Os Brasis: contra-golpes, por Arkx

Os Brasis: contra-golpes, por Arkx

na guerra de famiglias a cleptocracia mordeu o próprio rabo. para não ser demolida como as empreiteiras, a JBS recusou-se a seguir mansamente ao abatedouro.

a distância entre Marcelo Odebrecht e Joesley Batista é o tamanho do racha dentro da plutocracia brasileira. um apodrecendo na Guantánamo da Lava Jato & Associados, até delatar Lula; enquanto o outro, com sua “campeã nacional” sob a proteção de USA Incorporation, incrimina Temer e os golpistas.

a realidade se encarregou de comprovar não ser possível qualquer êxito sustentável para empresas multinacionais brasileiras sem o suporte de uma política de Estado. a internacionalização é acompanhada de inevitáveis conflitos de interesses, não apenas com empresas estrangeiras, mas principalmente envolvendo as grandes questões da geopolítica mundial.

enfim vaza a “deduração premiada” que faltava: expor a Lava Jato e o impeachment como operações contra os interesses do Brasil, de suas grandes empresas e de sua população. a luta de classes no interior do próprio setor dominante, facção contra facção, gerou um contra-golpe dentro do golpe.

por outro lado, haja Rivotril para o Lulismo. com todas as suas frágeis lendas desmascaradas desde o golpeachment, já não consegue formular qualquer análise minimamente coerente frente à atual conjuntura. tornou-se impossível aplicar o referencial da conciliação permanente num momento de agudo acirramento da lutas de classes.

apesar disto, como um viciado incurável, o Lulismo persiste agarrado a um de seus mais boçais erros: colocar a Rede Globo o inimigo principal.

apesar do sempre opulento patrocínio do Lulismo à Rede Globo, esta jamais se deixou cooptar inteiramente, mesmo nisto tendo Dirceu se empenhando de corpo e alma, principalmente de alma. portanto, a Globo pode até ser o inimigo principal do Lulismo, mas não do Povo e Nação.

se a Rede Globo indiscutivelmente faz parte do setor dominante, e é portanto um grande inimigo, ela sempre se alinha com quem de fato manda: a Tirania Financeira Global.

para os banqueiros e o mercado financeiro especulativo só importa sua plataforma de contra-reformas, para aplicar no Brasil o projeto mundial de austericídio. são eles os principais beneficiados pelas contra-reformas, enquanto o conjunto da população, incluindo pequenos e médios empresários, será penalizado.

como o Lulismo sempre foi completamente dependente do financiamento de campanha dos banqueiros, nunca poderia colocá-los em seu devido lugar de inimigo principal. disto surge a manobra diversionista de fazer da Rede Globo o inimigo principal, com a decorrente despolitização do debate e da luta política.

foi assim que chegou-se ao ponto de agora o Lulismo defender a permanência de Temer. pois se a Rede Globo é contra, o Lulismo só pode ser a favor!

a crise é também uma crise da “cúpula”, crise da política da classe dominante. esta “cúpula” já não mais consegue manter sua dominação como antes. a lumpenburguesia brasileira completamente rachada não tem a menor idéia de como a resolver a crise, pois jamais aceitará ser ela mesma a crise.

não são apenas Temer e Aécio, a morte dupla, jogados ao mar: o PSDB é vítima do próprio golpe que ajudou a perpetrar. Aécim se recusa a voltar ao pó sozinho. ameaça descer ao inferno abraçado inclusive com FHC.

os golpistas julgavam que o impeachment nada mais seria do que uma barulhenta tarde de domingo na av. Paulista. o poder que dá o golpe, não é o poder que consolida o golpe. mas desta vez, ao se descascar camada por camada, nada há no centro da cebola. um vácuo que só pode ser preenchido de fora, pelo Povo sem Medo nas ruas.

fracassou a estabilização do golpe. não será possível converter o Brasil numa neo-colônia semi-escravocrata, a não ser aplicando o clamor BolsoNazi e “matar uns 30 mil”.

para acabar de explodir todo o sistema de poder só falta uma peça no Xadrez do Golpe: a participação dos banqueiros na compra do impeachment. chegou o momento de Palocci sair da prisão e entrar para a História.

a recomposição política brasileira passa por um amplo pacto em torno das eleições diretas, a única maneira de reconstruir a coesão social.

não há coesão social sem um amplo pacto nacional e o reestabelecimento de um viável e estável centro político. o pacto só se viabiliza firmado na perspectiva da centralidade de um projeto de país a serviço do Povo e Nação. e no processo de construção deste novo pacto, compreendido como um fundamento constituinte, a estabilidade só estará garantida com o necessário protagonismo dos movimentos sociais, para evitar que ainda mais uma vez tudo seja exclusivamente decidido na cúpula.

portanto, não haverá pacto e muito menos estabilidade que não se ergam de uma pedra fundamental:

– nulidade do impeachment;

– restauração da [email protected] legítima do Brasil: Dilma Roussef;

– compromisso de Dilma em convocar “Diretas, Já” em todos os níveis;

– revogação de todos os atos e contratos do governo usurpador.

– punição dos responsáveis pelo golpe;

precisamos passar a limpo nossa História.

“Diretas, Já” que não desemboque num Colégio Eleitoral, como em 1985, mas seja um marco inaugural de um novo modo de se fazer política no Brasil.

um retorno de Lula, mas não para repetir o suicídio de Getúlio em 1954. e sim para superá-lo. o que começou a fazer ao enfrentar e derrotar a República de Curitiba em seu bunker, como Getúlio fazendo o mesmo com a República do Galeão.

um Lula reloaded muito além do Lulismo de 2003, para que enfim enfrentemos todos juntos os desafios do Brasil do séc. XXI: desenvolvimento ecologicamente sustentável e socialmente includente, com alinhamento internacional com os BRICS na construção de um mundo multipolar.

a chance está em nossas mãos. deveríamos ser profundamente gratos à vida, por nos conceder a existência num momento tão crucial de nossa História.

vídeo: Era uma vez a Revolução – Quando explode a vingança – “duck, you sucker”

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