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Jessé Souza: “A classe média é feita de imbecil pela elite”

Foto: Fotos Públicas

Por Sergio Lirio

Na CartaCapital

Em agosto, o sociólogo Jessé Souza lança novo livro, A Miséria da Elite – da Escravidão à Lava Jato. De certa forma, a obra compõe uma trilogia, ao lado de A Tolice da Inteligência Brasileira, de 2015, e de A Ralé Brasileira, de 2009, um esforço de repensar a formação do País.

Neste novo estudo, o ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada aprofunda sua crítica à tese do patrimonialismo como origem de nossas mazelas e localiza na escravidão os genes de uma sociedade “sem culpa e remorso, que humilha e mata os pobres”. A mídia, a Justiça e a intelectualidade, de maneira quase unânime, afirma Souza na entrevista a seguir, estão a serviço dos donos do poder e se irmanam no objetivo de manter o povo em um estado permanente de letargia. A classe média, acrescenta, não percebe como é usada. “É feita de imbecil” pela elite.

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Nilson Lage: ou uma "força oculta" se levanta contra o golpe, ou o Brasil vai ser dividido

Por Nilson Lage*

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O Brasil se encaminha para a etapa final de um processo que acompanho e prevejo há anos.
Só a idade provecta, a desimportância pessoal e a mídia restrita que uso permitiram que expusesse minha certeza que, por certa, se confirma – assim mesmo porque me recuso a discutir com os apaixonados, os crentes e os convictos, que fazem dos desejos esperança e contam que alguém os realize.

Só um tarado formalista ou um bacharel brasileiro poderiam aceitar que o que ocorre tem algo remotamente parecido com democracia.

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A importância de matar o mito, por Alexis Prieto


Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

Por Alexis Prieto

Comentário à publicação "O assalto ao poder e os Macunaímas do Supremo, por Luís Nassif"

Bastaria que o Robin Hood tivesse pegado algum dinheiro para enriquecimento próprio para que a história medieval que conhecemos fosse desacreditada, e para que muitos senhores ingleses pudessem dormir melhor nestes últimos 500 anos e os anos que virão.

Hoje, para a elite brasileira, é fundamental prender o Lula e matar o mito. Quanto menor e brega seja o delito, mais ordinário o Lula será apresentado perante a sociedade, como um batedor de carteira, um aproveitador de sobras, um catador de restos de banquetes, ou seja, delitos que o "povo" entende claramente como tais. O apartamento do Geddel na Bahia é perdoável para as elites, pois demonstra bom gosto e articulação, mas não assim aquele apartamento brega em Guarujá.

Pela cultura brasileira, o povão convive e tolera elites ricas, elegantes, articuladas e espertas, mas não perdoa ladrão de galinha dentro da sua comunidade. Assim também a “justiça”, como fez com aquela mulher que roubou um pote de manteiga em supermercado e ficou 6 meses na cadeia.

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Quanto mais negros no gramado, menor seu número no público, por João Sucata

Imagem - blog do Roberto Thomé

Esporte Bretão

Quanto mais negros no gramado, menor seu número no público dos estádios ou da TV

por João Sucata

Logo times europeus terão mais torcida no Brasil que Corinthians e Flamengo juntos

O futebol brasileiro está perdendo espaço devido a seus dirigentes incompetentes e corruptos, horários impostos  pela TV Globo, preço dos ingressos ou dos canas de TV pagos.

Está inviável um pobre ir ao estádio. E isso se vê também pela ausência de negros, sabidamente numerosos entre os pobres. Quanto mais negros adentram os gramados, menor o número dos que assistem as partidas. O preço dos ingressos estão nas alturas.

Os horários dos jogos noturnos, 21,30 horas ou mais, para não atrapalhar a novela, também inviabilizam a ida de trabalhadores pobres aos estádios. As partidas terminam aproximadamente 11,30 e os transportes públicos inexistem ou escasseiam após esse horário. Sabemos que o trabalhador tem que levantar umas cinco horas da manhã para chegar ao local de trabalho. Só quem tem automóvel pode comparecer aos jogos. Até classe média tem problemas de chegar antes da uma hora da manhã em casa e levantar cedo para trabalhar.

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Para vice-presidente do PSDB, Dória é uma farsa em todos os sentidos

Jornal GGN - O racha no PSDB por causa da escolha de João Dória para disputar a prefeitura de São Paulo no lugar de Andrea Matarazzo é exposto em artigo publicado pelo vice-presidente nacional da legenda, Alberto Goldman, no último dia 18.

Sob o título "Para conhecer melhor João Dória", o texto tem a finalidade de desconstruir a imagem de empresário bem sucedido e oposto ao político convencional. Goldman se presta a mostra que ao contrário do que prega, Dória usou "métodos antigos" para ascender a postulante patrocinado por Geraldo Alckmin.

Ligado a José Serra - que tentou emplacar a candidatura de Matarazzo, mas acabou apoiando a parceria com Marta Suplicy (PMDB) - Goldman tentou impugnar a inscrição de Dória como candidato.

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A Casa Grande, o golpe parlamentar e o clamor das ruas, por Chico Whitaker

O clamor das ruas

Por Chico Whitaker

* Artigo escrito para o Boletim Rede de Cristãos, publicado pelo Centro Alceu Amoroso Lima, número de setembro de 2016.

O Brasil vive hoje mais um episódio de ruptura política de sua longa transição rumo a uma sociedade igualitária. A Casa Grande retomou as rédeas de nossa vida política, aproveitando-se da fragilização do um governo democraticamente eleito.

O absurdo social das senzalas, que o país viveu durante três séculos, só foi questionado quando os comerciantes ingleses passaram a impedir o livre curso dos navios negreiros, interessados que estavam em aumentar o número de “homens livres” que se tornassem consumidores, para expandir os negócios de suas indústrias nascentes. Mas foi a partir da abertura de nossas portas, no século XIX, para a imigração europeia e japonesa, que começaram a surgir classes médias em nosso país. Elas foram incorporando, vagarosamente, os antigos moradores das senzalas, mas o país mantém até hoje um quadro de escandalosa desigualdade social, herdado do regime escravocrata e consolidado pelo regime militar de 64.

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A elite de Bogotá, por André Araujo

Por André Araujo

A Colombia é governada desde a independência por uma sólida elite política tradicional herdeira do Vice Reinado de Nova Granda que tinha sede em Santa Fé de Bogota. Ao contrário da Venezuela, que era considerada pelos Reis da Espanha como terra inóspida e destituída de ouro e pedras preciosas, no que seria a Colombia havia ouro em abundância e as maiores jazidas de esmeraldas do mundo.

Com tanta riqueza a vista, os Reis de Espanha entregaram a administração do território a nobres amigos da corte, enquanto para a Venezuela mandavam degredados e prisioneiros que se mesclaram com os temíveis índios Caribe, da área em torno de Caracas, e todos se misturaram com negros da África, constituindo a típica população da área caraquenha, enquanto os venezuelanos de Tajira, região montanhosa ao lado da Colombia, mais se parecem com colombianos, lá pouca mescla de raças houve.

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Dilma denuncia o golpe sem poupar elite, políticos e grande mídia

Jornal GGN - No Senado, durante a fase final do julgamento do impeachment, a presidente Dilma Rousseff fez um discurso firme, claro e por vezes emocionado, endereçado principalmente aos senadores indecisos, aos traidores de ocasião e aos que articularam o seu afastamento.

Denunciando o "golpe de Estado" decorrente de um impeachment sem crime fiscal comprovado, ela não poupou citações aos responsáveis pela atual ameaça de ruptura democrática: a elite econômica, a classe política derrotada nas urnas e perseguida pela Lava Jato e setores da mídia que vergonhosamente silenciaram diante da fragilidade e desfaçatez do processo. 

O discurso começou próximo das 10h desta segunda-feira (29), com Dilma pedindo desculpas por erros que cometeu em sua gestão. "Acolho essas criticas com humildade, até porque como todos eu também cometo erros e tenho defeitos. Mas entre meus defeitos não está a covardia", disparou Dilma.

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Fingindo governar, Temer firmou sua presidência, por André Singer

Jornal GGN – Em sua coluna na Folha de S. Paulo, o articulista André Singer fala sobre o “milagre” que governo interino fez para se firmar. Para tanto, foi preciso unificar as classes dominantes e esvaziar a reação das dominadas. “Nada mais óbvio. Convém, no entanto, ver de que maneira o fez, pois há lições a tirar daí”.

“Em relação à economia, o ministro Henrique Meirelles teve a habilidade de não praticar nada, com a aparência de estar realizando tudo. Explico. O nó górdio consistia em aprofundar o ajuste fiscal sem com isso deprimir ainda mais uma economia que caminha para o terceiro ano de estagnação/recessão. Meirelles cortou o nó, atuando em dois tempos”.

No curto prazo, o ministro não cortou gastos, pelo contrário, promoveu uma elevação que alegrou o Congresso. Mas mexeu na raiz dos direitos previstos na Constituição e assim animou as expectativas para um longo de orçamento enxuto para projetos sociais.

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Estado de exceção envergonha o Brasil no mundo, diz Lula

Jornal GGN - O ex-presidente Lula disse, em entrevista ao uma rádio africana, republicada pelo Cafezinho na quinta (28), que o Brasil vive um estado de exceção, com o golpe do impeachment em curso e o cerceamento de defesa no âmbito da Lava Jato, uma vez que a mídia se aliou ao Judiciário para condenar previamente os investigados.

Na visão de Lula, esses problemas, principalmente o do ataque à democracia sem crime de responsabilidade fiscal por parte de Dilma Rousseff, estão sendo observados lá e essa situação "envergonha o Brasil no mundo".

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Com a direita no poder, a velha luta de classes está escrachada, por Eleonora de Lucena

Jornal GGN - Repórter especial da Folha, a jornalista Eleonora de Lucena sustenta, em artigo publicado pelo jornal nesta terça (26), que a tomada do poder por um grupo político que representa os interesses das elites econômicas escancara a "velha luta de classes", pois retirar direitos conquistados nos últimos anos não será tão fácil quanto faz parecer a gestão do interino Michel Temer (PMDB).

"O impeachment trouxe a galope e sem filtro a velha pauta ultraconservadora e entreguista, perseguida nos anos FHC e derrotada nas últimas quatro eleições. O objetivo é elevar a extração de mais valia, esmagar os pobres, derrubar empresas nacionais, extinguir ideias de independência", escreveu.

Para Eleonora, a esquerda "precisa se reinventar, superar divisões, construir um projeto nacional e encontrar liderança à altura do momento. A novidade vem da energia das ruas, das ocupações, dos gritos de "Fora, Temer!". Não vai ser um passeio a retirada de direitos e de perspectiva de futuro. Milhões saborearam um naco de vida melhor. Nem a "teologia da prosperidade" talvez segure o rojão. A velha luta de classes está escrachada nas esquinas."

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O Brazil do golpe, por Saul Leblon

Jornal GGN – Em artigo para a Carta Maior, Saul Leblon fala sobre os conflitos raciais que tomaram conta dos Estados Unidos. Ele pondera a respeito do crescimento e fortalecimento de um ultraconservadorismo de direita que tem como maior representante um candidato à presidência assumidamente racista.

Mas enxerga - além das consequências - as causas da crise social: o derretimento da classe média e do sonho americano. O desemprego está em baixa, mas os trabalhos disponíveis são de baixa qualidade, os direitos estão mais escassos, “a precariedade é a nova lei de ferro”.

E a crise de lá encontra uma irmã aqui. O golpe sofrido pela presidente Dilma Rousseff é um sinal da luta travada pela plutocracia para manter seus privilégios. Ao custo do bem estar social e do desenvolvimento da nação.

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Lula diz para jornal britânico que Lava Jato visa destruir sua imagem

Jornal GGN – O ex-presidente Lula concedeu entrevista ao jornal britânico The Guardian e falou sobre a crise política e a Operação Lava Jato. Em sua opinião, o objetivo das investigações é centrar fogo no PT e impedir que ele volte a concorrer à presidência. “Acredito que há uma combinação entre algumas partes da mídia, da promotoria e da polícia para destruir minha imagem”, disse o ex-presidente. “É tudo com um objetivo: condenar Lula”.

"Por que não investigam como todos os partidos políticos arrecadam fundos?", questionou. "Da maneira como tem sido feito, fica a impressão de que todo o dinheiro para o PT é sujo e que todo o dinheiro para o PSDB é limpo".

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A pena de Dirceu e a perversão da justiça, por Paulo Nogueira

Do Diário do Centro do Mundo

A pena de 23 anos para Dirceu é o triunfo da perversão da justiça feita por Moro

Por Paulo Nogueira

Não era contra a corrupção. Era contra o PT.

Essa é uma das conclusões essenciais da campanha movida pela plutocracia em nome da “moralidade” da qual resultou o golpe.

Dirceu, condenado hoje por Moro a 23 anos de prisão, foi uma das vítimas dessa perversão de justiça.

Três líderes petistas tinham que ser destruídos para o golpe plutocrático funcionar. Lula, Dilma e ele, Dirceu.

O primeiro da fila foi Dirceu. A imprensa, sobretudo a Veja, abandonou qualquer  fundamento jornalístico para assassinar sua reputação e colocá-lo na prisão.

Transformaram-no no que ele definitivamente não é: um monstro. Esquarteje-se esse monstro.

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Um governo elitista não basta para calar a sociedade, por Eliane Brum

Jornal GGN – A jornalista Eliane Brum escreveu um artigo para o El País com seu testemunho do protesto que jovens negros fizeram em frente ao prédio da FIESP, na Avenida Paulista.

Além do ato em si, ela compartilhou as conversas que teve com pessoas presentes, contrárias à ideia de que existe racismo no Brasil e favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Em seguida, disponibilizou a entrevista que fez com o DJ e ator-MC Eugênio Lima, um dos organizadores do protesto.

Por fim, fez uma análise dos signos do governo temporário do presidente interino Michel Temer, levando em conta quem são seus apoiadores e seus adversários.

Tudo está relacionado. Para a jornalista, as elites econômica, Temer e a Casa Grande se iludem em pensar que vão conseguir abafar as contestações aos seus privilégios.

“A ‘pacificação’ proposta por Temer é cada um voltar a ocupar seu lugar racial e social como se essa fosse a organização natural das coisas. A ‘pacificação’ de Temer é paz apenas para alguns. A esse desejo de retorno da velha ordem das elites e do progresso para os mesmos de sempre contrapõe-se hoje a frase poderosa, quase um mantra, escrita em um dos cartazes levantados na Paulista na performance dos ativistas negros: ‘Se a paz não for para todos, ela não será para ninguém’.

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