Roberto Gurgel aceitou denúncias de ex-assessor de Cachoeira

Sugerido por Webster Franklin

Do Brasil 247

Gurgel acolheu denúncia do ex-assessor de Cachoeira

Antes de deixar a PGR, Roberto Gurgel aceitou denúncias inusitadas; uma delas foi formulada pelo polêmico jornalista Mino Pedrosa, ex-assessor do bicheiro Carlos Cachoeira, conhecido em Brasília por atuar no submundo dos dossiês; Pedrosa representou ao MP contra o deputado Armando Vergílio (PSD/GO), dizendo ter recebido farto material contra o parlamentar; sem se preocupar com a ficha do jornalista, Gurgel encaminhou o caso ao Supremo Tribunal Federal, às mãos do ministro Marco Aurélio Mello; a grande questão é: por que Gurgel caiu na lábia do jornalista que assessorou Cachoeira?

247 – O que faz um jornalista quando recebe alguma denúncia? Se tem fundamento, ele a publica. Com o polêmico Mino Pedrosa, ex-assessor do bicheiro Carlos Cachoeira, nem sempre é assim que as coisas funcionam. Embora seja colunista do Jornal de Brasília e mantenha um blog na internet, Mino decidiu representar contra um deputado junto ao Ministério Público. Mais precisamente contra Armando Vergílio (PSD/GO), ex-chefe da Superintendência de Seguros Privados (Susep). E o mais inusitado da história é que, antes de deixar o comando da Procuradoria-Geral da República, Roberto Gurgel enviou o caso ao Supremo Tribunal Federal, sem se preocupar com uma questão elementar: por que Mino Pedrosa, notório no submundo dos dossiês políticos e empresariais, tentaria tornar réu um parlamentar? Quais os seus interesses?

A surpreendente história começa em 5 de março de 2013. Neste dia, Mino Pedrosa envia uma correspondência ao subprocurador Augusto Aras, nos seguintes termos:

Recebi, na qualidade de jornalista, farto material (em anexo) envolvendo atos praticados pelo atual Deputado Federal (Estado de Goiás) Armando Vergílio dos Santos Júnior, quando chefiava a Superintendência de Seguros Privados – SUSEP (início de 2010), que, em apenas 23 dias, o então Superintendente autorizou a majoração do custo de emissão de apólice de seguro privado de 60 para 100 reais, sem qualquer base técnica e jurídica, para beneficiar terceiros e o interesse pessoal do próprio Deputado (…) Como todos os eventuais ilícitos penais foram, em tese, praticados com a atuação direta de Deputado Federal, quando exercia a chefia da Superintendência de Seguros Privados, podem ter ocorrido os crimes de PREVARICAÇÃO, PECULATO, CORRUPÇÃO ATIVA E PASSIVA; FORMAÇÃO DE QUADRILHA, CONTRA A ECONOMIA POPULAR E SONEGAÇÃO FISCAL, DENTRE OUTROS…

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O “farto material” do jornalista se resumia a reportagens publicadas na revista Época sobre um tema ligado ao setor de seguros: o custo de apólice, que foi reajustada abaixo da inflação e contou com pareceres técnicos para que fosse majorada.

Sem se preocupar com a ficha de Pedrosa, que trabalhou com Cachoeira e com seus arapongas Jairo Martins e Idalberto Matias, o Dadá, numa tentativa frustrada de derrubar o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (leia mais aqui), Gurgel simplesmente decidiu encaminhar o caso ao STF. Ou seja, permitiu que a Procuradoria-Geral da República fosse usada numa trama de interesses clandestinos ainda obscuros. Uma rápida busca daria ao MP informações interessantes sobre Pedrosa, como o fato de ter recebido um imóvel de Cachoeira e empregado uma parente no gabinete do ex-senador Demóstenes Torres.

A denúncia caiu nas mãos do ministro Marco Aurélio Mello, que, mais experiente, certamente não se deixará operar pelo submundo de Brasília. Mas a pergunta fica no ar: por que Gurgel caiu na lábia do ex-assessor de Cachoeira?

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