Pessoas assim não esperam sacrifício de nós!, por Paulo Fernando Pereira de Souza

Qual o material produzido e alavancado nas redes sociais para o conhecimento dos candidatos a Conselheiros identificados com a defesa do ECA?

Pessoas assim não esperam sacrifício de nós!

por Paulo Fernando Pereira de Souza

Em um conto de Katherine Mansfield: “Garden Party”*, uma família rica preparando uma festa perfeita, num dia perfeito, sabe da morte súbita e acidental de um vizinho pobre que deixa viúva e vários filhos.
A filha se pergunta como celebrar tão próximo de uma tragédia e sua mãe lhe responde com a frase título. Ao conto sobram qualidades literárias para sobreviver ao spoiler.

Décadas após sua publicação, muitas camadas sociais e quilômetros se interpuseram entre os paupérrimos e os realmente ricos, mas cada uma dessas camada parece aspirar ao distanciamento das questões e dores dos que abaixo ficam.

Buscamos distinções instalados em nichos de interação e consumo e conectados por redes sociais que nos devolvem a imagem de nós mesmos, levamos nossas vidas, alguns com as melhores das intenções. No entanto, sinais estranhos aparecem das vizinhanças.

A polícia baiana parece ter instalado as execuções como pauta cotidiana, no Guarujá a retaliação policial mata inocentes e amedronta comunidades, em Pernambuco uma família de um assassino de policiais é dizimada em 12 horas (3 irmãos, mãe e esposa). Que o pianista dos filmes de “bang bang” toque mais alto.

Os lascados realmente não devem esperar solidariedade dos que não dividem suas dores? Nem mesmo dos identificados com a esquerda? Ninguém solta a mão de ninguém, mas quais são as mãos que seguramos?

Os ataques à Teologia da Libertação e às comunidades de base da Igreja Católica trouxeram grandes perdas para a presença de pensamentos progressistas junto à população pobre e periférica. A diminuição do poder dos sindicatos contribuiu para isso, assim como os ataques aos sistemas integrados de Saúde e de Serviço Social (SUS E SUAS) e ao Sistema Educacional público.

Os movimentos sociais especialmente o MST e MSTS, os movimentos antirracistas e LGBTQIA+ são honrosas exceções, mas a dita capilaridade da esquerda não falta somente nas eleições, falta na realidade das famílias pobres.

A presença evangélica ao contrário se dá onde o sofrimento está e assim pode ecoar e ganhar corações e mentes. Essa é uma das bases de um crescente poder político, por exemplo, a Igreja Universal conta com Televisão, Rádios, Partido Político e um projeto de ocupar o poder. Nesse projeto de ocupação de espaço as eleições aos Conselhos Tutelares é super relevante.

Para os Partidos Políticos de esquerda, no entanto, as eleições não parecem tão relevantes, o PT está dedicado as questões da governabilidade, o PSOL curiosamente realiza convenção nacional no dia da eleição para o Conselho Tutelar, ou seja, retira os líderes de sua base. Quais partidos de esquerda se mobilizaram? Quais os centros de mobilização em cada conjuntos de bairros onde houve eleição? Qual o material produzido e alavancado nas redes sociais para o conhecimento dos candidatos a Conselheiros identificados com a defesa radical do ECA? O resultado das eleições poderia ser diferente?

Não contar com bases forte, entranhadas na vida das pessoas, poderá fazer que alguns estejam à direita e outros à deriva.

Paulo Fernando Pereira de Souza

  • (50 Great Short Stories edited by Milton Crane)

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

0 Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador