As impressas paulistas, por Rui Daher

Dar espaço a colunistas com posições opostas não significa neutralidade jornalística, seja em folhas ou telas cotidianas. Apenas e, por décadas, a Folha enganou bobos como eu. O Estadão sempre falou quem era, o que fez eu dele me afastar

https://pt.wikipedia.org/wiki/Correio_Paulistano

Cargas d’água que desconheço fizeram chegar à minha casa, eu ausente explorando andanças agropecuárias, algumas edições do “Estadão” impresso.

Havia muito que não perscrutava as páginas da família Mesquita (ainda são?). No embate paulista entre jornalões, sempre estive com a família Frias, até que dela me divorciei há oito anos. A Folha se mostrava infeliz com os bons ventos que sopravam no Brasil. Era nítido seu partidarismo e ainda mais exclamativa sua aversão ao poder incumbente da época. Provocava-me ódio.

Na segunda metade do século passado, bem antes do lixo eletrônico pois, as bancas de jornais alimentavam nossas preferências de forma mais sortida. Correio Paulistano, Diário da Noite, A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, Notícias Populares, Última Hora, e por aí ia. Boa escolha para se aprofundar em cada causo é o livro de Oscar Pilagallo, “História da Imprensa Paulista” (Três Estrelas, 2011).    

Houve época em que eu lia três ou quatro jornais paulistas e ainda o Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro. Sempre folhas de trás para diante, impossível hoje fazer o mesmo com as telas. Pulava anúncios, classificados, propagandas. Hoje em dia, digitalmente, são eles que nos pulam de forma tão intensa e inesperada que até assusta.

Por motivos profissionais, atualmente, sou assinante do Valor, que de forma galhofeira apelidei de sucursal paulista de “O Globo”. Como informativo econômico, substituiu a Gazeta Mercantil, de Herbert Levy. Fico saudoso.

Tirando o Valor, no estado de São Paulo, exceção às deliciosas folhas interioranas e litorâneas, regionais ou municipais, restou-nos um fatigante Fla-Flu jornalístico, entre Folha e Estadão.

Cansativo, sim. Os dois paulistas, comparados aos principais jornais impressos dos EUA ou europeus, são muito ruins.

Mas se isso é o que temos pra hoje, na comparação recente que pude fazer, o Estadão dá de 7 a 1 sobre a “neutra” Folha de São Paulo. O um, fica por conta de Jânio de Freitas e suas colunas, agora, reduzidas pelos Frias, o editor Sérgio D’Ávila, ou pelo próprio colunista. Sei lá. Não habito a Redação da Rua Barão de Limeira, em São Paulo, onde florescem os truques da neutralidade midiática brasileira. Não que no Bairro Limão deixem de tentar fazer a mesma limonada usando alguns colunistas “de esquerda”.

Penso como deve ter sido difícil, ou ainda o é, para alguns excelentes jornalistas mimetizarem um “rabo preso com o leitor”, que a Folha nunca teve. Lembro os sérios Mário Magalhães e Eleonora Lucena, ombudsman e editora. De Renata Lo Prete, posso entender tudo. Basta ver onde está hoje. Na Globo News, óculos intelectuais de quem muito lê e estômago para ir bem mais longe daquilo que aprendeu com os Frias patrões.

Fato é que percebi o Estadão menos calhorda do que a Folha, em manobras desviacionistas, de neutralidade nunca confirmada. A publicação dos Mesquitas sempre foi conservadora, e daí não mudará. Ambos jornalões, e mais alguns fora de São Paulo, nunca engoliram Lula e o PT. Se pouco elogiavam o muito que o governo fazia, isto era sempre seguido de adversativos.

Os Frias, no embalo dos anos 1970, se fantasiaram de esquerda para acabarem badalando na direita. O Estadão nunca precisou se fantasiar para enganar alguém. Foi sempre patronato, presente!

Dar espaço a colunistas com posições opostas não significa neutralidade jornalística, seja em folhas ou telas cotidianas. Apenas e, por décadas, a Folha enganou bobos como eu. O Estadão sempre falou quem era, o que fez eu dele me afastar.

Jornalisticamente, o Estadão é melhor do que a Folha.

 

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