3 de junho de 2026

Julgamento de Lula “começou com notícias falsas”, disse o Papa Francisco

"Este é um caso paradigmático. O julgamento começou com notícias falsas na mídia que criaram um clima favorável ao julgamento de Lula"
Lula e o Papa Francisco - Foto: Lula Oficial

Lula foi alvo de um julgamento que “começou com notícias falsas”, que “podem destruir uma pessoa” e sem “um procedimento adequado”, disse o Papa Francisco, em entrevista divulgada neste final de semana.

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O papa concedeu uma longa entrevista ao jornal espanhol ABC, com trechos que foram publicados neste sábado e domingo (18). Duas das dezenas de perguntas dirigidas ao pontífice foram sobre Lula.

“O que você tem a dizer sobre Lula, mais uma vez o presidente do Brasil, depois de ter sido julgado e preso?”, perguntou o periódico espanhol.

Francisco respondeu que se trata de um caso “paradigmático”, indicando a gravidade da ilegalidade do julgamento, que “começou com notícias falsas na mídia” e que as Fake News “podem destruir uma pessoa”.

“Este é um caso paradigmático. O julgamento começou com notícias falsas na mídia que criaram um clima favorável ao julgamento de Lula. A questão das fake news envolvendo lideranças políticas e sociais é bastante séria. Eles podem destruir uma pessoa”, foi a sua resposta.

Ainda no tema, o jornal ABC acrescentou: “Lula foi condenado por corrupção passiva, passou 580 dias na prisão e não pôde concorrer à presidência em 2018. Em 2021, o STF anulou todas as sentenças contra ele porque o juiz não tinha autoridade para conduzir o julgamento.”

Reprodução trecho da entrevista ao jornal espanhol ABC

E papa Francisco novamente lembrou das cirscunstâncias que foram feitas para se julgar e condenar Lula.

“Parece que não houve um procedimento adequado. Aqui tem que ter cuidado com quem monta o cenário do procedimento, seja qual for o procedimento. Eles o armam através da mídia de tal forma que têm um efeito sobre aqueles que devem julgar e decidir.”

E concluiu afirmando ser o julgamento de Lula um “caso histórico”. “Um julgamento deve ser o mais limpo possível, com tribunais de primeira linha, sem nenhum interesse que não seja o de garantir uma justiça limpa. Esse caso do Brasil é histórico. Não estou me metendo em política. Eu só falo sobre o que aconteceu.”

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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