Grupo de Lima se reúne para discutir formas de pressionar Maduro, diz Heleno

Ministro disse ainda que já sabiam que Guaidó tentaria golpe, mas a previsão era que o ato seria chamado no dia 1º de maio

Imagens de militares venezuelanos divulgada pelo Ministério da Defesa do país — Foto: Divulgação / Ministério da Defesa da Venezuela

Jornal GGN – O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, disse que o Grupo de Lima irá se reunir nesta sexta-feira (3) para discutir formas de pressionar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a deixar o poder.

A declaração aconteceu nesta quinta-feira (2) ao programa Em Foco, da Globo News. “O Grupo de Lima vai ter uma reunião esta semana para continuar a pressionar o Maduro, para que ele tome uma posição e se afaste do governo dele, e é ilegítimo, notoriamente ilegítimo”, afirmou o ministro.

Entre as estratégias pensadas está em aumentar o apoio popular contra o governo Maduro. “Seguirem as pressões junto à população, para que reaja e procure forçar a retirada do Maduro. Isso com esse perigo de a coisa se agravar, a ponto de ter uma reação muito violenta das tropas”, completou o ministro.

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Durante a entrevista ele comentou que o Brasil já sabia que o líder da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente Juan Guaidó convocaria a população para as ruas pedindo apoio militar. Isso aconteceu na última terça-feira (30), entretanto a tentativa de golpe fracassou.

Um grupo reduzido de militares aderiu ao chamado de Guaidó, enquanto generais das Forças Armadas reafirmaram publicamente o apoio ao governo Maduro. No final do dia, cerca de 25 rebeldes pediram asilo político na embaixada brasileira. Outro líder opositor, Leopoldo López, que havia sido libertado de uma prisão domiciliar imposta por protestos contra Maduro, pediu refúgio diplomático na embaixada do Chile em Caracas.

Entretanto, segundo Heleno, os Brasil esperava que o ato de golpe fosse puxado no dia 1º de maio. “Ele [Guaidó] convocou. Isso não houve segredo, em nenhum momento, da convocação. Qual foi a surpresa ali? Foi o dia em que aconteceu a manifestação, porque as nossas informações todas é que ele estava convocando essa grande manifestação para o 1º de maio, para aproveitar o Dia do Trabalho. E aconteceu na véspera”, disse o ministro.

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O ministro avaliou ainda que a situação da Venezuela pode se deteriorar para uma guerra civil. “Não chegou a esse ponto, mas do jeito que esta, não é difícil de evoluir para uma guerra civil. Talvez não tenha evoluído pela desigualdade de forças entre os dois lados. Tem um lado que está apoiado pelas forças armadas, e o outro lado está vivendo de manifestação tipo torcida do Flamengo. Então, é uma briga muito desigual”, admitiu.

A explicação de Heleno para o fracasso do golpe esta semana na quantidade desproporcional de generais na Venezuela.

“Dois mil generais, não tem onde se enfiar dois mil generais. O exército americano tem dois mil generais. Então isso foi o que ele [Maduro] utilizou para ter esses generais ao seu lado. Distribuiu a economia para os generais, economia lícita e economia ilícita, e passou a viver desse apoio. O Maduro depende fundamentalmente desse apoio”, completou Heleno.

Como demonstração de força, dois dias após o fracassado de Guaidó, Maduro marchou ao lado de cerca de 4.500 militares nas ruas de Caracas. O ato foi transmitido hoje por cadeia de rádio e TV, e redes sociais.

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“Precisamos reavivar para o fogo sagrado dos valores dos militares venezuelanos para o combate que estamos dando contra o imperialismo, contra os traidores e golpistas. Estamos dando um combate em todas as frentes, em todas as linhas, pelo direito de existir de nossa república”, disse o presidente venezuelano.

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“Sim, estamos em combate. Máximo moral para desarmar a qualquer traidor e golpista. Querem colocar um presidente com metralhadoras e fuzis e violar a Constituição”, completou.

Maduro se referiu ainda à participação dos Estados Unidos na crise: “Chegou a hora de combater, chegou a hora de dar um exemplo à história e ao mundo e dizer que na Venezuela há Forças Armadas consequentes, leais, coesas e unidas como nunca antes, derrotando intentonas golpistas de traidores que se vendem aos dólares de Washington”.

Na quarta-feira (1), o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo voltou a falar da possibilidade de Washington recorrer a uma ação militar na Venezuela. Um dia antes, na terça (30), ele disse ainda a uma televisão norte-americana que Nicolás Maduro estava pronto para deixar o país rumo à Rússia.

Além de negar a informação, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov acusou os Estados Unidos de influenciar a crise na Venezuela. Ele ligou pessoalmente para Pompeu falando que se os EUA continuarem insistindo na pressão contra Maduro, enfrentarão “graves consequências”.

*Com informações do G1 e da Folha.

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3 comentários

  1. Tratam golpe com uma naturalidade de quem participou de um. No discurso, ilegal é quem foi eleito pelo povo..
    Coisas do Brasil que pretendem exportar.

    • para os que criam o jogo dos golpes…
      é natural, inevitável, a mente se colocar sempre distante da verdade

      não aceitam qualquer outro resultado e assim vão, distantes da verdade ou se recusando a reconhecer que não há apoio popular, até que milhares de inocentes morram para então poderem culpar a vítima do golpe, o Maduro

      por aqui chegaram a este ponto com a distribuição de muita grana para o SIM ao golpe

  2. Somos amadores e provincianos. E ainda jogamos as Forças Armadas Brasileiras nesta palhaçada. Conspiraram com um Golpismo QuintoMundista de 5.a Categoria que Guaidó tentaria contra Maduro. QUE FIASCO !!!! Ficaram o ‘democrata’ auto-proclamado Presidente (auto-proclamado e Presidente. E assim mesmo rotulado como democrata?!) e meia dúzia de seguidores, abandonados no meio de uma farsa. Juntamente com os Idiotas que deram aval à esta fraude. Putin deve ter dado gargalhadas. A China não fez questão nem de se pronunciar. Alguém no Brasil acertou no prognóstico : ‘Uma balbúrdia de torcida organizada’. Demos credibilidade a respaldo a isto? Nós, que sempre tivemos a Venezuela nas nossas fronteiras? Nós, que tínhamos como parceiros e amigos, a Nação detentora das Maiores Reservas de Petróleo do Globo? Nós, que tínhamos através da Venezuela, a possibilidade de em poucos Kms. ter acesso ao Caribe, Am. do Norte e Central? Ter aceso ao Mercado Venezuelano, exportando de Tecnologia à diversificada AgoIndústria e Agropecuária Nacional em troca de Petróleo, Gás e Energia Elétrica baratos? Nós, que SEMPRE tivemos isto ao nosso alcance e NUNCA aproveitamos desta situação, beneficiando Nosso Povo e ao Povo Venezuelano, agora entramos, por Interesses Internacionais (que não os nossos. Muito menos os Venezuelanos) nesta farsa que leva a tragédia a Nosso Irmãos, Nosso Vizinhos e Nossas fronteiras? Realmente, não Nos faltam nem as penas.

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