política compartilhada (PDT, PC do B). Domar, negar capacidade de ação dos trabalhadores. Depois a correlação de forças políticas é tenebrosamente reacionária, também em virtude de anos de apassivamento social no País, e muitos não entendem.

As centrais não reformularam ainda o comportamento, malgrado a conjuntura diferente. Prevalece uma alienada rotina burocrática, a despeito do entorno marcado pela destruição acelerada de empregos, direitos, esperanças e vidas. Apassivamento em meio ao incremento da miséria e da desnacionalização econômica. Por sua vez, a Força Sindical sempre foi declaradamente submissa ao jogo do patronato.

Passou a contrarreforma trabalhista e praticamente nada foi feito. Direitos históricos da época de Getúlio, simples e covardemente, pulverizados. A lei do teto constitucional de gastos instituída e necas de pitibiriba. A contrarreforma da Previdência também não contou com a promoção de esclarecimento, agitação, mobilização e ação incisiva, pelas centrais sindicais.

Agora, os trabalhadores de uma miríade de atividades, levados ao cadafalso, desguarnecidos de direitos e desapossados de dignidade elementar durante todo o flagelo da pandemia. Sem garantias de transporte público decente, muitos sem direitos trabalhistas assegurados, sem acesso clínico-hospitalar etc. Sequer podem os trabalhadores do Brasil contar com a vacinação – já disponibilizada internacionalmente! – que lhes proteja a saúde e dos seus entes queridos.

Nesse sentido, ficam as indagações: quando as diferentes confederações e centrais nacionais de sindicatos dos trabalhadores se levantarão e irão promover campanhas, amplíssimas, por diferentes meios, exigindo das autoridades o máximo de presteza para a realização da massiva vacinação da nossa gente?!

Com todas as limitações e um sem número de dificuldades, que têm erodido meios de vida, organização e expressão dos trabalhadores, ainda assim existem entidades com capilaridade nacional que devem representar e defender os trabalhadores do Brasil. Onde estão? O que fazem? Dá para sair da letargia e do sono gostoso de anos? Dá para combater e pressionar esses governos e essas autoridades negligentes, senão criminosas?

É extremamente necessária a realização de firmes campanhas de esclarecimento do Povo e de vigorosas denúncias das autoridades. Politizar a nossa gente! Exigir urgência no trabalho de vacinação! Que se compre tempo publicitário na grade radiofônica e televisiva, paguem-se outdoors, carros de som etc.

Sejam estimuladas reflexões coletivas, acenando e preparando para a eventualidade de uma greve geral por tempo indeterminado. Articule-se o movimento sindical com demais associações populares, em reclamos pela saúde de todos. Nada há de frutífero na espera do Judiciário e de demais círculos das instituições políticas brasileiras.

Para a sorte dos trabalhadores, sempre podem se encontrar as exceções de praxe, com sindicatos setoriais ou geograficamente mais ativos, autênticos e fortes.

Alguns leitores podem alegar que o recurso da greve geral seria inviável, por conta dos trágicos índices de desemprego e informalidade. De fato, uma variável adicional das vicissitudes na cena atual. Todavia, sindicatos (assim como partidos) não somente devem se adequar ao meio, encarnar e canalizar angústias, demandas e ideias das bases. Muitas destas ideias artificialmente forjadas e socializadas pelo enorme poder da mídia e da religião.

As organizações sindicais precisam igualmente atuar e interferir na moldagem desse ambiente. Elevar o nível de consciência e de ação política. Por isso, o trabalho de politização é imprescindível. Especialmente no tempo presente, para os trabalhadores nada pode ser mais importante do que garantir as suas vidas, dos colegas de trabalho, amigos e familiares.

Como dizia um velho e sábio alemão, a libertação das cadeias espoliativas, alienantes e opressoras do capitalismo só pode ser realizada por obra da ação dos próprios trabalhadores. Se no momento não dá para depositar uma tal expectativa redentora e grandiloquente, ao menos vale para pensar e agir na defesa efetiva das vidas da nossa gente trabalhadora.

Roberto Bitencourt da Silva – historiador e cientista político.

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1 comentário

  1. Que sindicatos?! O que representam hoje em dia? A esmagadora maioria dos trabalhadores não tem nenhum vínculo com sindicatos. Acorda, meu chapa! A cabeça está nos anos 1980, 90! A-cor-da!

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