Policiais e militares comandam maior parte das coordenações da Funai

Dossiê divulgado pelo grupo Indigenistas Associados (INA) destaca impacto no trabalho de fiscalização; leia documento na íntegra

Servidores da Funai em Atalaia do Norte (AM) fizeram um protesto-relâmpago no início da manhã desta sexta-feira. Foto: José Medeiros/Agência Pública – via fotospublicas.com

Os assassinatos do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips escancararam a política de desmonte em andamento na Fundação Nacional do Índio (Funai) desde a posse de Jair Bolsonaro (PL) na presidência.

Dossiê divulgado pelo grupo Indigenistas Associados (INA) destaca ainda a perseguição a servidores de carreira e sua substituição por profissionais sem experiência com a política indígena.

Das 39 Coordenações Regionais da Funai, apenas duas contam com chefes titulares servidores do órgão, já tendo sido nomeados 17 militares, três policiais militares, dois policiais federais e seis profissionais sem vínculo anterior com a administração pública.

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Com a fragilidade da atuação dos servidores, os casos de invasão e exploração ilegal de recursos dispararam em relação aos já elevados números vistos no primeiro ano do governo Bolsonaro.

Relatório elaborado pelo Conselho Indigenista Missionário em 2021 aponta 263 casos do tipo registrados em 2020 – um aumento em relação a 2019, quando foram contabilizados 256 casos, e um acréscimo de 137% em relação a 2018, quando haviam sido identificados 111 casos. Foram atingidas pelo menos 201 terras indígenas, de 145 povos, em 19 estados.

O documento do INA foi preparado com base em documentos oficiais da Funai e de outros órgãos públicos, além de materiais de imprensa, publicações de organizações indígenas, da sociedade civil e de depoimentos de servidores e ex-servidores da Funai.

Confira abaixo a íntegra do dossiê elaborado pelo Indigenistas Associados, denominado “Fundação Anti-Indígena: um retrato da Funai sob o governo Bolsonaro”

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