A síndrome de vira-lata e a irresponsabilidade do simbolismo presidencial do bolsonarismo, por Cesar Calejon

Somente nas duas últimas semanas, Jair Bolsonaro fez afirmações e divulgou conteúdos que menosprezam o próprio povo brasileiro de forma irresponsável frente à sociedade internacional

A síndrome de vira-lata e a irresponsabilidade do simbolismo presidencial do bolsonarismo

por Cesar Calejon

Conforme explanado em outros artigos, o simbolismo presidencial é uma das principais forças de qualquer gestão federal. As ideias adotadas e avançadas pelo presidente e membros do seu gabinete ganham ressonância na cultura popular do País e se consolidam em ações práticas que orientam o rumo da nação. Portanto, é necessário muita cautela na forma como este instrumento político é utilizado. Infelizmente, a gestão bolsonarista parece desconhecer ou simplesmente ignorar este fato.

Somente nas duas últimas semanas, por exemplo, Jair Bolsonaro fez afirmações e divulgou conteúdos que menosprezam o próprio povo brasileiro de forma absurda e irresponsável frente à sociedade internacional.

No dia 26 de janeiro, o ex-capitão, que foi eleito por mais de 57 milhões de brasileiros, questionou em alto e bom som: “Qual país está dando certo? Brasil ou Estados Unidos?” As interrogações retóricas foram feitas para se posicionar a favor da deportação de cinquenta brasileiros, que foram trazidos de El Paso, no Texas (EUA), para Belo Horizonte (MG), com algemas nos pés e nas mãos. Bolsonaro defendeu a medida enfatizado que o Brasil é inferior aos EUA, basicamente.

Hoje, o presidente brasileiro usou as suas redes sociais para compartilhar um vídeo no qual Alexandre Garcia, ex-jornalista da Globo, menospreza os brasileiros de forma grosseira. “Alguém teria dúvida de que os japoneses transformariam isso aqui (Brasil) em primeira potência do mundo em dez anos?”, indagou Garcia. “Que seja possível a gente trocar de população com o Japão, que a gente transferisse 210 milhões de brasileiros para o arquipélago japonês e trouxéssemos os 153 milhões de japoneses para o continente brasileiro (..) Lá eu não quero nem ver o que aconteceria”, complementou o jornalista em tom de deboche.

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Para divulgar o impropério cretino do senhor Garcia, Bolsonaro disse: “Alexandre Garcia: 2 minutos para mudar o Brasil. Essa (ideia) é para assistir algumas vezes e compartilhar muitas”. Seguindo o raciocínio vira-lata do simbolismo presidencial bolsonarista, o comentário mais curtido da postagem afirma: “Só ouvi verdades! Desejo uma semana abençoada a todos”.

Outra lição elementar que o bolsonarismo (e boa parte do povo brasileiro) parece desconhecer pode ser compreendida de forma clara no filme Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off, de 1986). “Ninguém respeita alguém que se joga aos seus pés”, diz o protagonista Ferris Bueller.

Evidentemente, o povo japonês tem as suas qualidades e defeitos. Assim como o povo brasileiro. Contudo, cada indivíduo e nação possuem os seus próprios contextos históricos culturais. Ou seja, de forma simples e resumida, cabe a cada qual batalhar para se tornar melhor sem se comparar com quem quer que seja. A despeito do que você é ou tem enquanto sujeito ou país, humilhar-se desta forma subserviente em público complica consideravelmente o seu desenvolvimento. “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”, mas com os japoneses transformando a nossa nação em uma pátria de “primeiro mundo” e brasileiros sendo humilhados com algemas nos pés e nas mãos via aprovação presidencial.

Cesar Calejon é jornalista com especialização em Relações Internacionais e escritor, autor do livro A Ascensão do Bolsonarismo no Brasil do Século XXI.

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3 comentários

  1. Vamos fazer uma vaquinha para o Alexandre Garcia fazer um tour na Coreia, China, Taiwan, Filipinas, Vietnã, Malásia e Indonésia. Em cada um desses países ele deverá catalogar os “avanços” trazidos pelos japoneses à população local quando a mesma vivia sob administração japonesa nos anos 1940. E de lá mesmo ele poderá escrever suas conclusões e desfrutar dos avanços. Não precisa nem voltar.

  2. Conclui-se que Bolsonaro é o único imbecil em todos os tempos que conseguiu ser eleito presidente de um país e que Alexandre Garcia não perdoa a Deus por tê-lo feito nascer no Brasil. Seria excelente para o Brasil que ambos fossem cidadãos americanos! Melhoraria sobremaneira a média da intelectualidade brasileira e reduziria significativamente a imbecilidade reinante no governo e na mídia brasileira. Pena que Deus deixou nascerem humanos com essas características!

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  3. Antes dos Japoneses transformarem o Brasil numa potência, eles iriam atacar Pearl Harbor, praticar selvagerias em Nanquim, estuprando até crianças de 9 anos, etc.
    Alexandre Garcia e Bolsonaro esquecem ou ignoram que a prosperidade do Japão não deriva de seus próprios méritos, mas da pilhagem de outros países.

    O Alexandre Garcia faria um casal perfeito com o ex-Ministro da Educação Ricardo Velez, o qual disse:

    “O brasileiro viajando é um canibal. Rouba coisas dos hotéis, rouba o assento salva-vidas do avião; ele acha que sai de casa e pode carregar tudo”.

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