Novo apoiador de Lula, suplente de Flávio diz “conhecer muitas histórias” de Bolsonaro

Patricia Faermann
Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.
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Sinalizando casos de incriminação de Bolsonaro, suplente de Flávio Bolsonaro declarou: "Quem conhece Bolsonaro como eu conheço vota no Lula"

Fotos: Reprodução Redes

O suplente de Flávio Bolsonaro, empresário Paulo Marinho declarou apoio a Lula no segundo turno das eleições 2022. “Quem conhece Bolsonaro como eu conheço vota no Lula”, afirmou. E manifestou conhecer segredos de Bolsonaro: “O único temor que ele tem é ser preso. Eu conheço muitas histórias do capitão, né?”.

A declaração do empresário foi feita nesta segunda (10), quando Lula esteve em agenda de campanha, e o empresário e suplente do senador filho do presidente compareceu ao evento.

Paulo Marinho disse ainda que terá que “pagar uma penitência de 2018” por ter apoiado Bolsonaro. “Minha mulher costuma dizer que eu precisaria subir a escada da Penha 50 vezes pra pagar essa penitência”, brincou.

“Como eu não tenho essa disposição toda, eu achei que agora não é mais o momento de ficar de voto nulo, voto em branco. Você precisa de lado. Meu lado agora é apoiar o Lula”, justificou o apoio.

Sua casa foi sede da campanha em 2018

Em dezembro de 2019, Marinho foi intimado pela CPMI das Fake News, no Congresso, para explicar a sua atuação junto à campanha eleitoral de Bolsonaro no ano anterior. Ele admitiu que emprestou a sua casa, no Rio de Janeiro, para ser a sede das atividades de campanha do então candidato.

“Cedi dois cômodos de um anexo da minha casa, que foram utilizados pela base de comunicação da campanha para gravação e edição dos programas de TV, de rádio, das redes sociais do PSL. Aceitei fazer essa generosidade porque aquele espaço não iria conflitar com o dia-a-dia da minha família”, havia dito.

Negando ter ele próprio disseminado Fake News pelas redes sociais – razão pela qual foi intimado pela CPMI -, à époica o empresário já criticava o filho Carlos Bolsonaro, que conduzia a comunicação e redes sociais do atual presidente. Ele disse que as posturas públicas do filho do mandatário eram preocupantes.

“Acho que ele é uma pessoa perturbada. Precisa de um tratamento”, disse aos senadores.

Empresários e PSDB

O voto em Lula do empresário foi feito junto a outras dezenas de novos apoiadores nesta segunda, quando Lula esteve em um hotel, na zona sul de São Paulo, com economistas, figuras do PSDB e outros antigos opositores do candidato.

Também estiveram presentes representantes do grupo Derrubando Muros, formado por economistas, empresários, acadêmicos e cientistas conservadores. A organização já havia declarado o voto em Lula, em manifesto divulgado na semana passada.

“O momento é grave. A eleição presidencial de 2022 é diferente de todas as que vivemos até hoje pois nela se joga a sobrevivência da democracia brasileira. Se nossa democracia entrar em colapso perde-se inteiramente a confiança no país. E, sem confiança, não há investimentos, emprego, crescimento e nem liberdade”, dizia o documento.

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Nesta segunda, Samuel Pessoa, economista da FGV, defensor do liberalismo, também participou. Do PSDB, José Anival e Pimenta da Veiga também conversaram com Lula.

Já o suplente de Flávio Bolsonaro, Paulo Marinho, ainda se comprometeu a estar “100% à disposição da campanha” de Lula. “O único temor que ele tem é ser preso. Eu conheço muitas histórias do capitão, né?”.

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