Caetano, segundo o intelectual negro

Do leitor Humberto Miranda do Nascimento, nosso militante negro

Caro Nassif,

criticar a música de Caetano é como cair numa armadilha já armada para desqualificar quem discorde. Mas tenho peito de fazê-lo. Que diria Sergio Buarque de Holanda da letra de O Herói de Caetano Veloso? Depois das declarações de Caetano vamos queimar a célebre obra Macunaíma, que não terá valor nenhum a partir de agora. A pequeno-burguesia morena não gosta de Macunaíma porque ela mostra a faceta do herói que o brasileiro pensa ser. Que diria Castro Alves, um branco encardido que tanto Caetano admira?

Para Sergio, o homem cordial era aquele movido pelas paixões e nada tem a ver com o cordial de sentido dicionário, de educado, gentil, pátria amada Brasil. Sergio está o tempo todo preocupado com as consequencias da ação desse homem cordial. Não é à-toa que seu grande livro virá a ser Visão do Paraíso. O próprio Chico Buarque no filme sobre Sergio chama a atenção para esta obra. É engraçado que muitos leram Raízes e não leram Visão.

Outros tantos acham que Gilberto Freyre e Sergio Buarque, de Raízes, estão falando a mesma coisa. É isso mesmo. Estou chamando Caetano de burro. Quem ainda não leu Euclides da Cunha, Gilberto Freyre, Oliveira Vianna, Darcy Ribeiro, Sergio Buarque de Holanda, Celso Furtado, Alberto Guerreiro Ramos, Caio Prado Jr, Florestan Fernandes, Manoel Bonfim, Marques de Pombal, Eugênio Gudin, Roberto Simonsen, Raul Presbisch, Anibal Pinto, Paulo Freire e Ferrez, é burro. Eu ainda sou burrinho também porque ainda não li muitos outros. Mas quem não leu Rui Barbosa não perderá nada.

Enfim, Caetano prega a burrice nacional. Eu não entro nessa. “Caetenear o que há de bom” não é bom. É só um querer, não é vero. Viva “Espumas flutuantes”, de Castro Alves. Caetano espumaverborragicamente é convenientemente conivente com o que convés, éter-na-mente.

Cordial não é ternal. Eu quero o terno, não quero é terno.
Viva Wilson Simonal !

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