O boicote do Copom

Em pleno entusiasmo pelo lançamento do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) o Copom decide reduzir o ritmo de queda da taxa Selic para 0,25. Três dos oito membros votaram por uma queda maior. Estava claro que o lançamento do PAC poderia impor uma nova agenda à discussão pública, acabando com esse discurso monocórdico de sempre recriar fantasmas para justificar juros altos.

Havia duas leituras para a decisão. A primeira, é que teve o objetivo de confrontas as intenções do PAC. A segunda, é que teria sido uma decisão correta, no plano técnico, e errada no plano político. Se não havia consenso nem entre os membros do Copom, porque não manter o 0,5 porcento e, se fosse o caso, reduzir o ritmo nas próximas reuniões.

Agora está claríssimo que esse 0,25 foi um erro técnico, o que agrava a intenção política. Só a certeza da plena impunidade permite que em cima de visões desleixadas da economia, esses técnicos pudessem cometer erro tão clamoroso.

O mercado já diagnosticou o erro ao não perceber o aumento de demanda apontada pelo BC e começar a derrubar os juros longos por conta própria.

Como é que fica agora? O BC não errou a previsão (que pressupõe tengtar adivinhar o futuro); foi erro na leitura da realidade. Sua decisão começou a derrubar as taxas do dólar poucos dias depois.

Repito: como fica? Como ficam esses discursos apontando o BC como “último baluarte da racionalidade”? Como fica essa lógica capenga de considerar que toda ortodoxia é virtuosa, sem saber separar a boa ortodoxia da ortodoxia incompetente?

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