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Esse lado de fora é cada vez mais ficção, por Maíra Vasconcelos

É de laço em laço, entre escrita e leitura, que se vê que o que está de fora é aquele que escreve.

Um texto para existir precisa caber em quem lê, por Maíra Vasconcelos

Como se ficção e não-ficção estivessem apenas à espera da palavra escrita para possuírem, enfim, vida. Algo assim como o comentário de uma leitora que li hoje nos jornais.

Crônica: “lugar onde o laboratório narrativo está mais em movimento”, disse Piglia. Por Maíra...

E dentro do fracasso é possível enumerar vários tipos de derrubação.

Parece que sem a literatura não há possibilidade de se contar a vida, por...

Assim, portanto, poderia dizer que sem a literatura não se conhece a vida mais comum, como uma conversa-de-café entre duas pessoas.

A palavra morte é pobre demais ou apenas estritamente objetiva para uso dos jornais,...

Ao invés de se dizer morte, falar em justiça e homenagem. Ao escrever, dar vida à ausência, sentir a temperatura das mãos passar do calor ao frio.

E uma conversa de vizinhas confinadas jamais será manchete de jornal, por Maíra Vasconcelos

As preocupações caseiras do confinamento de cada um não interessam aos jornais.

Não é possível cantar enquanto se lê notícias de jornal, por Maíra Vasconcelos

Bom mesmo é poder cantar enquanto se lê. Porque, às vezes, no silêncio da leitura de um romance ou de um poema, quem saberá se alguém está cantando

Os jornais são sempre mais pudicos do que qualquer obscena fantasia, por Maíra Vasconcelos

E hoje, ao ler os jornais, percebi que a ficção está muito longe de qualquer palavra informativa e muito próxima de todas as realidades.

Afinal, a ficção sempre acompanhou os pesares da humanidade, por Maíra Vasconcelos

Apenas a ficção é capaz de torcer qualquer realidade para extrair dela alguma beleza, algum sentido distraído de todo cotidiano.

Escrever uma não-notícia pode ser útil até mesmo aos jornais, por Maíra Vasconcelos

Quando as autoridades públicas podem ser quase sempre as mesmas, em todas as notícias de jornal, mas nunca na ficção.

Como seria fantástico um jornal que não sabe o que acontece, por Maíra Vasconcelos

Parece haver também no jornalismo certa transformação da palavra. Mas, reparem, nunca em sentido a buscar a beleza, isso que significa fugir do real, do cotidiano

Isso ainda não é uma fantasia, é apenas uma reflexão, por Maíra Vasconcelos

E o que tenho é uma não voz que trafega rumo ao entendimento desmedido e à reflexão exaustiva sobre o ato de escrever.

A fantasia sendo apenas o disfarce perfeito para cada manchete de jornal, por Maíra...

Talvez, ficção e realidade não se separem e dividam o mesmo tempo exatamente com igual necessidade de estar presente.

Ouvi dizer que a fantasia jamais seria manchete de jornal, por Maíra Vasconcelos

Todo absurdo caberá sempre em um pouco mais de quarenta palavras, um nome completo e aquelas idades pequenas demais para a morte.

A vida não permite outro rasgo a não ser pertencê-la, por Maíra Vasconcelos

Ouvi dizer que para encontrar fantasia e realidade, a poesia cava com as mãos, o corpo, os olhos, principalmente.

Palavra novinha nasce assim, a gente finge que o inverno passado nunca existiu, por...

Ouvi dizer que todos esses movimentos absurdamente irregulares são apenas a própria pulsão.

As ruínas de um jardim que nunca aconteceu, se as flores sempre estiveram pisadas,...

Depois, dois ou três textos expressam aqui no jornal o que não mais irá ser visto até o próximo inverno.

A voz do vendedor da esquina não sairia nos jornais, por Maíra Vasconcelos

Não sei o seu nome. Ouvi dizer que a voz do vendedor da esquina foi ecoada no tempo: a família perpetuou sua memória.

O jornal é demasiado factível, a nossa diferença é a fantasia, por Maíra Vasconcelos

A voz literária pode virar eco no tempo. Mas nada disso é certeza alguma. A voz renasce ou também não renasce.

E os pássaros mortos saem todos voando da frente de meus olhos, por Maíra...

Quantas vozes cabem dentro de uma mão escritora? Quando falo de vozes também minto. A minha voz precisa mentir e desmentir muito, ir e vir, porque não há de se cultivar dependências alheias.

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